“Muitos livros afirmam ser assustadores, mas este é realmente aterrorizante, do tipo não-leia-tarde-da-noite. Emocionante, convincente e muito bem escrito, O Demonologista faz o Bebê de Rosemary parecer um passeio no parque.” – S.J.Watson, autor de Antes de Dormir.

Quando comecei esse livro tive medo, confesso. É esquisito perceber que crendo ou não no Diabo, histórias sobre ele causam calafrios. A narrativa também não ajuda a ter uma sensação melhor. Muito bem escrito, “O Demonologista” começa com proposta incrível e fantasmagórica: terror e suspense que farão até os céticos duvidarem da existência do Inominável. Mas só começa…

 

O cara que entende do ‘capiroto’ é David Ullman, professor do departamento de Inglês da Universidade de Columbia, especialista em mitologia e narrativa religiosa judaico-cristã, além de um estudioso nato da clássica obra literária de John Milton, Paraíso Perdido. Ullman entende do assunto e sabe das histórias que permeiam a humanidade com essa figura que põe medo em muita gente. Mesmo assim, para o demonologista (nome dado a quem estuda a figura do capeta, não necessariamente um exorcista), o Diabo é um mero conto para espantar criancinhas desobedientes.

Tudo muda numa viagem até Veneza, feita pela misteriosa Mulher Magra. Ullman usa a proposta para aproveitar e tentar se divertir com a filha Tess – após enfrentar a turbulência emocional de um divórcio – e também por curiosidade ($$) do trabalho extra, detalhe: tudo pago. Porém, Ullman depara-se com aquilo que tentou negar durante toda a sua vida. De quebra, coisas misteriosas acontecem com a garota, restando somente um escape: crer no diabo.


Quando me interessei pelo livro, esperava algo semelhante a Dan Brown, só que escrito em terror psicológico, afinal, foi assim que ele foi encabeçado nas propagandas.

Foi quase isso.

A narrativa é lenta, apesar da escrita simples e de frases curtas. Em certos momentos torna-se maçante, mas sempre acontece algo que faz voltar para a história e querer saber o fim – apesar de ser um tanto previsível e ficar algumas pontas soltas. A narrativa em primeira é justamente para dar a sensação de desespero, terror, frustação, medo e etc. (tudo isso em um plano de fundo sobrenatural) no leitor; de certa forma Andrew Pyper conseguiu fazer isso em mim, mas só no início. O decorrer da história ficou chato, muito, mas muito chato!

Os personagens não são muitos, dos já citados destaca-se a esposa, o amante e sua amiga Elaine O’Brien – a última tem mais destaque, pois acompanha Ullman em toda a trama, além dele nutrir um pequeno – sexual – afeto.

O grande destaque fica para a fantástica edição da Darkside – como sempre. É necessário exaltar a qualidade do livro. Tê-lo na estante é irado. Em capa dura e com aparência (somente aparência) de velho, os tons vermelhos do livro evidenciam o tema (sem falar nas ilustrações, essas sim dão medo). E, ah! Se você tiver uma tia religiosa, não a deixe vê-lo. O livro será tachado como o do demônio. A proposta é boa, a história… interessante; mas só a edição é suficiente para este título ser mais do que merecedor da cabeceira da sua cama.

Curiosidades:

O livro ganhou o Prêmio de Melhor Romance do International Thriller Writers Award (2014), concorrendo com autores como Stephen King. Entrou em diversas listas de melhores livros de 2013, foi finalista do Shirley Jackson Award (2013) e do Sunburst Award (2014), chegou ao topo da lista dos mais vendidos do jornal canadense Globe and Mail e foi publicado em mais de uma dezena de países.