Reciclagem de óleo em Guarulhos une aspectos sociais, econômicos e ecológicos

A planta Biodiesel do Projeto Bioplanet foi inaugurada na manhã de sexta-feira, 27, no bairro da Água Chata, em Guarulhos, pelo prefeito Guti; Carlos Melo, coordenador de Responsabilidade Social da GRU Airport; Márcia Werge, diretora da empresa Biotechnos; Manuel Dias Saraiva, presidente da Coop-Reciclável – Cooperativa de Catadores da Área de Materiais Recicláveis e Aarão Ruben de Oliveira, presidente da Agende – Agência de Desenvolvimento e Inovação de Guarulhos.

Presentes ao evento os secretários de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Barros; do Meio Ambiente, Abdo Mazloum; e de Serviços Públicos, Americano, além da diretora de Assuntos Aeroportuários, Marcela de Castro Vaz Augusto.

O Projeto Bioplanet foi selecionado no I Edital de Seleção de Projetos Socioambientais do GRU Airport (concessionária do Aeroporto de Guarulhos) e Instituto Invepar. A Prefeitura cedeu o terreno, na gestão anterior, e, enquanto não era viabilizada a construção, a Biotechnos fez parte da Incubadora Guarulhos, mantida pela Agende. Aarão Ruben relata que vários obstáculos burocráticos tiveram de ser superados em cada fase e a entidade acompanhou passo a passo o projeto, até ser viabilizado pela atual gestão municipal.

A GRU Airport investiu R$ 1,3 milhão na construção do galpão de 15 m x 10 m, com pé direito mínimo de 5,5 metros. A instalação permite a produção de biodiesel e sabão ecológico a partir de óleos e gorduras residuais, como por exemplo óleo de cozinha utilizado em restaurantes e residências, e será a primeira no Estado de São Paulo a realizar esse processo de transformação sem utilizar água. Uma van para coleta de óleo também foi doada ao projeto pela GRU.

O investimento da GRU Airport teve como objetivo apoiar inciativas nas comunidades vizinhas ao aeroporto em situação de vulnerabilidade social, com foco no desenvolvimento socioambiental e econômico. A Coop-Reciclável é formada por cerca de 60 cooperados, dos quais 80% são mulheres, incluindo haitianas refugiadas que hoje vivem em Guarulhos. “Faz dois anos que vim para o Brasil e estou há um ano na cooperativa. Vejo essa instalação como algo muito bom, porque aqui podemos trabalhar para pagar o aluguel e cuidar de nossa família”, contou a haitiana Marqueza, que mora com a irmã no município.

Outro objetivo do programa é a mitigação de impactos ambientais causados pela destinação inadequada dos óleos e gorduras residuais, os OGRs, nas redes de esgoto, solos, atmosfera, rios, lagos e outros recursos hídricos. Com a constituição do Arranjo Produtivo Local – APL, Guarulhos contará com um equipamento inovador que fará o processamento sustentável dos OGRs, permitindo que 100% dos óleos usados sejam aproveitados para a geração de biodiesel.

A tecnologia inovadora utilizada na planta, que irá permitir a produção de mil litros de biodiesel por dia em uma jornada de trabalho de 8 horas, foi desenvolvida pela Biotechnos em parceria com um instituto alemão em 2008, segundo a diretora da empresa, Márcia Werge. “Procuramos realizar projetos não só ambientais, mas também de inclusão social Quando houve a oportunidade deste edital aberto pela GRU, inscrevemos o projeto”, completou Werge. Ela informou que um litro de óleo de cozinha contamina 25 mil litros de água dos rios e córregos. A capacidade de produção da unidade é de 22 mil litros de óleo por mês, ajudando, portanto, a melhorar a qualidade de 550 milhões de litros de água.

A empresa Gtex, fabricante dos produtos Urca, UFE, Rio e outras marcas, sediada em Bonsucesso, irá adquirir a matéria-prima para produção de sabão em pasta e em pedra.

“Tenho certeza que o dia de hoje deixará um legado de transformação para o nosso município. Cada um fez um pouco para que chegássemos neste marco. As pessoas ganham com a possibilidade de conseguirem uma renda maior, o meio ambiente ganha e a cidade também é beneficiada”, afirmou o prefeito Guti. Ele destacou que os 17 Pontos de Entrega Voluntária (Pevs) da cidade estarão disponíveis para a coleta do óleo não utilizado. Ao todo, serão 300 pontos de coleta.

“A grande vitória do projeto foi trazer a sociedade civil para perto. Quero parabenizar os cooperados que hoje começam uma nova história, não só pelo trabalho que será realizado, mas também pelo que essa planta representa para o desenvolvimento sustentável da nossa cidade”. disse o secretário de Desenvolvimento Científico, Econômico, Tecnológico e de Inovação, Rodrigo Barros.