Se ficar, o bicho come; se correr…

O Brasil vive um paradoxo monumental na economia.

O governo federal necessita da aprovação do fim da desoneração da folha de pagamento que havia posto em prática para determinados setores empresariais. Teme que a ausência de boa parte dos parlamentares nesta semana, por causa dos festejos juninos no Nordeste, impede a votação da medida, que é flagrantemente injusta e inoportuna, pois, ao aumentar a carga tributária para as empresas, fatalmente provocará alta de preços e, consequentemente, aumento da inflação e redução do consumo pelas famílias.

Por outro lado, reduzir a desoneração é imprescindível para reduzir o déficit fiscal, que atrapalha os investimentos governamentais. Sem os investimentos, setores que dependem muito de grandes obras, como a construção civil, muitos trabalhadores em funções de baixa escolaridade, que estão empregados, podem ser demitidos.

No caso da Previdência, outro paradoxo. O governo Dilma não tem outra saída que não seja retardar a aposentadoria de muitos contribuintes que não veem a hora de dar entrada no pedido. E precisaria, também, manter o achatamento provocado pelo Fator Previdenciário, que o Congresso quer eliminar. Para tentar fazer com que os parlamentares não derrubem seu veto, Dilma enviou um projeto alternativo, que cria uma escala no saco de maldades para com aqueles que estão prestes a completar o período para aposentar-se.

Os congressistas acenam para o eleitorado com discursos e gestos para dar a impressão de que farão de tudo para não prejudicar os trabalhadores. Balela! Eles sabem muito bem que, matematicamente, não existe como sustentar a Previdência, com a crescente expectativa de vida da população. Cada vez mais há menos gente contribuindo, para pagar aposentadorias e pensões de mais brasileiros. A conta não fecha.

Será doloroso. Mas a desoneração das empresas será reduzida e as novas regras da previdência também serão aprovadas. E ainda vamos ter de torcer muito para que a CPMF não volte.

Normalmente, eu concluiria dizendo “tomara que eu esteja errado”. Agora, porém, não sei se devo. As medidas amargas talvez sejam inevitáveis.