Tragédias com time de Chapecó e com noiva no dia do casamento expõem riscos do fretamento

Os acidentes aéreos que vitimaram a maioria dos jogadores do time de futebol de Chapecó (SC) na semana passada e com o helicóptero transportando uma noiva para seu casamento expõem os perigos para pessoas e companhias que realizam fretamento aéreo. “A principal preocupação no momento da contratação de uma aeronave para um fretamento deve ser com a segurança”, sentencia Shailon Ian, engenheiro aeronáutico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

Por isso, ele lembra que é preciso checar uma série de fatores antes de assinar qualquer contrato ou aceitar qualquer oferta. As empresas que prestam serviço no mercado brasileiro, por exemplo, devem ser Empresas Aéreas devidamente certificadas pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e, adicionalmente, ter as aeronaves registradas como TPX, que identifica aquelas operadoras de táxi aéreo, “O Brasil possui uma regulamentação aeronáutica robusta. Ela estabelece os requisitos mínimos a serem seguidos pelos diferentes integrantes do setor”, explica Shailon.

O próprio passageiro pode verificar no site da Anac se a aeronave contratada para o serviço é privada ou comercial. Basta acessar o site e digitar as cinco letras que formam a matrícula da aeronave. Uma tela com os dados da aeronave será mostrada. Em seguida, verifique a categoria de registro da aeronave e não contrate caso o site apresente a categoria de registro como Privada Serviço Aéreo Privado, nesse caso a aeronave não está autorizada pela autoridade aeronáutica a conduzir fretamentos ou qualquer atividade comercial.

“Sempre esperamos que nenhum incidente ocorra, mas uma viagem em uma aeronave irregular não possui, por exemplo, cobertura de seguro para passageiros comerciais, além do maior risco em função das diferenças na regulamentação”, alerta o especialista. Outra dica é buscar pela frase “taxi aéreo” pintada próxima à porta da aeronave no momento do embarque.

O engenheiro explica ainda que a autoridade aeronáutica estabelece normas diferentes de operações para diferentes tipos de aeronaves e, principalmente, tipos distintos de utilizações. “Assim, uma empresa aérea regular, que opera uma concessão do governo com aeronaves de grande porte em horários definidos e venda de assentos para o público geral, tem exigências operacionais superiores a um táxi aéreo, que opera aeronaves menores e em voos sob demanda. Por sua vez, esses têm exigências operacionais superiores ao proprietário de uma aeronave que não é utilizada para realizar transporte remunerado de passageiro”, esclarece Shailon.

Na hora de fazer o fretamento, o engenheiro orienta que a decisão deve ser tomada após orientação de um especialista do setor. “Muitas vezes, ouvimos outras pessoas ou empresas que utilizaram serviços de uma companhia. A viagem pode ter sido realizada com conforto e qualidade, mas muitas vezes essas pessoas não conseguem avaliar as condições de segurança do voo”, reforça Shailon. Segundo ele, apenas uma análise mais detalhada poderá oferecer segurança na hora de fechar o contrato de fretamento.