Superlotação dos hospitais e dívida da Prefeitura com Gerir são inconcebíveis

O Hospital Municipal de Urgências (HMU) operou ontem, 12, por algumas horas com as portas fechadas. Nas redes sociais, vereadores informaram que a razão foi por falta de insumos e medicamentos básicos para o atendimento.

Na verdade, o que houve foi uma classificação de pacientes e reorientação dos casos menos graves para outras unidades também pelo motivo já citado, mas soma-se a isso, a falta de pagamento à administradora do HMU e a superlotação da unidade.

O hospital conta com 83 leitos para internações, porém, há, aproximadamente, 153 pacientes internados que não podem, de forma alguma, receberem alta. Além de Guarulhos, o HMU recebe usuários de Poá, Suzano, Itaquá, Penha e São Miguel.

A Prefeitura de Guarulhos tem atrasos desde o ano passado com o Instituto Gerir, empresa que administra não só o HMU, mas também Hospital Municipal da Criança e do Adolescente (HMCA) e o Pronto-Atendimento Paraventi. Além do acumulo da dívida, que está em R$ 28 milhões, o valor de contrato, que tem como um dos indicadores para se estabelecer valores a média de número de atendimentos, já não cobre mais as despesas que a empresa está tendo. Mais uma vez, pesa o fato de que a Prefeitura não está em dia com os débitos.

O atraso, inclusive, seria uma das justificativas para o Gerir não ter prosseguido com a terceira fase da reformulação do HMU, que contemplaria a UTI da unidade.

Na sexta-feira, 8, o HMCA, também por superlotação, registrou demora no atendimento. A unidade faz em média 410 atendimentos por dia. Segundo apurado pelo Click Guarulhos, um dos motivos foi por causa do fechamento do PA Paraíso, aliás, atitude considerada um tiro nos dois pés da administração municipal.

Como contraponto, a Prefeitura disse que os atendimentos às crianças da unidade – cerca de quatro mil por mês – foram absorvidos pelos demais serviços de saúde, como é o caso das três UPAs (Paulista, Cumbica e São João), além do PA Maria Dirce, PA Dona Luíza e o Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso.

Além desses serviços de urgência e emergência com funcionamento 24 horas por dia, as Unidades Básicas de Saúde também contam com a especialidade de pediatria ou médicos generalistas para atender essa demanda. Sem contar os médicos hebiatras (especialista que cuida da adolescência) na Atenção Especializada.

Porém, analisando as distâncias das unidades citadas com o PA Paraíso, é bem difícil que alguém escolha ir para um outro lugar que não seja o HMCA. Afinal, UPA Cumbica e os PAs Maria Dirce e Dona Luíza, além do Hospital Pimentas-Bonsucesso, ficam do outro lado da Dutra. Partindo desse pressuposto, sobram apenas o HMCA e a UPA Paulista. Qual seria a escolha óbvia?

Ainda segundo o que foi apurado pelo Click Guarulhos, o Ambulatório da Criança sofreu com um corte de verba de aproximadamente 20%. Essa informação, no entanto, foi negada pela Prefeitura de Guarulhos.

Apesar dos inúmeros avanços que a administração municipal divulgou com relação à saúde, é visível que problemas graves têm sido constantes, o que gera o aumento de reclamações – e com razão – da população. Como resultado, ocorre o desgaste natural do governo, conhecido por sua inexperiência de gestão. Deixar de pagar os serviços terceirizados só agrava a situação, pois além dos problemas que já existiam, serviços podem ser suspensos por funcionários em greve, como o que ocorreu com a limpeza.

Para solucionar a delicada situação sobre a superlotação, percebo que só existem dois caminhos eficazes: os leitos dos hospitais da cidade aumentarem ou a população não ficar mais doente. A primeira é a longo prazo. A segunda é impossível. Uma saída seria uma reorganização na saúde de Guarulhos, que de fato funcionasse. Difícil é as unidades de saúde terem condições de atender a população como realmente deveriam.

Na audiência pública referente à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o secretário de Saúde, Sérgio Iglesias, foi questionado sobre a solução do problema com a falta de insumos e medicamentos na cidade. Ele respondeu que já existem todos os processos para normalização de fornecimento em andamento e que espera resolver em breve esses problemas.

Vamos esperar para ver.

*Texto modificado para adequação de um dos parágrafos que dava a entender que o secretário de Saúde Sérgio Iglesias havia dito que uma das soluções para a situação do município era que a população não ficasse doente. No entanto, nada do que foi escrito na parte citada foi dito por Iglesias, mas unicamente pelo jornalista responsável pela matéria.