Sesc Guarulhos recebe o espetáculo Gota D’Água {Preta}

O espetáculo Gota D’Água {Preta}, montagem e projeto do premiado ator, diretor e dramaturgo Jé Oliveira, fundador do Coletivo Negro, terá duas apresentações no Sesc Guarulhos. O público poderá assistir à montagem nos dias 06 (sábado, às 20h), e 07 de julho (domingo, às 19h), no Teatro da Unidade.

Pela primeira vez com um elenco predominantemente negro, – formado pelos atores Aysha Nascimento, Ícaro Rodrigues, Jé Oliveira, Juçara Marçal, Martinha Soares, Marina Esteves, Mateus Sousa, Rodrigo Mercadante e Sérgio Pires – o espetáculo traz para a cena paulistana a realidade negra que perpassa a obra Gota D’Água, escrita por Chico Buarque e Paulo Pontes em 1975.

A montagem tem direção musical de William Guedes, da Cia. do Tijolo, com a música executada ao vivo por DJ Tano, do Záfrica Brasil, nas pick-ups, Fernando Alabê na percussão, Suka Figueiredo no saxofone e Gabriel Longuitano na guitarra, violão, cavaco e voz. O cenário é assinado por Julio Dojczar, da casadalapa, e a luz é um projeto do light designer Camilo Bonfanti. Já o design de som é de Eder Bobb e Felipe Malta, enquanto Eder Lopes assina os figurinos e a assistência de direção.

Concepção – A montagem mostra a versatilidade de Jé Oliveira ao transitar entre o Rap e a MPB, já que, em seu último trabalho, o artista homenageou os Racionais MC’s com a peça-show Farinha com Açúcar que rodou o país por três anos. 

Gota D’Água {Preta} é inspirado na tragédia Medeia, de Eurípedes. A peça traz como personagem principal Joana, mulher madura, sofrida, moradora de um conjunto habitacional. Jasão, seu ex-marido, é um jovem vigoroso, sambista que desponta para o sucesso com a composição da canção que dá nome à montagem. Agora ele é noivo de Alma, filha de Creonte, corruptor por excelência e o detentor do poder econômico e das casas, a Vila do Meio-dia, local onde antes morou com Joana e os filhos.

“Se em Medeia havia reis e feiticeiros, na tragédia brasileira Gota D’Água Preta temos pobres e macumbeiros, além de um coro negro, em alusão ao grego”, explica Jé Oliveira.

Protagonistas Negros – De modo inédito na história do teatro brasileiro, Joana, interpretada pela cantora e atriz Juçara Marçal (Metá Metá), e Jasão, vivido por Jé Oliveira, são negros. A escolha política-estética do diretor traz a força da musicalidade ancestral e a influência das religiões de matriz africana.

“É como se estivéssemos realizando a coerência que a peça sempre pediu e até hoje não foi realizada”, destaca Jé Oliveira. “A personagem é pobre e é da Umbanda. Tudo leva a crer, pelo contexto histórico, social e racial do país, que essa personagem é preta. Estamos realizando o que a peça insinua. Estamos de fato enegrecendo a obra de Chico Buarque e concretizando o que ele propõe.”

Re-atualização – A montagem não busca apenas uma reparação histórica para diminuir um hiato sobre a presença negra em papéis relevantes na dramaturgia nacional, mas sobretudo, propõe uma re-atualização, com base na coerência, ainda não realizada por nenhuma montagem, do clássico drama brasiliano. “Estamos discutindo traição de classe e de raça”, diz Jé citando a metáfora da traição conjugal. “Ele troca Joana por uma mulher mais nova, então discutimos também o feminismo. Jasão também é preto e com ele debatemos a ascensão social e a legitimidade ética disso.”

Para Juçara, Joana representa a mulher oprimida desde a formação do Brasil. O grito oprimido desta camada da sociedade. As relações humanas servem de pretexto para questionar essas posições sociais, como se cada um de representasse um lugar, um grupo. “Ela é a mulher que foi violentada, agredida. A pessoa sem voz que quer se vingar e não sabe como”, explica a atriz.

Cenografia – O cenário também traz a representação da religiosidade afro-brasileira na concepção do artista Julio Dojczar, do coletivo casadalapa. Painéis simbolizando os Orixás e elementos de cena como a imagem de Ogum / São Jorge compõem o palco que remonta o período setentista em uma montagem que, assim como a encenação, busca a percepção do todo pela parte. As representações não são realistas mas induzem a criação imagética do espaço de cena.

