Prefeito dá início a obras para melhorar abastecimento de água no Centro e Pimentas

Prefeito Guti opera retroescavadeira em ato simbólico de início de obras na Estação Gopoúva - Foto: Alexandre de Paulo

O “fim do rodízio de água em Guarulhos”, prometido pelo prefeito Guti na assinatura do contrato de prestação de serviço de saneamento, firmado entre o município e a Sabesp, no dia 12 de dezembro, foi confirmado para dezembro de 2019. Segundo o prefeito, nessa primeira fase o foco é minimizar o problema de abastecimento na região Centro e nos Pimentas, que englobam cerca de 300 mil pessoas.

Na manhã desta quinta-feira, 20, a Sabesp e a Prefeitura de Guarulhos entregaram a “primeira fase das obras”, as quais pretendem acabar com o rodízio de água na cidade. Segundo a companhia, que está assumindo a gestão da água em substituição ao Saae, as obras compreendem “novas adutoras, tubulações e interligações, que farão com que mais água chegue ao Centro e à região dos Pimentas, melhorando o abastecimento para cerca de 300 mil pessoas”. Oficialmente a Sabesp começa a operação em Guarulhos a partir do dia 1º de janeiro de 2019.

A presidente da Sabesp, Karla Bertocco, o prefeito Guti, vereadores e diretores, tanto do Saae quanto da Sabesp, se reuniram hoje pela manhã no reservatório de Gopoúva (Região Centro).

Eduardo Soltur (PSB), presidente da Câmara Municipal de Guarulhos – Foto: Alexandre de Paulo

O presidente da Câmara, Eduardo Soltur (PSB), criticou a falta d’água na cidade e disse tem sido cobrado pelos munícipes. “Não entendemos muito das questões técnicas, mas somos cobrados pela população e temos que dar uma resposta. Está faltando água em muitos bairros da cidade”, argumentou.

Guti, prefeito de Guarulhos – Foto: Alexandre de Paulo

O Prefeito Guti disse que é legítimo que os vereadores deem explicações à população, pois eles são representantes do povo. “Eu devolvo a palavra (à Sabesp) para saber onde, especificamente, aumentou o abastecimento, até para que os vereadores tomem nota, pois eles, que são indagados, sobre tudo porque são representantes populares, são obrigados a serem generalistas, tem de saber de tudo. A população não quer saber qual é a formação de um ou de outro vereador, quer saber que está com problema de abastecimento e eles (vereadores) têm de se virar nos trinta para conseguir dar uma satisfação para a população”, respondeu Guti.

Paulo Massato – diretor da Sabesp na Região Metropolitana de São Paulo – Foto: Alexandre de Paulo

O diretor da Sabesp na Região Metropolitana de São Paulo, Paulo Massato, fez uma longa explanação para explicar o problema e apontar soluções. Segundo ele, o calor intenso dos últimos dias tem feito com que as pessoas consumam mais água, e que as obras anunciadas no momento, brevemente irão melhorar o abastecimento em muitos bairros.

Explicação técnica

“Nós já começamos as intervenções nas instalações existentes e trabalhamos na Estação de Tratamento de Água (ETA) Cabuçu, que estava produzindo 240 litros por segundo. Com a intervenção, num curto espaço de tempo, aumentamos a vazão para 300 litros por segundo para a região. No Tanque Grande, que estava com a produção de 79 litros por segundos, conseguimos elevar para 92 litros por segundo. Essas são intervenções com pouco investimento; é muito mais conhecimento operacional aplicado. Nós praticamente construímos uma nova estação de tratamento de água (com capacidade de 80 litros por segundos), em menos de uma semana. O que é suficiente para atender centenas de casas. Também estamos iniciando duas outras obras, que vão sair do Jaçanã e Santana (na Capital), duas adutoras, que já estão com as tubulações compradas e que pretendemos entregar em noventa dias. É uma tecnologia de tubo de engate rápido, com velocidade alta, que vai atender a zona norte de Guarulhos. O aporte de água ali, nas duas linhas, terá 250 litros por segundo a mais. Nessa região, que tinha 240 litros na ETA Cabuçu e mais 79 litros do Tangue Grande, teve o amento de 80 litros e vai, em 90 dias, ter o aporte de mais 250 litros”, explicou.

Auto indagando-se quanto à hipótese de que se toda essa água chegar às torneiras a situação se regulariza, ele mesmo respondeu: “Não. Ainda não há redes suficientes para alcançar os pontos mais altos. Vai chegar água nas áreas mais próximas às novas redes adutoras que serão abastecidas. Paralelo a isso, vamos executar obras nas redes de distribuição para chegar aos pontos mais distantes. Começamos com obras estruturantes, maiores. Aqui (no Gopoúva) já vamos fazer uma intervenção hoje, a partir das 22h. Faremos uma interligação de duas linhas adutoras para aumentar a vasão em mais 100 litros por segundos para atender a região central”, explicou Paulo Massato, diretor da Sabesp na Região Metropolitana de São Paulo.

Ato simbólico

Prefeito Guti opera retroescavadeira no reservatório Gopoúva da Sabesp – Foto: Alexandre de Paulo

No reservatório Gopoúva da Sabesp, o prefeito Guti operou uma retroescavadeira, com o auxílio de um profissional, onde teve início as obras de interligação da adutora, que promete melhorar o abastecimento nas regiões de Gopoúva, Torres Tibagi, Bosque Maia, Paraventi e Vila Augusta, entre outros bairros.

