Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força – Crítica

Retorno de Star Wars aos cinemas faz bela homenagem à trilogia clássica, ao mesmo tempo que ganha força na nova geração de fãs

Quando foi lançado lá em 1977, o primeiro filme da saga criada pelo visionário George Lucas não tinha a pretensão de dar início a uma franquia que mudaria para sempre a história do cinema. Com baixo orçamento, mas elementos totalmente inovadores para a época, Uma Nova Esperança representou um marco na indústria do cinema, carregando consigo uma legião de fãs que até hoje se mantém fiéis. Em 1980 e 1983, O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi, respectivamente, vieram pra consagrar Star Wars como um dos fenômenos precursores da cultura pop e nerd. Não contente com isso, Lucas decidiu fazer mais uma trilogia de Star Wars, que retratava tudo o que havia acontecido antes de Uma Nova Esperança. Na tentativa de atingir um público mais jovem, Lucas impôs um tom mais sombrio e sério à nova trilogia, indo na contra-mão de muita coisa que a trilogia clássica havia estabelecido, desagradando muitos dos fãs mais antigos e fervorosos.

Depois de muitos anos, cabia à O Despertar da Força, novo filme da franquia que dá inicio a uma nova trilogia, tentar conciliar na mesma história o respeito pelo gosto dos fãs mais antigos e a apresentação do universo de Star Wars para novos fãs, sem que eles não ficassem à par de tudo o que acontecia em tela. Dito e feito! O longa não só consegue fazer essa conciliação muito bem, como a torna seu maior trunfo. Da mesma forma que o novo fã consegue se apegar muito aos novos personagens, é impossível o fã de longa data não se emocionar quando Han Solo, Princesa Leia (agora General…) ou Luke Skywalker aparecem pela primeira vez.

Nota-se que o diretor J.J. Abrams (Star Trek) fez um ótimo uso de situações novas para remeter-se à situações clássicas. Da mesma forma que R2-D2 foi essencial na proteção das mensagens de Leia em Uma Nova Esperança, o novo e divertidíssimo dróide BB-8 é essencial na proteção e transporte de mapas valiosos para a Aliança Rebelde em O Despertar da Força. Referências e homenagens aos filmes anteriores não faltam! O diretor também conseguiu impor muito de seu estilo no longa. Ação ininterrupta é uma marca registrada dele. Ele também aproveitou muito da estética de seus dois filmes de Star Trek recriar efeitos visuais e cenários.

A opção por usar mais efeitos práticos e pouca computação gráfica deu um tom muito mais real no que era mostrado em tela. Tudo era muito orgânico, assim como foi na trilogia clássica.

A boa química entre o elenco principal também merece destaque. Os novatos Finn (John Boyega; Ataque ao Prédio), Rey (Deisy Ridley) e Poe Dameron (Oscar Isaac; Inside Llewyn Davis) interagem muito bem entre si, resultando em cenas bastante divertidas. Todos os três se encaixam perfeitamente aos elementos novos propostos. Adam Driver (Girls) também faz bonito encarnando o novo vilão Kylo Ren. O ator consegue fazer com que seu personagem tenha uma personalidade bastante imprevisível. Fica difícil de imaginar o que Kylo Ren pensa, ou que ele vai fazer. Sua aparência é igualmente ameaçadora.

É legal observar as reações do público durante o filme, que é responsável por boa parte de toda a diversão. À cada momento marcante do filme, como o letreiro inicial, a primeira aparição da Millenium Falcon, a primeira cena com Han Solo ou a primeira batalha com as X-Wings era o suficiente para levar quem estava na sala de cinema ao delírio. Inclusive esse crítico que vos escreve…

Com muitos mistérios deixados para serem resolvidos nos próximos filmes, O Despertar da Força deixa aquele gostinho típico de “quero mais” na boca dos fãs. Ainda veremos (ou poderemos ver) muito de Kylo Ren, da imponente Capitã Phasma de Gwendoline Christie (Game Of Thrones) ou do assustador Líder Supremo Snoke de Andy Serkis (O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos). Apesar de termos pela frente o derivado Star Wars: Rogue One (que se passará antes de Uma Nova Esperança, retratando a tentativa de roubo dos planos da primeira Estrela da Morte), resta apenas desejar que a Força esteja conosco para enfrentarmos a ansiedade e os dois anos que ainda temos entre nós e o vindouro Episódio VIII.

Nota: 10/10

Crítica por: Mateus Petri