Por Cris Marques
Fotos Arquivo pessoal e banco de imagens

Com o aumento alarmante dos casos de dengue no Brasil, além de outras doenças também causadas pelo mosquito Aedes aegypti, como a chikungunya e o zika vírus, que pode ter ligação direta com o surto de microcefalia no País, o Ministério da Saúde tem recomendado o uso de repelentes de insetos como uma forma importante de proteção. Porém, muita gente ainda tem dúvidas na hora da comprar e, principalmente, usar sua forma tópica – aquela aplicada diretamente na pele. Camila Kallaur (foto), dermatologista, do AME (Ambulatório Médico de Especialidades), de São José dos Campos, explica que para escolher o produto mais indicado é preciso entender como funcionam os três princípios ativos disponíveis hoje no mercado, já que cada um funciona de uma forma diferente. “O repelente é uma substância química que, colocada em uma loção, pode ser aplicada no corpo porque é pouco tóxica para o ser humano, mas altamente irritativa para os insetos. Os que contêm IR3535 têm uma ação de, no máximo, quatro horas e têm que ser reaplicados pelo menos uma ou duas vezes ao dia, dependendo da idade do usuário. Já a Icaridina, usada em uma concentração de 10 a 25%, tem uma duração maior, de até 10 horas. E tem o DEET, com uma porcentagem de 6 a 9% e duração de quatro a seis horas”.

 

Como usar

Para as crianças a partir de 6 meses, são indicados somente os produtos com IR3535 e em apenas uma aplicação ao dia. De 2 a 7 anos, os pequenos podem usar qualquer um dos três compostos, mas o ideal é que sejam feitas, no máximo, duas reaplicações. Crianças maiores de 7 anos, adultos, gestantes e idosos também podem usar qualquer um dos três princípios ativos e podem reaplicar até três vezes ao dia. “No caso das mulheres, em especial, tanto para a Sociedade Brasileira de Dermatologia, quanto para a Sociedade Brasileira de Ginecologia, a orientação é, quando possível, deixar a gravidez pra depois desta época de Verão e, para as que já estão grávidas, além das outras formas de proteção, evitar regiões com muitos insetos, como praias e campo”.

Ainda segundo a profissional, o correto na aplicação é utilizar o produto por último. “Você vai passar seu hidratante ou protetor solar, vai se vestir e só depois de um intervalo de cinco a dez minutos, e apenas nos locais que não estiverem cobertos, aplicar o repelente. […] Os adultos podem passar até no rosto, sempre evitando a área dos olhos, boca e nariz; já nas crianças pequenas, não se deve passar nem na face e nem nas mãos para evitar contato com as mucosas”. Ah, e ela ainda alerta que ele não é indicado na hora de dormir. “O ideal é retirar a substância no banho e, para se proteger durante a noite, lançar mão de telas nas janelas, mosquiteiro e ventilador ou ar-condicionado”.

 

Proteção por completo

Além do repelente, outras medidas são importantes para a prevenção, como usar roupas compridas, mais largas e com cores claras, evitar perfumes, inclusive hidratantes com cheiro, não ficar em ambientes abertos no amanhecer ou entardecer, horários em que os mosquitos estão mais ativos, e, dentro de casa, usar inseticidas elétricos. “É importante ressaltar que não adianta apenas proteção, se os ambientes de proliferação do mosquito continuam existindo. Então tem que lembrar que os cuidados começam por aí”, finaliza.

 

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