Quantas lembranças no “escurinho dos cinemas”…

Fachada do Cine Star, prédio que atualmente abriga a Câmara Municipal de Guarulhos - Foto: Arquivo Histórico

A principal diversão da maioria dos jovens guarulhenses em meados das décadas de 1950/60 era frequentar as sessões “no escurinho” dos cinemas. Havia boas salas em Guarulhos como, por exemplo, o Cine República, na rua D. Pedro II, no Centro; o Cine Santo Antônio, na avenida Guarulhos, na Vila Augusta; o Cine Jade, na rua Eugênia Machado da Silva, na Vila Galvão; o Cine São Francisco, na praça Tereza Cristina, também na Região Centro. Na década de 1970, foi inaugurado o emblemático Cine Star, localizado onde hoje fica o Plenário da Câmara Municipal de Guarulhos, na rua João Gonçalves.

Cine São Francisco, década de 1970 – Foto: Massami Khishi

1ª experiência

Em 1978, com apenas sete anos de idade, vivi a minha primeira experiência no cinema. Acompanhado da minha mãe, Izabel, e do meu irmão mais velho, Silas, fui ao Cine Star, assistir ao inesquecível ‘Superman: O Filme’. Lembro-me da grandeza da tela e do quanto projetei a minha imaginação naquela fantástica história. Por anos a fio o ator Christopher Reeve me serviu de inspiração e referência. Por ironia do destino, tal qual o personagem principal da trama, me tornei jornalista.

Segundo o professor e historiador Silvio Ribeiro, membro efetivo da Academia Guarulhense de Letras, havia um quinto cinema, localizado no interior do Sanatório Padre Bento, no Gopoúva. “Lá eram tratados os doentes do ‘Mal de Hansen’’ porém só era permitido acesso dos internos. A partir do início dos anos 1960, com a erradicação da referida doença, o Sanatório foi quase totalmente desativado, tendo as dependências do cinema sido liberadas para todos”, contou.

No local funciona atualmente o Teatro Padre Bento, que após longos anos em estado de abandono, foi recuperado e está em uso pela população guarulhense, embora com algumas limitações.

Cine República, na rua Dom Pedro II, em 1968 – Foto: autor desconhecido

“Atualmente todos os cinemas citados não existem mais, somente restando a saudade dos que se beneficiaram de suas sessões, dos grandes filmes, de aventuras, faroeste, seriados e outros que traziam muita satisfação para todos”, lembrou o historiador.

O prédio do cinema da Base Aérea de SP, em Cumbica, ainda existe, mas está desativado. Dos antigos, apenas o Cine Flórida segue em atividade, no Centro.

Na década de 1990, Guarulhos passou a contar com modernas salas de cinema. O pioneiro foi o Poli Shopping; depois, já próximo da virada do século XX, veio o Internacional Shopping, com várias salas; depois o Bonsucesso, o Pátio Guarulhos e, o mais recente, Parque Maia, que têm em suas instalações cinemas com tecnologia de ponta. “Contudo, apesar de todas essas benesses, sinto falta do carinho, do amor e principalmente do respeito que se apresentava a todos, nos tempos dos anos 50”, finaliza Ribeiro.