Por Valdir Carleto

O empresário Wilson José Lourenço Jr., entusiasta do associativismo, fundou o primeiro Conseg (conselho Comunitário de Segurança) de Guarulhos, presidiu a ACE Guarulhos por quatro anos e foi vice-presidente da Facesp, a Federação das Associações Comerciais do Estado de Sao Paulo, representante o Alto Tietê.
Como diretor do Colégio Carbonell, é presidente da AEG (Associação das Escolas de Guarulhos) e representa na cidade o Sieeesp, Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino.

Onde nasceu, quando e por que veio para Guarulhos?

Nasci em São Paulo. Vim para Guarulhos, em 1995, quando me casei com Andréa Mazoni, que sempre viveu aqui. Nós nos conhecemos no Mackenzie e durante o namoro eu já convivia na cidade.

Qual sua formação?

Inicialmente, fiz o Técnico em eletrônica, na Escola Técnica Estadual, em São Bernardo do Campo. Dá até saudade daquela época, quando havia ensino público de qualidade. Formei-me no Mackenzie em tecnologia em processamento de dados. Era um curso de três anos. Quando quis fazer uma Pós, soube que o curso não dava esse direito. Sentimo-nos enganados pela Universidade, porque, afinal, tínhamos feito um curso superior. Diante da pressão, o Mackenzie fez um curso de licenciatura, no qual nos capacitamos a lecionar informática para alunos até o ensino médio. Foi o meu primeiro contato e o da Andréa com a Educação. Ela foi convidada a dar aulas no Colégio Guilherme de Almeida, ainda no tempo da dona Odila. Ela se apaixonou pela área e nunca mais deixou. E eu depois cursei administração de empresas e, por fim, estudei direito na UnG.

Como se deu seu ingresso na área da Educação?

A partir do momento em que se soube que o Colégio Carbonell precisaria deixar a antiga sede, na rua Dr. Ramos de Azevedo. Desde a fase do projeto das novas instalações, eu me envolvi: qual seria o tamanho, quantas salas, qual a estrutura, equipamentos, tudo enfim. Até ali, a escola pertencia a dona Eunice e ao Eldon Fiorim. Como houve necessidade de mudar do Centro antes que a sede definitiva estivesse pronta, o Carbonell funcionou por três anos na Ponte Grande, e já no início nos tornamos sócios deles. Depois, assumimos integralmente a direção da escola.

Até que ponto entende que a estrutura de uma escola e a tecnologia influenciam a qualidade do ensino?

Acho que isso é fundamental. Com uma boa estrutura, se consegue fazer uma boa divisão das turmas, ter espaços amplos, arejados, com uma iluminação adequada; ter carteiras compatíveis com cada faixa etária e a evolução física dos alunos. Quanto à tecnologia, hoje temos telas de 50 polegadas em cada sala, o que permite expor vídeos de assuntos pertinentes com o tema da aula, o que a torna algo muito mais dinâmico. Este prédio foi planejado para atender todas essas premissas, com o número ideal de alunos por sala e a soma de todos esses fatores favorece o aprendizado. Quero registrar, entretanto, que conheci na Índia, em Trivandrum, escolas que são divididas por uma cortina; as crianças sequer tinham cadernos e por lá não existe analfabetismo. Isso é resultado de um tripé imprescindível para a qualidade da educação: aluno interessado, escola organizada e a família cumprindo seu papel, de acompanhar a vida escolar do filho. Não adianta ter escola boa, se a família não criar um ambiente de cultura, pois aí o aluno não desenvolverá o gosto por aprender.

Vários ramos de atividade queixam-se da qualidade da mão de obra. O colégio também tem dificuldade de contratar bons professores?

Ao longo do tempo, o Brasil desprestigiou muito a categoria dos professores, o que causou o desinteresse de muitos jovens pela área. Há países, como a Finlândia, onde a seleção para lecionar é rigorosa, tantos são os interessados em atuar na profissão.

Como faz para suprir isso?

Fazemos gestões junto a universidade de primeira linha, buscando pessoas mais vocacionadas em cada área. E, no âmbito interno, muito treinamento e capacitação, com a nossa filosofia de trabalho. Contamos para isso também com o sistema de ensino Etapa, com conteúdo apostilado e contínua capacitação. Os alunos fazem provas todas as semanas, o que permite avaliar seguidamente o aprenzidado.

