Por Amauri Eugênio Jr.

O Borboletário Catavento, aberto ao público em meados de julho no Catavento Cultural e Educacional, consiste em uma cúpula geodésica que mede 10 metros de altura por 13 metros de diâmetro. “Chegamos a essa forma para abrigar o Borboletário, que foi feito com aço galvanizado e tem telas independentes, que permitem a passagem de ar para o micro ambiente e podem ser trocadas separadamente. [A geodésica] dialoga também com a estrutura do prédio do Catavento”, conta Ricardo Pisanelli, arquiteto do Catavento Cultural.

O espaço, que contém aproximadamente 20 tipos de plantas, é coabitado pelas espécies olho-de-coruja (Caligo Illioneus) e júlia (Dryas iulia), tanto como pupas – casulos – como na fase alada no primeiro momento do Borboletário. Vale destacar uma particularidade no convívio entre os dois tipos: apesar de ambas não competirem pelo mesmo ambiente e viverem de modo harmônico, têm particularidades alimentares nas duas fases. Enquanto a oviposição – depósito de ovos – da olho-de-coruja acontece em folhas de bananeira, das quais a larva se alimenta, a tipo júlia o faz em folhas de maracujá. “Na fase adulta, a júlia se alimenta de nectar de flores de vários tipos. A Caligo vai se alimentar de frutas em decomposição na fase adulta. São duas fases distintas que não estão no mesmo nicho [alimentar]”, explica Maurício Sabatino, biólogo do Borboletário Catavento.

A matriz

As primeiras borboletas vieram do Parque Mangal das Garças, em Belém (PA). Mas as demais virão do Borboletário Laerte Brittes, em Diadema (SP), com o qual há parceria. Ainda, alguns ovos depositados no Borboletário Catavento são coletados e enviados para Diadema. Para o futuro, a equipe do Catavento planeja ter quatro espécies de borboletas, incluindo a olho-de-coruja e a júlia.

O Borboletário Catavento está localizado dentro do Catavento Cultural, integrante da rede de museus da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. O projeto foi viabilizado por meio de parceria com a Bayer, que realiza diversas ações dentro do próprio museu, e tem caráter pedagógico, possibilitando o público entender a importância das borboletas na polinização, cadeia alimentar, preservação dos espaços e traçar uma relação entre a ação do homem no ambiente com a importância

Na natureza (quase) selvagem

As visitas monitoradas têm lotação de 20 pessoas e duração de 15 minutos. Recomenda-se aos visitantes que não façam ações como correr, fumar, comer ou encostar nos animais – para preservação, pois são seres frágeis. Pessoas que tenham medo de insetos são orientadas a não entrar no ambiente. E o exemplo vem de cima: “Nós [da equipe] solicitamos aos monitores para não manusearem as borboletas”, ressalta Nathália Silvério, bióloga do Borboletário Catavento.
O espaço não funciona às segundas-feiras, pois o Catavento Cultural está fechado, e às sextas-feiras, que é o dia de descanso das borboletas, para minimizar a influência humana ao máximo nos hábitos delas.

Borboletário Catavento

(Catavento Cultural)
Avenida Mercúrio, s/nº, Parque Dom Pedro II, Brás, São Paulo. Informações: 3315-0051.
Funciona de terça a quinta, sábado e domingo, das 9h às 17h. Ingressos: R$ 6; meia entrada para idosos, estudantes e crianças de 4 a 12 anos e portadores de deficiências; (a bilheteria fecha às 16h).
Aos sábados, entrada gratuita.
www.cataventocultural.org.br