Salve-se quem puder: candidatos a deputado e ao Senado abandonam presidenciáveis

Em uma eleição na qual a classe política está muito desacreditada e há polarização nas intenções de voto para a Presidência da República, candidatos a deputado estadual, federal e ao Senado omitem os nomes dos candidatos de suas coligações e chegam a se aliar aos que estão na frente nas pesquisas.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, estado da candidata a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), Ana Amélia, membros do partido dela (PP), não fazem cerimônia ao apoiar Jair Bolsonaro (PSL), abandonando o tucano na beira da estrada.

A situação de Alckmin não é diferente em outros estados, como Minas e Rio, nem mesmo em São Paulo, onde candidatos de sua coligação deixam em branco o espaço destinado à Presidência nos santinhos de campanha. Álvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB) sofrem do mesmo problema na maioria dos lugares. Os que haveriam de ser seus correligionários não querem perder votos dos que apóiam Bolsonaro.

No Nordeste, os medebistas Roseana Sarney e Renan Calheiros, ambos do MDB, apoiam ostensivamente o candidato do PT, Fernando Haddad, em seus respectivos estados, Maranhão e Alagoas. Eles, que são macacos velhos da política, aproveitam a boa aceitação do PT no Nordeste para pegar uma carona. Nada de afinidade ideológica: a lógica é ganhar eleição. Da mesma forma, nada bobo, Haddad não está nem aí com a incômoda companhia: por mais que o povo mais bem informado saiba que esses coronéis do Nordeste são o que há de mais retrógrado que se possa esperar na política, o PT não irá desprezar jamais o voto de quem gosta desse tipo de gente.

Valdir Carleto