Secretaria do meio ambiente divulga nesta quarta-feira lista com 774 espécies de animais silvestres presentes no município

 A Secretaria de Meio Ambiente, por meio do Zoológico Municipal, promove nesta quarta-feira (1º), às 10h, no Zoo (rua dona Glória Pagnoncelli, n° 344 – Jardim Rosa de França) a divulgação do novo Decreto Municipal com a Lista de Espécies da Fauna Silvestre do Município de Guarulhos, em que consta um total de 774 espécies registradas na cidade.
Das 774 espécies, 33 encontram-se ameaçadas de extinção e necessitam de atenção especial em projetos de conservação. Outras 11 apresentam dados insuficientes e 31 figuram como “quase ameaçadas”. Do total de espécies registradas no município, 146 foram classificadas como endêmicas, que ocorre somente em uma determinada área ou região geográfica, nesse caso – a Mata Atlântica, e dependem exclusivamente da diversidade de habitats providos por este Bioma. Além disso, são reconhecidas populações estabelecidas de 24 espécies exóticas e sete nativas introduzidas. “O monitoramento dessas populações é essencial para avaliar o impacto direto e indireto sobre a biodiversidade local, dentre outros possíveis impactos ecológicos e econômicos causados por elas”, esclarece o biólogo Marcos Melo.
A lista atualizada conta com a inclusão de aproximadamente 143 espécies de animais, sendo 84 invertebrados e 59 vertebrados. Dentre os invertebrados adicionados, encontram-se 20 espécies representadas por moluscos, duas de crustáceos, 31 de aracnídeos e outros 31 de insetos. O grupo dos vertebrados possui nove espécies de peixes, 13 de anfíbios e répteis, 30 de aves e sete de mamíferos.

Espécies ameaçadas
A lista atualizada mostra espécies ameaçadas de extinção e que necessitam de atenção especial, como o caso do Sagui-da-serra-escuro, cujo nome científico é Callithrix aurita. Uma espécie de primata, que pesa cerca de 450 gramas e tem pelagem que varia de tons pardos ao negro, além de uma máscara facial branca característica e tufos intra-articulares. Sua alimentação é basicamente composta por frutas, fungos, insetos, pequenos vertebrados e goma das árvores.
Essa espécie apresenta distribuição restrita ao Bioma Mata Atlântica, principalmente, em florestas de altitudes do sul e sudeste do Brasil. A destruição do habitat e introdução de animais como o sagui-de-tufo-preto e o sagui-de-tufo-branco são as principais ameaças à conservação dessa espécie. Em Guarulhos, ela é encontrada nos Parques Estaduais da Cantareira (Núcleo Cabuçu) e Itaberaba, e fragmentos de florestas situados nas zonas de amortecimento, ou seja, em área ao redor das unidades de conservação. A proteção desses fragmentos de Mata Atlântica é de alta prioridade para a conservação dessa espécie na natureza. Além disso, o Zoológico Municipal de Guarulhos tem sido uma das poucas instituições que vem obtendo sucesso na reprodução deste primata, gerando novas informações sobre a sua biologia e contribuindo com a conservação da espécie.
Outra espécie ameaçada é a araponga, cujo nome científico é Procnias nudicollis. Uma ave frugívora de aproximadamente 27 cm de comprimento, que depende exclusivamente de florestas bem preservadas da Mata Atlântica. O alto consumo de frutos faz da araponga uma eficiente dispersora de sementes, contribuindo para a manutenção da diversidade de árvores deste Bioma. A espécie está classificada como ameaçada no Estado de São Paulo e vulnerável na lista vermelha global. A perda e fragmentação das florestas têm sido as principais ameaças a esta espécie, seguida por captura ilegal para o tráfico de animais silvestres. A araponga possui um canto alto e metálico, lembrando o bater do martelo do ferreiro em uma bigorna, justificando “ferreiro” como seu outro nome popular.
No município de Guarulhos, essa ave pode ser encontrada nos Parques Estaduais da Cantareira (Núcleo Cabuçu) e Itaberaba, bem como nos fragmentos de florestas adjacentes. Devido ao deslocamento altitudinal da espécie, a araponga já foi observada distante dos grandes blocos de mata da região, como na mata do Zoológico de Guarulhos e do Bosque Maia. A espécie utiliza os fragmentos de florestas dos parques urbanos como área de descanso e alimentação, seguindo viagem para áreas mais florestadas situadas no entorno da região metropolitana de São Paulo. Assim, a diversidade de árvores frutíferas dos parques auxilia os longos deslocamentos que a ave realiza.