Por Tamiris Monteiro

Ter pouca idade não significa nada para algumas crianças, isso porque muitas delas já provaram que é possível transformar o mundo com pequenas iniciativas capazes de impactar a vida de centenas e até milhares de pessoas. No mês das crianças, a RG listou alguns nomes de crianças que fizeram a diferença com seus ideais e determinação.

Malala Yousafzai
Em 9 de outubro de 2012, ao sair da escola, a estudante – na época com 15 anos – foi alvejada com tiros por membros do Talibã, grupo fundamentalista que é contra a educação feminina. Desde os 11 anos, Malala lutava pelo acesso à educação e foi escolhida como alvo por ser a autora do blog “Diário de uma estudante paquistanesa”. Após sobreviver ao ataque, a garota se tornou ativista e transformou-se num símbolo da causa pela educação feminina no mundo. Em 2014 recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

Samantha Reed Smith
Samantha tinha 10 anos quando, em 1982, escreveu uma carta para o então presidente soviético, Yuri Andropov, questionando se ele iria iniciar uma guerra nuclear contra os Estados Unidos. A menina queria entender a tensão entre os dois países e por quais razões a URSS queria conquistar o mundo. O texto da pequena foi publicado em um jornal soviético e após o envio de uma nova carta para o embaixador soviético nos EUA, a jovem recebeu uma resposta de Andropov. Samantha foi convidada pelo governo da URSS para uma viagem ao país. A iniciativa da menina fez com que ela fosse considerada uma “embaixadora da boa vontade”, por questionar as relações entre as duas nações e tentar melhorá-las.

Louis Braille
O método Braille, conhecido como a principal forma de leitura para deficientes visuais, foi iniciado pelo francês quando ainda era uma criança. Ele tinha três anos quando sofreu um acidente nos olhos na oficina de seu pai. Aos cinco, já completamente cego, conseguiu estudar graças à dedicação de seus pais. Aos 10 anos, continuou estudando em um instituto para jovens cegos em Paris. Aos 12, aprimorou um sistema de escrita para leitura no escuro desenvolvido por um capitão da marinha francesa e apresentou o método em 1824 a seu mentor no instituto.

Iqbal Masih
O garoto paquistanês tinha apenas quatro anos quando foi vendido para uma fábrica de tapetes por sua família e forçado a trabalhar em um regime de escravidão. Aos 10, Iqbal conseguiu escapar e passou a lutar pelo fim do trabalho infantil em todo o mundo.
O menino se tornou um ativista do fim da escravidão e do trabalho forçado de crianças, encorajando diversas delas a escaparem. Em 1994, recebeu o Prêmio Reebok de Direitos Humanos, que reconhece o papel de jovens ativistas no mundo. Um ano depois, em 1995, foi assassinado, aos 13 anos. Contudo, Iqbal se tornou um símbolo da luta contra o trabalho infantil. Em 2000, ele recebeu postumamente o Prêmio das Crianças do Mundo, que reconhece os jovens cujas iniciativas tiveram um impacto na sociedade.

Beatriz Martins de Souza
Também temos uma brasileirinha nesta lista. Durante um passeio de carro com o pai, Bia Martins, com apenas seis anos de idade, sensibilizou-se com a situação de algumas crianças de rua, sem saber que aquilo mudaria sua vida. Passou a guardar os doces que ganhava para doar no Natal. A atitude surpreendeu o pai que decidiu ajudá-la. O que começou com uma atitude simples virou um projeto gigantesco e, hoje, 10 anos depois, a ONG Olhar de Bia estima ter atendido mais de 100 mil pessoas. Antes, o trabalho era voltado à solidariedade, com a arrecadação e doação de alimentos, roupas e brinquedos. Hoje, eles oferecem mais dois pilares, um voltado ao esporte e cultura e outro em capacitação profissional.

Ryan Hreljac
Aos 6 anos, Ryan descobriu que crianças na África não tinham acesso a água. Em 1998, o menino canadense decidiu que precisava construir um poço. Com a ajuda de familiares e vizinhos, conseguiu juntar parte do dinheiro necessário e doou a quantia para uma ONG que fazia o trabalho na África. O primeiro poço financiado pelo trabalho do canadense foi aberto em 1999 em uma escola de Uganda. No mesmo ano, foi criada a Fundação Poço de Ryan, que trabalha pelo acesso a água potável no mundo. Desde então, mais de 800 poços foram construídos e quase 800 mil pessoas foram beneficiadas.

Mattie Stepanek
Matthew Joseph Thaddeus Stepanek – Mattie – sofria de uma doença hereditária chamada de miopatia mitocondrial disautonômica, uma rara forma de distrofia muscular. Essa deficiência interrompeu todas as suas funções autônomas: respiração, batimento cardíaco, temperatura corporal, digestão e utilização de oxigênio. Mas, mesmo com todas as dificuldades, o pequeno publicou seis livros de poesia e foi um grande defensor da paz em nome das crianças com deficiência ou com alguma condição restritiva de vida. Durante sua curta passagem pela vida, dividia a atenção entre escrever e ministrar palestras motivacionais.