por Luiz Humberto Monteiro Pereira

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Em um ano, o maior evento do planeta estará acontecendo no Rio de Janeiro. De 5 a 21 de agosto de 2016, mais de 10.500 atletas de 206 países disputarão para ver quem são os melhores do mundo em 42 modalidades esportivas. Um acontecimento que será assistido por 4 bilhões de espectadores em todo o mundo. Por aqui, a realização das Olimpíadas de 2016 agrada à maioria – segundo pesquisas, 70% dos brasileiros são favoráveis. Mas há quem acredite que o país não deveria organizar agora um evento de tamanha magnitude. Faltando menos de 12 meses para o início das competições, tanto otimistas quanto pessimistas apontam razões concretas para justificar suas expectativas.

Além da polêmica, os Jogos de 2016 já deixaram outros legados. Desde o dia 2 de outubro de 2009, quando o Comitê Olímpico Internacional anunciou que a candidatura brasileira era a vitoriosa, o Rio sofreu importantes transformações. A capacidade hoteleira praticamente dobrou e foram realizados grandes investimentos na área de mobilidade, com a criação de linhas expressas de ônibus – BRT. Para o segundo trimestre de 2016 estão previstas a inauguração do VLT – veículo leve sobre trilhos – , que circulará na região central, e da duplicação do Elevado do Joá. A abertura da linha 4 do metrô, que liga Ipanema à Barra da Tijuca, está agendada para 1º de julho de 2016. “Há seis anos, apenas 18% da população carioca usava transporte público de massa. Em 2017, serão 63%. Isso é o grande legado”, afirmou o prefeito carioca Eduardo Paes, durante o evento comemorativo do início da contagem regressiva de 365 dias para os Jogos do Rio.

Em termos de urbanização, a Zona Portuária carioca foi a mais impactada. A demolição do elevado da Perimetral permitiu o resgate de prédios históricos antes oprimidos sob a enorme via expressa. Bairros como Engenho de Dentro e Madureira também foram revitalizados. Quanto às novas instalações olímpicas, concentradas na Barra da Tijuca e em Deodoro, boa parte ainda está em construção, o que dá às regiões o aspecto de poeirentos canteiros de obras. Na Barra, as Arenas Cariocas 1, 2 e 3 estão 90% prontas e em fase de acabamento. O Estádio Aquático tem 81% das obras concluídas e o Centro de Tênis está com 68%. Após os Jogos, esses locais deverão ser utilizados como centros de treinamento para atletas de alto desempenho. Já a Arena do Futuro – que após as Olimpíadas será desmontada e remontada como quatro escolas públicas – está com 74% das obras finalizadas. Em Deodoro, os circuitos de canoagem slalom, montain bike e BMX estão 80% prontos.

As obras são impressionantes, mas muitos acreditam que não se deveria utilizar verbas públicas para a construção de instalações que poderão ficar sem função após as Olimpíadas – ainda não há definição sobre quem bancará a manutenção dessas novas arenas. Outros alegam que os grandes favorecidos serão as empreiteiras que, em troca da realização de obras, ganharam terrenos com forte potencial de valorização. Há também os que imaginam que o atraso na conclusão das obras submeterá o Brasil a um vexame internacional. O Velódromo da Barra, que está com apenas 61% das obras concluídas, é apontado como um ponto problemático. E o Estádio Olímpico do Engenho de Dentro, inaugurado para os Pan-Americanos de 2007, revelou graves falhas estruturais na cobertura e atravessa uma complicada reforma. Na área de transportes, a entrega da linha 4 do metrô, prevista para apenas 35 dias antes da abertura das Olimpíadas, é vista com descrédito. E o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, que atravessa uma extensa obra de ampliação, é considerado outro provável “gargalo”.

Mas as razões dos que desconfiam do sucesso das Olimpíadas do Rio nem sempre são sólidas. Estão nas águas da Baia de Guanabara, onde serão realizadas as provas de vela, e da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde ocorrerão as competições de remo e canoagem de velocidade. Na Baia, a promessa feita ao COI era reduzir em 80% as emissões de esgotos no local. A prefeitura alega que reduziu as emissões em 50% e promete chegar aos 60% até as Olimpíadas. A Federação Internacional de Vela chegou a propor que as competições fossem realizadas em raias fora da Baia, em mar aberto. Já na Lagoa, além dos problemas crônicos com a poluição, há um impasse com relação à autorização para a construção de arquibancadas sobre o espelho d’água.

São pontos de vista divergentes, com fortes argumentos pró e contra o evento. Mas em um ponto todos concordam: em um ano, as Olimpíadas de 2016 acontecerão no Rio de Janeiro. Para o bem ou para o mal.

 

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