Por um pouco mais de vida…

Oi, tem alguém aí?

ou

Será que a vida é um carteado hierarquizado por apenas quatro naipes?

Li essa semana um punhado de coisa estranha. A cabeça chega a parecer garganta de professor em fim de semestre. A zonzeira termina e a gente percebe que de tudo que leu, não consegue saber de nada com propriedade. Foi assim: tomei tanto tapa do mundo que por uns instantes preferi me considerar letárgico a sair considerando qualquer coisa e cuspir as mesmas fórmulas já vistas no mundo.

FÓRMULAS CANSAM, NÃO ACHA?

No Canadá, se questionaram: quem decide como devemos morrer? Lá as pessoas já estão pensando em resolver a morte e seus problemas, enquanto aqui, ainda continuamos nos questionando sobre como melhorar nossas vidas. Não que o mundo na ala Norte seja as mil maravilhas, vide os tais 13 lados que justificam 13 verdades do suicídio de uma adolescente, nas telinhas do Netflix.

SIM, ADERI AO HYPE E ESTOU ENCANTADO COM ESSA SÉRIE.

A morte é um tabu e todo mundo tem medo do sofrimento que ela desencadeia: do mais malandro ao mais certinho. Só que o cientista canadense tem grande interesse por aqueles cuja vida já expirou e enxergam nos estranhos sofrimentos do porvir opção melhor do que persistir entre nós. Pessoas que tem o autoentendimento de que cá estão por teimosia orgânica. Gente que por motivos mil se sentem numa espécie de jaula, que não usufruem a vazão que o mundo lhes proporciona, como se corressem em um cenário 2D do Super Mario World.

E JÁ SE CANSOU DE TODAS AS FASES DO JOGO.

Daí fiquei pensando: nobre talvez seja aquele que sabe dar um bom fim às coisas. Eu não sei. Eu nunca considerarei a alternativa do sujeito agir contra sua vida. Eu sei que isso dá um slogan bonito para novelas globais: A favor da vida. Viver a vida. O amor da vida. É que penso, enquanto lingüista, professor e um sujeito que arranha na literatura, que a vida seja uma experiência surpreendente. Viver é incrível, mesmo que eu passe a maior parte dela desafiando todos os desafinos que ela tem a me ofertar.

E nesses dias me falaram sobre o tal grupo fechado de adolescentes na Rússia que propõem um conjunto de desafios, cujo vencedor tira a própria vida no final. Jogo sem prêmio? Então fiquei pensando que talvez ainda não tenhamos a capacidade de olhar as complexidades que dizem respeito ao sujeito. O homem-coisa é muito cruel para aquele que não encontra naipe no baralho.

Então percebo que coachs gostam de falar sobre comportamento humano citando Augusto Cury. Na minha humilde opinião de merda, o grande mal do mundo burguês é a fome de justificar a própria existência morna, sem sal. Deus invadiu a Academia, o divã parece que virou o mundo inteiro e a perspectiva do burguês são as fronteiras delimitadas do seu discurso.

O público do coach me assusta mais que o coach. Gostam de ver reforçados seus próprios medos e suas próprias angústias do mundo. Gostam de descobrir que todos seus demônios abstratos estão compartilhados em um mundo que possivelmente pode não existir.

TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA

Tem gente ganhando rios de dinheiro com o suicídio alheio. Tem gente querendo deliberar sobre si mesmo e não se esforça em olhar o mundo com lentes trocadas. Baralho viciado: quem ganha sempre ganha, quem não ganha, não entende a manha do jogo e do embaralhe. Glória a Deus! Que voltemos ao humanismo de Gil Vicente. Faça isso, não faça aquilo e, seguindo meu script, você perde o jogo igual a mim.

Por fim, nada a temer.