Se estivesse Vivo, o Olho completaria hoje 36 anos

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A primeira edição do saudoso jornal “Olho Vivo” circulou em 31 de janeiro de 1981. Se ainda estivesse sendo editado, completaria hoje, portanto, 36 anos.

Tendo iniciado com circulação mensal, passou a quinzenal em 1983 e depois a semanal, bissemanal, voltou a semanal, mais algum tempo outra vez bissemanal e trissemanal.

Apesar do crescimento na periodicidade e na importância do veículo de comunicação para a população, o fundador Valdir Carleto sempre teve dificuldades financeiras para mantê-lo, principalmente pelo fato de fazer questão de guardar distância dos sucessivos governos. Em nenhuma época o jornal dependeu de verbas públicas. Quando haviam, eram de mínima monta.

Em 1999, adquirira sede própria na avenida Antonio Iervolino, entre a vila Moreira e a vila Augusta. Porém, essa aquisição ampliou o endividamento da empresa, tornando-a refém dos juros bancários. Em 2003, Carleto vendeu o imóvel e tornou-se locatário no mesmo endereço. Vendeu também o apartamento em que residia na vila Fátima e que estava prestes a quitar, indo morar de aluguel no Jardim Testai.

Como as duas vendas não foram suficientes para resolver o endividamento, o jornalista passou a procurar sócios que fossem do ramo, pois não desejava aliar-se a quem tivesse apenas interesse financeiro ou político. Na época, o Diário do Grande ABC havia tido uma cisão societária e o jornalista Alexandre Polesi foi apresentado a Carleto pelo então presidente da Acisa – Associação Comercial e Industrial de Santo André, Wilson Ambrósio, que havia sido diretor financeiro daquela grande empresa jornalística do ABC. Depois de produzirem um Guia de Natal em parceria, Polesi tornou-se sócio do Jornal Olho Vivo. Os valores investidos por ele foram todos canalizados para as finanças do próprio jornal.

Com isso, o jornal ganhou estrutura para crescer e, em agosto de 2007, o Olho Vivo foi transformado no Diário de Guarulhos, marca que foi obtida junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) porque o antigo jornal que circulara por décadas na cidade estava há anos sem renovar o registro na autarquia.

Embora respeitando-se profissionalmente, Carleto e Polesi divergiam em questões administrativas, o que levou o fundador a deixar a empresa em 16 de março de 2009, transferindo ao ex-sócio as demais cotas da sociedade.

Valdir e o filho Fábio fundaram a Carleto Editorial, continuando a produzir a Revista Guarulhos (RG), que já vinha sendo editada há cinco anos na antiga empresa. Meses depois, lançaram a primeira e única revista semanal da cidade, a Weekend, indiscutível sucesso editorial.

O Diário de Guarulhos, sob a direção de Polesi, passou por sérias dificuldades financeiras, deixando de circular em dezembro de 2014.

Continuamente, leitores queixam-se da falta que o antigo Olho Vivo faz na cidade. Apesar dos apelos para voltar a editar um veículo que o sucedesse, Carleto afirma não haver viabilidade financeira para tal. No entanto, entende que a existência do portal Click Guarulhos supre de certa forma essa necessidade, até com vantagens, pois tem um alcance muito mais amplo do que o antigo jornal.