Taxa de rejeição pode decidir a eleição para presidente

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Em uma eleição polarizada como tende a ser a atual para presidente da República, a taxa de rejeição dos candidatos pode ser até mais importante do que a de intenção de voto.

Pela pesquisa Datafolha divulgada na sexta, 29, o índice de rejeição do candidato que tem melhor pontuação na intenção de voto, Jair Bolsonaro (PSL), chega a 46%; a de Fernando Haddad, segundo colocado na intenção de voto, é de 32%. Traduzindo: 28% dos entrevistados pretendem votar em Bolsonaro, mas 46% dizem que não votarão nele de jeito nenhum; 22% pretendem votar em Haddad, mas 32% dizem não votar nele de jeito nenhum.

A rejeição aos dois varia bastante de uma região para outra, entre os sexos e entre as classes sociais e de escolaridade. Bolsonaro é rejeitado por 52% das mulheres e por 38% dos homens. Sua rejeição atinge 61% no Nordeste e é de 35% no Sul, 42% no Sudeste e 45% no Norte. Já Haddad tem a menor taxa no Nordeste, 21%; 25% no Norte, 37% no Sul e 39% no Sudeste.

O nível de ensino pouco influencia na taxa de rejeição de Bolsonaro, oscilando entre 45% e 46%. Já para Haddad, aumenta a rejeição quanto maior o nível de escolaridade: 21% entre os do ensino fundamental; 33% nos de nível médio e 48% entre os de nível superior.

Quanto ao nível de renda, Bolsonaro tem a maior rejeição entre os que ganham até 2 salários mínimos; 41% entre 2 e 5 SM; 38% de 5 a 10 SM e 42% entre os que ganham mais de 10 SM. Para Haddad, a taxa cresce na proporção da renda: 22% entre os que menos ganham; 37% de 2 a 5 SM; 52% de 5 a 10 SM e atinge 59% entre os de renda acima de 10 salários mínimos.

Empatados tecnicamente em terceiro lugar, Ciro Gomes (PDT) com 11% das intenções de voto e Geraldo Alckmin (PSDB), com 10%, têm taxa de rejeição de pouca oscilação, independentemente da região, sexo, escolaridade e renda. A média do pedetista é de 21% e a do tucano, de 24%.

Se a fala do vice de Bolsonaro, general Mourão, contra o 13o. salário e o adicional de férias; e a reportagem da revista Veja, com revelações da ex-esposa do capitão a respeito de patrimônio não-declarado, não tiverem influência significativa nas intenções de voto, a tendência é de segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, com vantagem para o petista na decisão final, considerados os fatores atuais e sua menor taxa de rejeição, principalmente pelo fato de ter o menor índice entre os de menor renda e menor escolaridade, que são preponderantes entre a população. Vale ressaltar, no entanto, que o segundo turno é como uma nova eleição, com tempo de rádio e TV igual para ambos os lados, o que torna imprevisível o resultado.

Se a repercussão for intensa, pode haver migração de votos que seriam de Bolsonaro para um dos outros contendores. Se isso será suficiente, porém, para alterar significativamente o resultado do primeiro turno, é prematuro dizer. A participação de Bolsonaro no debate da TV Globo pode ser fundamental, quer para reforçar suas chances, quer para reduzi-las.

Não costumo fazer apostas. Mas, ainda que tivesse esse hábito, não arriscaria um centavo em nenhum candidato na eleição deste ano. Repito o que escrevi há algumas semanas: tudo pode acontecer.

Valdir Carleto