Sábado tem o sarau “Poemas, Cordéis e Canções”, na Livraria Nobel do Jardim Maia

Com a participação especial de Sérgio Bahialista, cordelista, poeta e educador que vem de Salvador, Bahia, o Espaço Novo Mundo terá neste sábado, 30, às 15h, o sarau “Poemas, Cordéis e Canções”, com declamações de poemas e cordéis e apresentações musicais. A entrada é gratuita: basta apreciar poesia, música e a arte popular.

Além do cordelista soteropolitano, também participarão cordelistas, escritores e poetas de Guarulhos. Estão previstas as presenças dos cordelistas guarulhenses Mário Cabral e Bosco Maciel, além do poeta César Magalhães Borges, vencedor do I Prêmio Guarulhos de Literatura, em 2017, e do escritor Auriel Filho, que organiza o prêmio literário.

Serviço:

Sarau “Poemas, Cordéis e Canções

  • Sábado, 29/06, das 15 às 17 horas.
  • Espaço Novo Mundo: avenida Salgado Filho, 1453. Jd. Santa Mena, Guarulhos, SP
  • Entrada: gratuita, mas 1 kg de alimento não perecível será bem-vindo para doação a instituição de caridade.
  • Reservas e informações: (11) 9.4081-3533 (whats app)

Sobre Sérgio Bahialista:

Sérgio Ricardo Santos da Silva nasceu na capital paulista, mas,  desde a infância, vive a Bahia,  onde foi criado, crescido e formado. Por isso, adotou o nome artístico Sérgio Bahialista, que une suas duas origens: o berço paulista e a formação e a cultura da Bahia. Educador de crianças, jovens e adultos, é pedagogo, psicopedagogo, mestre em Educação e Contemporaneidade e pesquisador do Programa Descolonização e Educação, no Diretório de Pesquisa CNPq/Uneb. Também músico e cordelista, utiliza a linguagem do cordel e outras manifestações de cultura popular, como o rap nordestino, em seus projetos e ações de Arte-Educação em temas como alfabetização, formação para cidadania, literatura de cordel na educação, arte educação, dentre outros. Ajudou a desenvolver e ainda apoia e participa do coletivo cultural Sarau da Onça, na comunidade Sussuarana, em Salvador, Bahia (Fonte: sergiobahialista.com.br).

A Literatura de Cordel:

Literatura de Cordel é uma forma de poema popular de tradição oral e impressa em folhetos, que nas feiras nordestinas eram (e ainda são) expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis. Daí o nome com que se popularizou: Cordel.

O jornalista, escritor e pesquisador Marcel Verrumo conta, em seu livro “História Bizarra da Literatura Brasileira” (editora Planeta), que no século 19, “contadores de histórias, repentistas e cantores produziam uma arte singular, expondo costumes, crenças e a dureza da vida sertaneja e vendiam suas artes nas feiras, mercados e comunidades rurais. Eram os poetas do cordel”.

Ao contrário do que se possa pensar, no entanto, o cordel não nasceu no Brasil, mas tem origem europeia. Durante a colonização do Nordeste brasileiro, os portugueses difundiram uma forma literária com versos rimados e ritmados, originada no trovadorismo português da idade Média. O povo simples do nordeste gostou do ritmo e das rimas e logo as cantigas lusitanas foram abrasileiradas.

Para Verrumo “a literatura de cordel nasceu com a marca da oralidade. Os versos rimados eram escritos para serem lidos por repentistas ou pelo próprio poeta e contavam histórias da vida cotidiana do nordestino, suas crenças, seus medos. E também falavam de política, traduzindo em versos compreensíveis para o sertanejo como era a vida de quem comandava o brasil. Era uma literatura popular, feita para o povo, sem pretensão erudita, mas com o desejo de fazer arte para a família da terra esquecida, informa-la sobre o mundo e entretê-la com ‘causos’ curiosos”.

No período colonial, os cantadores iam de mercado em mercado para mostrar seus versos e usavam cordões para manter próximas ao corpo as folhas impressas com seus textos. Os que vendiam os folhetos nas feiras, também os prendiam em cordões, como um varal de roupas. Logo, o povo associou os cordões aos folhetos e, depois, aos textos que continham, de modo que os poemas populares passaram a ser chamados de cordéis.

Os cordéis popularizaram-se e, atualmente, não apenas no nordeste, mas por todo o Brasil, em Guarulhos também, vários artistas usam essa linguagem para mostrarem no formato cordel seus escritos sobre vários temas, inclusive pela internet. Diz Verrumo que, assim, “o cordel tradicional dos sertanejos convive com a versão moderna e digital, coexistência que faz essa literatura sobreviver”.

Fonte: História Bizarra da Literatura Brasileira, de Marcel Verrumo (Editora Planeta, 2017). Cap. 31: “Cordel, a literatura que deu voz aos rincões do sertão”, p. 192-197.