Psicopedagoga recomenda ouvir mais os jovens

Tiroteio ocorreu dentro da Escola Estadual Prof. Raul Brasil, em Suzano (SP) - Foto: Google Street View/Reprodução

Reportagem de Karla Dunder, no portal R7, ouviu Ivone Regina Scatolin Serra, psicopedagoga clínica e institucional e membro da equipe da NeuroConecte, a respeito dos reflexos de casos graves como o que aconteceu em Suzano (SP). Ivone tem familiares em Guarulhos e já morou na cidade.

Segundo ela, crianças e adolescentes estão mais expostos e, por mais que os pais monitorem, as notícias chegam até eles.

“Episódios traumáticos, que geram comoção social também impactam as crianças, nem tudo está sob o nosso controle e se o que ocorreu é difícil para os adultos entenderem, é muito mais complexo para os mais novos, que são mais vulneráveis”, explica.

E como a escola pode lidar com essa situação? Para Ivone é importante que os professores estejam dispostos a ouvir, tirar dúvidas e acolher os alunos. “Quando há questionamentos ou inquietação, a escola precisa estar aberta a mudar sua rotina, abrir espaço para uma roda de conversa e deixar que as crianças apresentem suas questões, que falem o que estão sentindo, que coloquem para fora suas emoções e sentimentos”.

Para o psicólogo Alexandre Bez, as crianças e os adolescentes precisam se sentir cuidados. “Diante de uma situação de stress como esta, mesmo para os estudantes que não estavam na escola atingida, é importante que tenham apoio, se sintam amados, para que possam ter confiança e melhorar a estima”, explica. “Também é muito importante conversar, ouvir e tirar o foco do problema. A escola deve realizar atividades recreativas e os pais darem a acolhida”.

Ivone ressalta que cabe aos pais o papel da escuta. “Não podemos fingir que nada aconteceu: é importante conversar, mostrar que o comportamento não é comum. É a hora de desligar a TV e ouvir os filhos”.

Tanto Bez como Ivone destacam é que importante observar o comportamento dos adolescentes. Mudanças merecem atenção. “Uma pessoa mais recolhida ou isolada ou nervosa precisa de cuidado e até mesmo de ajuda. Precisamos falar sobre a saúde mental e sobre educação emocional com nossos filhos”, diz Ivone.