Pipalegria reuniu 800 participantes em prol de crianças autistas

Com a presença de cerca de 800 participantes, a Beneficência Nipo-Brasileira (Enkyo) realizou no sábado, dia 25, no bairro da Liberdade, em São Paulo, o “Pipalegria – O Circo das Crianças do Pipa“. Foi a 13ª apresentação das crianças que integram o Projeto de Integração Pró-Autista (PIPA), uma metodologia pioneira de acompanhamento terapêutico e educação de portadores do espectro do autismo, uma deficiência que afeta mais de 2 milhões de brasileiros.

A metodologia é inspirada na experiência desenvolvida em 1966 no Japão, pela médica Kiyo Kitahara, em uma escola composta por duas unidades de nível infantil, uma fundamental, uma de ensino médio e uma de ensino técnico, que integrava alunos portadores de autismo com alunos sem a síndrome.

Estruturado com base na chamada Terapia de Atividade Diária (TVD), que privilegia a atividade coletiva e também a não utilização de medicamentos, o Programa de Integração Pró-Autista (Pipa) busca dotar os portadores do transtorno do espectro autista de uma maior independência e autonomia em sua vida adulta, através do desenvolvimento corporal sadio que dá condições para a promoção da estabilidade emocional e cognitiva, além da evolução intelectual.

Os portadores do espectro de autismo que participam do Projeto PiPa revelam habilidades típicas de pessoas normais, na prática de atividades de rotina, como por exemplo: andar de bicicleta e/ou patins, jogar basquete, futebol, efetuar as quatro operações aritméticas e musicais, como tocar o Taiko, tradicional tambor japonês.

Além de sua terapia absolutamente inovadora, o Pipa tem como objetivo adicional promover a cidadania, a inclusão e a participação da pessoa com a deficiência na sociedade, promovendo sua autonomia, eliminando barreiras, permitindo o acesso e o usufruto, em bases iguais, aos bens e serviços disponíveis a toda a população, além de propor um novo olhar para as pessoas com a deficiência, fortalecendo o seu protagonismo, promovendo a sua autonomia e eliminando barreiras e preconceitos.

ALTERNATIVA

Conceitualmente, o autismo é considerado um transtorno no desenvolvimento do cérebro, conhecido por “Transtorno de Espectro Autista – TEA”, que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo e mais de 2 milhões de brasileiros, tendo como principais sintomas: fobias, agressividade, dificuldades de aprendizagem e de relacionamento.

Existem vários níveis de autismo, incluindo pessoas que apresentam o transtorno, mas sem nenhum tipo de atraso no desenvolvimento da capacidade mental. No entanto, estudos demonstram que o autismo apresenta aspectos únicos para cada pessoa.

O cenário da patologia no Brasil e no mundo mostra-se com características semelhantes, nas quais destaca-se o baixo índice de diagnóstico, especialmente nas fases mais tenras de idade, de 1 a 3 anos, onde justamente as perspectivas de tratamento precoce são menos frustrantes.

Para se ter uma ideia melhor da dimensão do problema, basta destacar que dos mais de 2 milhões de casos de autismo existentes hoje no País, apenas 5% (cinco por cento) estão diagnosticados, não havendo estatísticas confiáveis de quantos destes estão sendo tratados e/ou acompanhados com técnicas médicas terapêuticas.

Já consagrada como uma terapêutica vencedora no Japão, EUA, Uruguai e também no Brasil, a metodologia do Pipa apresenta-se como uma técnica alternativa de terapêutica médica, além de um reforço do arsenal de condutas médicas para o diagnóstico precoce e manejo perseverante dos casos.

O Pipa assenta-se no conceito de desenvolvimento terapêutico de potencialidades humanas dos pacientes, ministrado por equipes multidisciplinares, integradas por pediatras, fonoaudiólogos, neurologistas, psiquiatras, professores de educação física, pedagogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, nutricionistas, enfermeiras, professores de música e assistentes sociais.

Segundo Ricardo Minoru Wazima, gerente do Pipa, há sempre uma criança antes do diagnóstico de autismo e é com alegria que se educa qualquer criança. “Muito mais que uma exibição de habilidades circenses e artísticas, o evento é um show de inclusão social, de jovens exercitando suas habilidades sociais, com muita emoção e diversão garantida”, explica o gerente.

As atividades do Projeto Pipa tiveram início em 2006, na Vila Mariana. Em 2010, o Pipa foi transferido para a rua Soldado João Pereira da Silva, 273, no Parque Novo Mundo, ao lado do Hospital Nipo-Brasileiro, onde funciona atualmente, atendendo 39 pessoas, entre cinco e 18 anos, de várias cidades da Região Metropolitana de São Paulo. Dois jovens maiores já trabalham no Hospital Nipo-Brasileiro.