Por Tamiris Monteiro
Fotos: Arquivo pessoal, banco de imagens
e Felipe Larozza

Ser mãe de primeira viagem, talvez seja uma das tarefas mais difíceis da vida de uma mulher. Afinal, medos e dúvidas em relação ao período gestacional, incertezas sobre qual o melhor tipo de parto e qual a maneira mais adequada de cuidar do bebê após o nascimento são questões presentes na maioria dos pensamentos das mulheres que engravidam do primeiro filho. E tudo bem ser assim, porque o novo costuma assustar. Ainda mais em se tratando de maternidade, momento em que o medo de errar toma proporções ainda maiores por envolver a vida de um ser tão indefeso e dependente.

Mãe da Valentina, de nove meses, a advogada Josiane Mayara Manfredini sabe bem o que é viver esse misto de sentimentos. “Durante a gestação, os meus maiores medos eram ter alguma complicação durante a gravidez, perder o bebê, ter alguma complicação durante o parto, não conseguir amamentar, dentre outros. Depois que a Valentina nasceu, chorava direto, em me perguntava se realmente era uma boa mãe. Acredito que a influência dos parentes, em alguns momentos é positiva e em outros negativa. Aprendi muita coisa, mas sempre ficava muito nervosa e triste com alguns comentários. Tive muitas discussões principalmente com a minha avó e com a minha mãe por conta das cólicas, pelo modo que deixava ela deitada ou semissentada depois dos quatro meses”, lembra Josiane.

Apesar de toda ajuda que uma mãe de primeira viagem recebe, às vezes, a sensação que pode ter é a de que todas as dicas recebidas e conversas com o médico e a família não são suficientes. Justamente pensando nisso que Acácia Lima criou o site “Somos Mães de Primeira Viagem”.

“Quando minha filha completou um mês, percebi que algumas amigas – que tiveram filhos na mesma época – estavam passando por diversas dificuldades, assim como eu. Algumas desenvolvendo depressão pós-parto, o que me assustou bastante. Pensando em criar um espaço para tirarmos dúvidas e desabafarmos um pouco, em privacidade, decidi criar um grupo fechado no Facebook, chamado “Somos Mães de Primeira Viagem”. Assim, em pouco tempo, minhas amigas convidaram outras amigas, que convidaram outras e hoje somos nesse grupo fechado mais de 1.400 mães e grávidas. Com o grupo crescendo, percebi que era hora de expandir a ideia e também obter respaldo profissional. Dessa forma, criei uma fanpage, que já tem quase 120 mil seguidores; um blog com depoimentos de mães; e o site com uma plataforma de relacionamento, acessada após cadastro e outras ações que pudessem acolher grávidas e mamães nesse momento tão delicado e transformador das nossas vidas”, explica Acácia.

Quem acessa a página, também passa a ter oportunidade de participar de encontros mensais, organizados pela equipe do “Somos Mães de Primeira Viagem”. “São dois eventos por mês: uma oficina ou workshop, como, por exemplo, sobre Shantala, BLW e outros e o encontro mensal Somos Mães de Primeira Viagem, com temas como amamentação, hábitos infantis e a fonoaudiologia, depressão pós-parto e mãe empreendedora. Sempre convidamos profissionais para ministrarem os eventos e parceiros para nos apoiarem. Todos os eventos são gratuitos e as mamães e grávidas podem participar presencialmente após inscrição online. É possível também assistir a algumas palestras no nosso canal do YouTube. No mês das mães (maio), realizaremos diversos eventos, incluindo uma palestra com a escritora e psicopedagoga argentina Laura Gutman. Felizmente, temos tido uma ótima aceitação e reconhecimento”, afirma.

No site há também conteúdo específico para os pais de primeira viagem. Na seção “Cantinho do Papai”, matérias como “a importância do pai no pré-natal” e “os pais e a amamentação” são alguns dos muitos temas desenvolvidos especialmente para a ala masculina. “A ideia surgiu do meu marido. Ele percebeu que o pai tem pouco espaço nos veículos de comunicação. Entendi que se ele tem essa queixa, outros pais também devem ter. Entretanto, o homem interage menos quando o assunto é bebê, talvez porque sinta que esse universo ainda é muito da mãe, mas acredito que esse comportamento mudará; é só uma questão de tempo”, analisa.

 

Quer ler outras matérias da edição 324 da Revista Weekend? Acesse!