Ponte dos Espiões (Bridge Of Spies – 20th Century Fox/Dreamworks) / Crítica

Steven Spielberg voltou à sua boa forma. Desde Indiana Jones 4 (com exceção de Lincoln), Spielberg não dirigia um longa que estivesse à altura do seu importante trabalho para o mundo do cinema, sempre ficando aquém de seu verdadeiro potencial. Felizmente, Ponte dos Espiões veio para mudar a situação.

Na trama, baseada em fatos, Tom Hanks interpreta Jim Donovan, um advogado do sistema judicial dos EUA que, no auge da Guerra Fria, recebe o ingrato trabalho de defender um espião britânico a serviço da União Soviética, após ser capturado. A complicação: um espião americano também é capturado em solo soviético, e Donovan será o encarregado de encabeçar o difícil processo de troca entre as duas nações inimigas.

A situação foi estabelecida, e a carga dramática dela é enorme. A única coisa que se pode esperar disso é: mais um filme do Spielberg onde ele retrata todo o horror de um conflito de escala mundial. Não que isso seja demérito, pois a maioria dos filmes que o diretor retrata conflitos são muito bons. A questão é que, surpreendentemente, o roteiro dos Irmãos Coen (Onde Os Fracos Não Têm Vez), encontrou espaço pra muito humor e uma boa dose de ironia e cinismo em meio a um tema bastante complicado. Por diversas vezes durante o filme, o personagem de Hanks, durante seus diálogos, dá respostas curtas e irônicas, dando um tom mais leve e bem humorado a seu Jim Donovan, e à trama em si. É importante destacar o ótimo trabalho de Hanks na sua incorporação de Jim. De maneira versátil, ele se encaixa perfeitamente ao papel.

Também foi divertido ver como o filme retratou os soviéticos e sua relação conturbada com os americanos. Os inimigos dos EUA se mostram bastante ingênuos e inofensivos perante o “grande poder americano”. O cinismo entre soviéticos e americanos é retratado de forma divertida e inteligente, o que rende os melhores diálogos e cenas do filme.

Dessa forma, ao fazer Ponte dos Espiões, Spielberg consegue entregar um longa completamente diferente da maioria das produções que fez até hoje. Essa humor irônico e cínico que o filme traz consigo mostra que o diretor está no início de uma nova fase em sua carreira, bastante promissora. Finalmente começamos a testemunhar a reinvenção do “jeito Spielberg” de fazer filmes.

Nota: 8,5/10