Músicas e Sagrado – “Quando o Jé resolveu montar Gota D’Água mais preta a proposta foi trazer o universo da periferia para a cena. Com os acentos, não só os percussivos, mas os da cultura de periferia mesmo”, aponta o músico Fernando Alabê.

O sagrado também está presente na música. “Com pessoas da comunidade negra é natural que as religiões de matriz africana estejam presentes. Tem canto de candomblé, de umbanda e o jongo – dança de roda de origem africana com acompanhamento de tambores – serve de base. Tentamos trazer para a peça a maneira que o negro entende sua divindade”, realça Juçara.

O diretor musical William Guedes propôs uma instrumentação de saxofone somada a DJ, percussão, guitarra, violão e cavaco. “Com isso, temos uma estrutura musical que desfolcloriza a musicalidade de periferia, a musicalidade negra, que é o cerne desta peça”, observa Alabê.

Além de Jé Oliveira e Juçara Marçal a montagem traz ainda em cena a atriz, diretora e dançarina Aysha Nascimento (Coletivo Negro), a atriz e MC Dani Nega, a atriz e bailarina Marina Esteves, o ator Mateus Sousa, o ator, diretor e artista-educador Ícaro Rodrigues, o ator e diretor Rodrigo Mercadante (Cia do Tijolo) e o ator, dramaturgo e professor Salloma Salomão.

Ficha Técnica

Texto e Dramaturgia – Chico Buarque e Paulo Pontes

Direção Geral, concepção e idealização – Jé Oliveira

Elenco – Aysha Nascimento, Ícaro Rodrigues, Jé Oliveira, Juçara Marçal, Martinha Soares, Marina Esteves, Mateus Sousa, Rodrigo Mercadante e Sérgio Pires

Banda – DJ Tano (pickups e bases ), Fernando Alabê (percussão), Gabriel Longhitano (guitarra, violão, cavaco e voz) e Suka Figueiredo (sax).

Assistência de Direção e Figurino – Éder Lopes

Direção Musical – Jé Oliveira e William Guedes

Preparação Vocal – William Guedes

Concepção Musical e Seleção de Citações – Jé Oliveira

Cenário – Julio Dojcsar

Light Design – Camilo Bonfanti

Operação de Luz – Camilo Bonfabti, Leansdro Justino e Lucas Gonçalves

Técnico de Som e Operação – Alex Oliveira

Coordenação de estudos teóricos – Juçara Marçal, Jé Oliveira, Salloma Salomão e Walter Garcia

Produção Executiva – Janaína Grasso

Produção Geral – Jé Oliveira

Fotos – Evandro Macedo

Vídeo e Edição – Marília Lino

Produção – Gira pro Sol Produções

SERVIÇO

SESC GUARULHOS – GOTA D’ÁGUA {PRETA}

Dias: 06 (sábado, às 20h), e 07 de julho (domingo, às 19h)

Local: Teatro

Capacidade: 349 lugares

Duração: 3h40min – Intervalo de 10 minutos entre os atos

Classificação: 14 anos

Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência); R$ 6,00 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).

SESC GUARULHOS

Endereço: Rua Guilherme Lino dos Santos, nº 1.200, Jardim Flor do Campo, Guarulhos – SP

Horário de funcionamento: De terça a sexta, das 9h às 21h30. Sábados, das 9h às 20h e domingos e feriados, das 9h às 18h.

Telefone: (11) 2475-5550

Como Chegar:

Ônibus: Quatro linhas passam na rua do Sesc Guarulhos: 233 Cocaia/Cidade Satélite de Cumbica; 356 B Circular Saúde (via Tiradentes); 356 A Circular Saúde (via Taboão); 278 Osasco (Centro) – Guarulhos (Term. Urb. Guarulhos). Outras 15 linhas de ônibus passam na Av. Monteiro Lobato, a 300 metros do Sesc. A 900 metros, fica o Terminal de Ônibus CECAP – de lá, são 12 minutos a pé.

Trem: Na Linha 13 (Jade) da CPTM, a Estação Guarulhos CECAP está a 2 km da unidade – são 24 minutos de caminhada, 18 minutos de ônibus ou 5 minutos de carro.