“SÓ VOU POR ONDE ME LEVAM MEUS PRÓPRIOS PASSOS”

Mesmo correndo o risco de ser tachado de pretensioso, farei uma afirmação da qual tenho convicção.
 
O PT foi fundado em 1980. Em 1982, elegeu dois vereadores em Guarulhos: Elói Pietá e Antonio Batista Gonçalves. Em 1988, elegeu 4. Em 1990, Pietá foi eleito deputado estadual.
No ano 2000, ele ganhou, apertado, a eleição para a Prefeitura.
 
Afirmo que o PT não teria crescido na cidade e não teria chegado ao poder se eu não tivesse tido a coragem de abrir as páginas do Jornal Olho Vivo para estampar as denúncias que Pietá e os demais vereadores e membros do partido faziam aos governantes da época.
 
Enfrentei todos os desafios, sofri perseguições, fui apontado como petista, sem nunca ter sido filiado ao partido e tendo até disputado eleições pelo PMDB em 1982 e pelo PSDB em 1994.
 
No segundo turno da eleição de 2000, o então presidente do Sincomércio, José Portásio, durante a apuração, acusou-me, com o dedo em minha cara, de ser o culpado pela provável eleição de Elói Pietá para a Prefeitura, porque eu havia feito oposição a Jovino Cândido no tempo em que ele comandou a Prefeitura. Não havia feito oposição: apenas havia mantido a linha editorial que caracterizara o jornal.
 
Após assumir o Bom Clima, muitos comportamentos que o PT abominava passaram a ser praticados por Pietá e seu grupo, notadamente o toma-lá/dá cá com o Legislativo e outros setores.
 
O PT governou Guarulhos por 4 gestões e eu mantive a linha de conduta, apontando erros, denunciando irregularidades, apontando soluções. Agi da mesma forma em relação aos governos estaduais tucanos. Bati de frente com o perene candidato do PSDB à Prefeitura, Carlos Roberto, combatendo os métodos truculentos que usava nas campanhas. Não aprendi a exercer o Jornalismo de outra forma.
 
No passado recente, fui o primeiro em Guarulhos a postar o caso Rodoanel, envolvendo familiares do deputado federal Eli Corrêa Filho e publiquei por diversas vezes denúncias contra gestores do PSDB, incluindo as acusações ao deputado estadual Fernando Capez, no chamado “escândalo da máfia da merenda”.
 
Nesta sexta-feira, participando da coletiva que ele deu em Guarulhos para tratar do tema, convenci-me de que o nome dele foi citado indevidamente. Coerente com minha história e, por ter antes publicado as denúncias contra ele, manifestei minha opinião em sua defesa, já antevendo que alguns setores iriam me condenar por isso.
 
Não deu outra: alguns gatos pingados, saudosos das boquinhas de que desfrutavam nas gestões petistas na Prefeitura, passaram a atacar-me, com ironias e subjeções.
 
Pobres de espírito, mentes fechadas, incapazes de admitir que caíram em desgraça devido aos erros do próprio partido, preferem atacar a honra de quem enfrentou de peito aberto o status quo da época para dar voz aos seus até então quase anônimos, que puderam sair das sombras, graças ao único meio de comunicação que lhes deu espaço.
 
Não me arrependo de ter agido como agi durante os quase 40 anos em que labuto no Jornalismo em Guarulhos, porque o fiz de acordo com o que entendo ser a essência desse ofício: o apego à verdade.
 
Mas lamento que, de carona com as pessoas de boa índole que foram eleitas e que dignificam os próprios nomes e suas trajetórias, muitos inúteis tenham chegado ao poder e dele se valido para sustentar-se e para ajudar o partido a manter-se e até a expandir-se.
 
Estou em paz com minha consciência e não abrirei mão de exercer o direito de manifestar minhas opiniões.
 
Como dizia Ibrahim Sued, “os cães ladram e a caravana passa”.
 
E como disse José Régio, em “Cântico Negro”: “Só vou por onde me levam meus próprios passos. Prefiro andar nos becos lamacentos, arrastar meus pés sangrentos a ir por aí. Não sei por onde vou, não sei pra onde vou. Sei que não vou por aí!”