Fale da experiência de ter presidido a ACE (Associação Comercial e Empresarial) Guarulhos?

Foi um aprendizado incriível, que me proporcionou contato com muitas empresas, conhecer de perto suas dificuldades e atuar no encaminhamento de questões que dependem do poder público. Assumi logo após a mudança para a nova sede, podendo oferecer mais serviços ao associado. Foi uma forma de dar minha contribuição à cidade.

Considera boa a participação do empresariado nas entidades?

Não, pois é muito tímida. É menor do que em outras cidades. E não só na ACE, nas outras entidades também: são muito poucas as pessoas engajadas. A participação precisa ser mais ampla e efetiva, pois assim quem estiver à frente do poder público terá menos chance de errar.

Qual sua participação em entidades empresariais depois que saiu da presidência da ACE?

Fui vice-presidente da Facesp, representando a região do Alto Tietê junto à Federação, que é um canal de comunicação, que também precisaria ser mais aguerrida. Agora, presido a AEG – Associação das Escolas de Guarulhos, que tem menos de 50 associadas e sou diretor regional do Sieeesp, Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de SP.

Foi sua a iniciativa de trazer para Guarulhos o primeiro Conseg – Conselho Comunitário de Segurança. Como foi isso?

Em São Paulo, eu já havia participado do Conseg da Vila Mariana. Quando souberam lá que eu viria para Guarulhos, me alertaram que o índice de homicídios aqui era muito alto, 600 por ano. Cheguei por aqui e mobilizei vários setores para fundar o Conseg da Vila Galvão e fiquei feliz porque depois vários bons presidentes me sucederam. Na época, a falta de estrutura das polícias era terrível; hoje, ainda é muito precária, mas o índice de mortes foi reduzido para 60 por ano.

Guarulhos passou por uma transformação, reduzindo a influência da indústria e ampliando a do comércio e serviços. Isso é positivo ou negativo?

É uma sucessão natural, mas entendo que em termos de geração de empregos a cidade perde, porque a indústria paga melhor. Infelizmente, não soubemos conservá-las aqui, principalmente pela carência urbanística da cidade e sabe-se que é difícil atrair novas indústrias para Guarulhos, porque o preço dos imóveis aqui é muito alto. Com a vinda do Rodoanel, cidades vizinhas podem ser mais atrativas.

A que atribui o fato de Guarulhos ter ainda uma qualidade de vida incompatível com sua pujança?

Faltou planejamento. A organização da cidade é muito crítica. Surgem conjuntos residenciais às margens da via Dutra, local com grande concentração de poluentes, enquanto indústrias estão situadas em meio a residências nos bairros. Quando era oposição, o PT dizia que faltava planejamento; depois de 16 anos de poder, a cidade continua precária nesse quesito. O item mais importante para a qualidade de vida é a saúde e a nosso sistema é muito precário. Acessos rápidos para locomoção das pessoas? Não existem. Falta muita coisa e faltam cabeças pensantes.

Quais seriam as prioridades para o prefeito que assumir em 2017?

Enxugar a máquina administrativa, para ter recursos para investir em muito que Guarulhos requer; planejar de forma que se possa cumprir e não como tem sido feito, com tantas obras inconclusas, porque a cidade perdeu toda capacidade de investimento. Não se trata de atribuir a um ou outro partido. Construir um corredor de ônibus como esse que o governo do Estado fez, onde passa um ônibus a cada 15 ou 20 minutos, não faz sentido.

Acredita que Guarulhos terá o sonhado Parque Tecnológico? Em quanto tempo?

Que terá um dia, acho que é fundamental. Creio ser preciso buscar parcerias com as universidades, porque é isso que se vê em outros lugares. Nos Estados Unidos, as universidades e as empresas têm forte entrosamento. Em São José dos Campos, é nítido o quanto o Parque Tecnológico é útil. É um sonho, de fato, necessário, mas é difícil avaliar em quanto tempo será possível, porque não se sabe de onde sairão os recursos. Será preciso o engajamento de todos os setores, para não ficar como a Incubadora, que ainda não deu tantos frutos quanto desejável.