Reclamação

Kitéria Santos Silva, moradora do Parque Santos Dumont, Região do Taboão, fez um post no Facebook reclamando que está sem água há duas semanas. “Não se trabalha mais por falta de roupas limpas, ninguém tem água potável pra beber, temos o ‘privilegio’, nesse calor, de ficar sem banho; há casos de crianças com diarreia, por conta de beber água de poço. O Saae não atende pelo 0800, parece estar desativado. o Fácil abre reclamação, mas ninguém resolve nada. Numa casa aqui na região tem sete crianças e seis adultos com diarreia por não ter água potável pra beber. A propaganda do Saae diz que nosso bairro tem água dia sim e outro não. Faz 18 anos que moramos aqui e isso nunca aconteceu. A água chega de madrugada e somos obrigados a ficar acordados, esperando. Caminhão pipa só atende em caso emergência. Onde estão as autoridades que passam visitando e sorrindo em tempo de eleições? Queremos água, porque isso é nosso direito, pagamos impostos, pagamos água sem usar… Estamos revoltados com tanta falta de atenção, cadê os vereadores, que tem o papel de fiscalizar e não resolvem nada?”, desabafou.

Outra internauta, também nas redes sociais, se indignou. “Moro no Jardim Tranquilidade e não me lembro de ter passado um dia sequer sem água. Mas, de uns tempos para cá, estamos sem água, ou sem força (vazão) para subir nas caixas… Será que alguém poderia nos explicar o porquê? Quando ligamos para o setor responsável no Saae, quando atendem, só dizem: ‘está tudo normal, o problema deve ser interno’. Oh Meu Deus. Hoje, nenhuma gota, nesse calor inacreditável, nem para tomar banho”, escreveu Maria Regina Gonçalves Oliveira.

Obras entregues

A Sabesp aponta que na região dos Pimentas foi entregue uma nova adutora com 600 milímetros de diâmetro, capaz de distribuir mais água para os bairros. “Além disso está em andamento a renovação da casa de bombas, que terá mais potência para mandar essa água até as casas”.

A companhia lista que serão beneficiados os moradores de bairros como Água Chata, Cidade Parque Alvorada, Cidade Parque Brasília, Cidade Tupinambá, Conjunto Marcos Freire, Jardim Albertina, Jardim Alice, Jardim Angélica, Jardim Ansalca, Jardim Arapongas, Jardim Brasil, Jardim Carvalho, Jardim Centenário, Jardim Cumbica, Jardim Ferrão, Jardim Guilhermino, Jardim Joemi, Jardim Katia, Jardim Leblon, Jardim Maria Dirce, Jardim Maria do Carmo, Jardim Maria Helena, Jardim Normandia, Jardim Nova Cidade, Jardim Oliveira, Jardim Otawa, Jardim Pimentas, Jardim Rodolfo, Jardim Santa Helena, Jardim Santa Maria, Jardim Santo Afonso, Jardim Silvestre, Parque das Nações, Parque Industrial Cumbica, Parque Jandaia, Parque Jurema, Parque São Miguel, Pimentas, Sítio São Francisco, Vila Alzira, Vila Izabel, Vila Nova Cumbica, Vila Paraíso e Vila São Gabriel.

No Centro, a obra de interligação de sistemas prevê garantir mais água e melhorar a operação do sistema que abastece regiões como Bosque Maia, Cecap, Gopoúva, Paraventi, Picanço, Torres Tibagy, Vila Augusta e Vila Barros. 

Benefício

A Sabesp afirma ainda que as duas obras entregues são parte dos investimentos que a companhia começou a fazer em toda a cidade a partir da assinatura do contrato, no último dia 12. Outros destaques prometidos são:

Obras já iniciadas de instalação de mais de 8 km de adutoras de 600 a 900 milímetros, ligando Ermelino Matarazzo, em São Paulo, à região de Cumbica e Centenário. “Essas tubulações de grande porte vão criar uma Guarulhos Interligada, garantindo que muito mais água passe a chegar a esses bairros”.

A Sabesp lista outras obras e intervenções previstas:

Implantação de 1 km de rede de distribuição de água ligando o Parque Edu Chaves, na zona norte de São Paulo, à região do Gopoúva, no Centro.

Implantação de uma casa de bombas e de 1 km de rede de distribuição até a avenida Papa João Paulo I, para levar mais água à região de Cumbica Norte, próximo ao aeroporto. Início em janeiro de 2019.

Instalação de adutora que vai interligar o reservatório Gopoúva, no Centro, ao reservatório São João/Lavras. São 4,5 km de tubulações de 500 mm, além de melhorias na estação de bombeamento. Obra começa em janeiro de 2019

Implantação de 2,5 km de rede primária de distribuição de água, de 500 milímetros, interligando o reservatório do Tremembé, zona norte de SP, ao Parque Continental, em Guarulhos. Início em janeiro de 2019;

Por fim, um novo reservatório com capacidade para 6 milhões de litros, que promete resolver o rodízio no Bonsucesso. “A obra já está em fase de contratação e a entrega está prevista para o final de 2019”.

Contrato

O contrato entre a Sabesp e a Prefeitura de Guarulhos foi assinado no dia 12. “Desde então, os empregados da Companhia e do Saae estão trabalhando juntos para melhorar o sistema de abastecimento e atender quase 1,4 milhão de moradores”.

Pelas regras do contrato, a operação do sistema será feita pelo Saae até o final deste ano, com apoio da Sabesp. “É por isso que técnicos das duas empresas estão percorrendo a cidade para executar uma série de trabalhos e para conhecimento do sistema. A partir de 1º de janeiro de 2019, a Sabesp assume a operação, mas todos os empregados do Saae continuarão atuando em conjunto”.