Por: Cris Marques
Fotos: Marcelo Santos e arquivo pessoal

Os primeiros dias após o nascimento de um bebê são marcados por um período de intensa adaptação para toda a família. A mãe precisa lidar com uma nova rotina de vida, os cuidados com o filho e, ainda, as alterações físicas e psíquicas do chamado puerpério. Já a criança, fora do útero, precisa se acostumar com um ambiente bem diferente do que ela estava acostumada e que, até então, lhe fornecia proteção, abrigo do calor ou do frio excessivo, conforto e comida em livre demanda. A adaptação a esse mundo novo e de descobertas pode, porém, ser mais fácil e prazerosa com um artifício bem simples, o sling.

Sling: opção prática e confortável para carregar o bebêSegundo Flávia Maciel de Aguiar, ginecologista e obstetra, idealizadora do projeto Geração Mãe, esse “pedaço de pano”, onde o pequeno vai aconchegado ao corpo do adulto é muito mais do que um facilitador das tarefas do dia a dia. É uma maneira saudável de conexão. “Eu só conheci o acessório dois meses depois que meu primeiro filho havia nascido. Inicialmente, pensei na praticidade, mas, depois descobri que ele é um grande aliado, pois permite que a mãe dê colo por mais tempo e de uma forma mais parecida com o ventre materno e também ajuda na amamentação, já que o calor do contato do bebê com o seio favorece o aumento da vascularização na região mamária e, por consequência, a produção de leite”, explica.

De acordo com a médica, apesar dos inúmeros benefícios, alguns cuidados são essenciais para o uso correto. “Há slings que sustentam adequadamente crianças de até 20 quilos, ou seja, dá para carregá-la, em posições variadas, por até 2 anos de idade ou mais. É só questão de encontrar o mais apropriado. Isto inclui modelo, tipo e qualidade do tecido e a amarração que será feita. As costas do recém-nascido, por exemplo, ficam dobradinhas em forma de C; só depois que elas ficam mais eretas, à medida que ele ganha controle do tronco. Já maior, suas perninhas precisam estar na posição de ‘sapinho’, flexionadas e com os joelhos mais altos que o bumbum. Outra dica importante é não amarrar o ‘pano’ pela primeira vez sem uma ajuda profissional, uma vez que ele precisa de um ajuste correto para proporcionar segurança e conforto”, orienta.

Do uso à consultoria

Sling: opção prática e confortável para carregar o bebê
Wanessa e Marjorie

Maria Wanessa da Silva, mãe da Marjorie, de quase 1 ano, ganhou seu primeiro sling enquanto ainda estava grávida. “Eu já tinha ouvido falar que o canguru não era uma boa opção, por conta do posicionamento da criança, e que essa poderia ser a solução para os meus problemas, mas confesso que, logo de começo, tive medo. Porém, minha filha sempre foi muito apegada a mim e não dormia se não fosse no meu colo. Então, eu não conseguia fazer absolutamente nada sem a ajuda de outras pessoas. Por isso, resolvi insistir”. Ela conta que procurou vídeos na internet e aprendeu uma amarração, que, pouco tempo depois, descobriu não estar tão certa assim. “Tem algumas coisas que não são aconselháveis e que tem muita gente na rede que ensina. Eu sentia que aquilo não estava muito seguro, tanto que uma mão sempre ficava apoiando. Mas, eu não desisti e continuei pesquisando até que eu encontrei fontes confiáveis, inclusive em grupos do Facebook. No momento em que aprendi a amarrar corretamente e descobri as posições adequadas, tudo mudou. A bebê passou a usar sempre e, até hoje, adora; inclusive, vou trabalhar de ônibus e ela vai comigo, no sling”, acrescenta.

Ciente dos vários modelos e tecidos diferentes e deslumbrada com as inúmeras possibilidades do objeto, ela foi em busca de informação para se aprofundar ainda mais no assunto. “Descobri um curso que ia ser dado por uma marca, que é a que eu revendo hoje, e passei dois dias em Botucatu, em aulas de imersão. A partir daí, eu me tornei uma assessora em bem carregar”. A consultoria de Wanessa pode ser na casa da família ou até em grupo (de até 10 pessoas) e vai desde uma introdução sobre as questões ergonômicas do corpo do bebê até o posicionamento adequado e as possibilidades de amarração. “Normalmente, a maior dúvida da mãe é se a criança está mesmo segura e confortável. Ela já sabe e entende que esse é um instrumento muito útil e que é maravilhoso carregar o filho ali juntinho, mas precisa de ajuda”, finaliza ela, lembrando que o sling pode ser usado por qualquer cuidador, como a avó ou o pai da criança.

Sling: opção prática e confortável para carregar o bebê
Crislaine Rafaela da Silva carregando a pequena Júlia, de apenas 2 meses, após as dicas da consultora Wanessa

 

Alguns tipos de sling

• Wrap
Entrelaçado na frente, atrás e na cintura, esse pano comprido é ideal como sling principal, já que distribui bem o peso da criança entre os ombros do adulto. Indicado desde os primeiros dias depois do parto, permite diversas amarrações e é confeccionado em diversos tecidos e tamanhos, podendo ter de 2 a 5 metros.

• Argola
Composto por um pano comprido, ele possui duas argolas em uma de suas pontas para fazer o ajuste e o peso fica distribuído em apenas um ombro. Usado desde o nascimento, ele permite que o bebê fique na posição vertical e até nas costas. “Uma coisa importante de observar na compra desse modelo é se a argola é própria para slings, não tendo nenhuma emenda, nem marca de solda ou algo do tipo, para não correr o risco de quebrar”, alerta Wanessa.

Sling: opção prática e confortável para carregar o bebê• Mei Tai
Com quatro alças e uma estrutura fixa, ele é muito fácil de amarrar porque já vem com o painel pronto. “É só amarrar na cintura, encaixar o bebê e cruzar nas costas as tiras que vão nos ombros. Ele é bem mais prático de colocar, só que é indicado apenas para bebês a partir de 6 meses, que já sentam e têm, pelo menos, a sustentação do pescoço. Existem algumas marcas que fazem mei tais chamados de evolutivos. Com sistemas de ajustes do painel, esses podem ser usados a partir dos 3 meses”, afirma.

• Pouch
Menos comum no Brasil, ele se assemelha ao wrap, porém tem as pontas costuradas, formando um círculo. Colocado no ombro, ele fica como um bolso onde a criança é encaixada.

• Mochila ergonômica
Um canguru melhorado, segundo a consultora, a mochila permite que o bebê fique na mesma posição que no tecido: com os joelhos acima do bumbum e a coluna curvada em C, com a vantagem de que o assento já está pronto e basta um clique para fechar. Sua desvantagem é que, por ter um tamanho e formato específico, ela tem que ser trocada por um modelo maior conforme a criança cresce.

Consultoria em “Bem Carregar”
Celular: 98029-7315
www.facebook.com/wanessa.silva.18
E-mail: wanessa.silva.bio@gmail.com