Quem dança, seus males espanta!

Por Bárbara Cunha

Que a prática de atividades físicas ajuda a manter um corpo saudável e repleto de energia todo o mundo já sabe. O que algumas pessoas não sabem é que certas atividades, como as diferentes modalidades que a dança oferece, também podem trazer diversos benefícios para a mente, cooperando com mudanças no bem-estar pessoal.
Há pessoas que sofrem de timidez, outras de depressão, e algumas andam com a autoestima completamente baixa. Mas então, por que não reverter essa fase ruim com uma atividade divertida, que atrai boas energias para a mente e ainda conta com diversas opções que se adaptam ao gosto pessoal de cada um?
Uma pesquisa feita pelo The New England Journal of Medicine constatou que a dança de salão pode combater o Alzheimer. O estudo revela que o improviso na hora da dança com o parceiro obriga o cérebro a responder com processos criativos, mostrando que a dança pode trabalhar a mente de uma maneira bem saudável.
Para que o efeito seja positivo, é importante escolher a modalidade que mais lhe agrada; isso porque a dedicação será maior, o que torna a atividade completamente prazerosa. Jazz, balé, dança do ventre, street dance, dança contemporânea, dança de salão, sertanejo, tanto faz. Ao menos uma dessas modalidades com certeza deve estar de acordo com o gosto de cada um.
Cristiane Cavallari, diretora geral do Studio Ballonné, bailarina e pedagoga, conta que muitas pessoas procuram aulas de dança por indicação terapêutica para facilitar a sociabilidade, controlar a ansiedade e o estresse, superar a timidez e até mesmo em busca da valorização pessoal. “Desde a primeira aula é exigido do aluno a capacidade de concentração, esforço e disciplina. Um objetivo é colocado pelo professor para que no fim ele possa ser alcançado, assim como com qualquer outro objetivo pessoal ou profissional.”
Aquele momento reservado para as aulas é o que liberta a pessoa de qualquer problema do trabalho ou da própria mente. Qualquer pensamento, principalmente o negativo, é substituído pela concentração exigida na aula. Contagem, postura e atenção no movimento tornam-se as preocupações mais importantes, tornando a rotina menos agitada.
A autoconfiança é ensinada sutilmente por meio de cada passo. “O aluno aprende que somente através da persistência é que ele será capaz de vencer os desafios e obstáculos que surgem durante as aulas, assim como acontece com os desafios diários que enfrentamos na vida”, explica Cristiane.
A timidez também é um dos grandes motivos que levam as pessoas às aulas de dança. Compartilhar um momento de aprendizado com pessoas novas, que têm o mesmo grau de dificuldade que você, é um dos fatores que mais estimulam essa busca. A professora conta que conforme os alunos se familiarizam, passam a respeitar e, principalmente, a incentivar uns aos outros.
“Uma vez, uma aluna nos procurou interessada em aula particular, pois era muito tímida. Foi pedido também que as aulas fossem feitas com as portas fechadas, com a presença somente da professora e que na sala tivesse o menor acesso possível entre as pessoas. Ela se matricularia somente nessa condição. Convidei-a para fazer uma aula, que por coincidência também seria a primeira vez para todas as outras alunas. Expliquei a situação e a deixei à vontade para optar por participar ou não. Hoje ela faz aula com a sala cheia, se posiciona sempre na frente e muitas vezes é usada como exemplo, para mostrar a sequência dos exercícios sem nenhuma intimidação.”, conta Cristiane.

Sem preconceito

E os homens não estão de fora dessa lista imensa de benefícios, não. Está muito enganado quem pensa que esse tipo de atividade serve apenas para mulheres. O problema está no grande preconceito que há entre eles mesmos. “Todas as danças também são indicadas para os homens, desde a de salão até o balé. Apesar do preconceito, costumamos dizer que o balé é para ‘macho’. A prática estimula não somente a suavidade, mas também a persistência, força muscular e resistência mental”, sugere Cristiane.

“Com a dança, percebo que…

…tornei-me muito mais criativa para resolver alguns problemas. Por exemplo, às vezes eu erro no meio da coreografia ou esqueço uma parte do meu figurino em casa e preciso arranjar uma maneira para ajeitar a situação. Adquiri essa maneira rápida para solucionar os problemas com a dança. Lido com pessoas e culturas completamente diferentes da minha nas aulas. E eu levo isso comigo para a minha vida. Aprendi a aceitar essas diferenças com muita naturalidade. Também fiquei mais concentrada, quando estou dançando, sou obrigada a focar só na dança e isso me ajuda muito. Com o passar do tempo, me percebi uma pessoa menos distraída. E o fato de estar no palco me apresentando para outras pessoas me fez quebrar a barreira da timidez. Não tenho mais problemas em apresentar trabalhos e nem de participar de reuniões. Aprendi a trabalhar em equipe; afinal, você nunca dança sozinho. Você precisa do professor para ensinar e da equipe por inteiro para que o resultado seja perfeito.
Melhorei muito a minha disciplina. Aprendi a respeitar meus professores, superiores e meus colegas. A importância de tratar todo mundo bem.”
Larissa Almeida, 21, estudante de jornalismo.