Por Jônatas Ferreira
Fotos Rafael Almeida e arquivo pessoal

Desde que os videogames foram lançados, os gamers buscam cada vez mais a sensação do real. Os desenvolvedores, por sua vez, esforçam-se para entregar um produto que atenda a demanda do seu público.

A evolução tem sido nítida e acelerada. Quem jogou o fenômeno da Nintendo “Super Mario World” sabe muito bem do que estou falando ao compará-lo com os atuais consoles desfilando seus gráficos muito próximos do real.

Nesse clima, as apostas para entretenimento espalhadas pelo mundo foram inspiradas nos desejos por tatear o que outrora era só imaginação. Outras colocam o usuário num mundo em que ele é o personagem principal, aproximando-o ainda mais da “realidade” do jogo.

escape-time-brasil-sao-pauloEscape por tua vida!

Já jogou aqueles games em que você precisa escapar de uma sala seguindo diversas pistas? Imagine sentir na pele essa situação, somado a todos os sentimentos possíveis de um prisioneiro em busca da solução para a sua fuga. Graças ao ‘escape the room’ ou escape do quarto, é possível. Famoso por conquistar diversos países da Ásia (onde esse estilo teve origem), Europa, América do Norte e América Latina, o jogo também é sucesso aqui no Brasil.

Trata-se de uma opção de entretenimento nada casual, no qual os participantes têm de deixar os aparatos tecnológicos (leia-se Google) e ‘se virar’ para escapar de uma sala em 60 minutos, explorando cada canto do local, em busca de ferramentas que possam ajudar a resolver os enigmas.

Há quem ache que correr atrás das pistas – números que possam destrancar cadeados, senhas e botões para abrir passagens secretas -, são coisas de louco, mas, de acordo com Claúdio Santiago, sócio-proprietário do Escape Time Brasil, terminar o jogo com um sorriso no rosto e olhos brilhando é o mínimo que pode acontecer. “Todos que vieram aqui, sem exceção, saem em êxtase. Ninguém falou: não gostei. Eles não imaginavam o quanto seria impactante. O sorriso no rosto é certo”, pontua.

As pistas são muitas, os enganos também. Embaraços nem se fala. São detalhes minuciosos e inteligentes que precisam ser verificados. Alguns aparentam representar uma peça importante, mas não passam de distrações. Siga sempre as dicas. Elas começam antes mesmo do jogo dar play.

O time que topar aventurar-se nessa experiência precisa trabalhar, sobretudo pensar em equipe (geralmente as salas comportam de 8 a 10 pessoas). Não é à toa que empresas usam esse método para fazer processos seletivos de emprego e mapeamentos comportamentais de seus colaboradores; afinal, o jogo estimula o raciocínio lógico, a capacidade cognitiva e a criatividade de quem participa.

No Escape Time, por exemplo, as salas foram inspiradas nos estilos preferidos dos geeks e dos nerds. “Para entender esse público, fizemos uma pesquisa e descobrimos que eles gostam de três temas: Idade Média, prisão e zumbi. Então, bolamos salas que atendam a esses gostos: a Alcatraz, baseada no filme ‘Alcatraz – Fuga Impossível’; a Z-Vírus – The Living Dead, inspirada no fenômeno do momento ‘The Walking Dead’; e a Quarto 66 e os Segredos Templários, que têm muito do ‘O Código Da Vinci’”, afirma o assessor de imprensa do Escape Time, Fernando Guidi.

escape-time-brasilA experiência

O tempo corre. O espaço é pouco. As pistas são muitas. A sensação é de tensão; em alguns momentos, o medo fica evidente. Todos entram na sala de olhos vendados. O coração acelera. A pergunta fica no ar: será que vamos escapar?

E para sentir na pele a real sensação, a equipe de Redação da Revista Weekend topou esse desafio e foi até o Escape Time Brasil conhecer essa alternativa de entretenimento, em São Paulo.

O estabelecimento tem opções que deixarão você com um nó na cabeça logo na escolha da sala. Mas entre fugir de uma cela de prisão, escapar de um quarto de hotel ou salvar-se de uma infecção em um laboratório, optamos pela terceira e corremos contra o tempo para encontrar o antídoto antes que uma equipe da OMS (Organização Mundial da Saúde) fosse enviada para esterilizar o local.

Uma história contada antes do início do jogo prepara você para imergir na aventura. A ambientação impecável colabora. A sensação é realmente a de estar dentro de um jogo de videogame, só que, nesse caso, você é o personagem e não tem checkpoint.

Os participantes não demoram para deixar o medo de lado e começam a ser tomados, em passadas lentas, pela tensão de saber que o relógio não para. Ah, e não se desespere, você pode perder a cabeça (e não se espante se vir alguma perdida). Portanto, reitero: o trabalho em equipe é essencial. A boa distribuição fará a diferença.

Além de todas as informações que dão graça ao entretenimento, os participantes são monitorados por câmeras e podem pedir três dicas pelo rádio-comunicador entregue no início do jogo. A equipe do Escape Time é superatenciosa e se, por acaso, alguém passar mal ou não aguentar a pressão, existe a possibilidade de sair do jogo, acionando mecanismos presentes na sala.

Empresa

O Escape Time Brasil conta com um diferencial para as empresas: psicólogos analisam cada participante e, após a conclusão, entregam o relatório e a gravação do jogo; mas, claro, se a equipe ainda estiver viva. “Imagine que você é uma consultoria de RH e vai fazer uma dinâmica de grupo de contratação diferente: os candidatos vão jogar. Na sala, não terá fingimento, as pessoas vão mostrar quem elas são. Ali será descoberto quem é o líder, a pessoa de raciocínio, o individualista, quem sabe trabalhar em grupo ou quem tem habilidade de comunicação. Além da dinâmica, as empresas podem fazer eventos de vendas e de integração da equipe”, explica Guidi.

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Caso você consiga sair da sala, seu prêmio será a satisfação de ter conseguido um feito que poucos conseguem. Se o tempo acabar e você ainda estiver dentro da sala, um gás espalhará a infecção e ceifará sua vida. Brincadeira! Mas a dificuldade é grande e são muitos os detalhes que precisam ser observados. Os marinheiros de primeira viagem terão maiores problemas para se enquadrar no ritmo do jogo. Mas, caso você não consiga escapar, o Escape Time oferece aos seus familiares o atestado de óbito sem custos adicionais.

Os desafios

Conferimos as três salas e todas têm justificativas plausíveis para cada pista deixada, sempre seguindo os padrões do ambiente e também do período em que a trama foi arquitetada. Tudo foi pensado de forma inteligente para reproduzir 100% o que vemos nos jogos e, não à toa, o investimento no projeto passa dos 2,5 milhões de reais.

resenha-escape-timeAlcatraz, a escapada impossível

Com uma colher para cavar a parede que dá acesso ao duto de ventilação de uma cela de Alcatraz – a prisão federal mais segura dos Estados Unidos – os irmãos John e Clarence Anglin e Frank Morris fugiram na manhã de 12 de junho de 1962. No seu caso, você jurou ser inocente por um assassinato do qual foi acusado e sentenciado à morte na cadeira elétrica. Em uma hora, a sentença será executada. Mas existe uma esperança: seguir as pistas deixadas pelos três fugitivos.

escape-sao-pauloZ-Vírus – The Living Dead

Dr. Hyde acaba de desenvolver um vírus que, em contato com o ser humano, faz com que pessoas transformem-se em zumbis. Contudo, o cientista desapareceu e você, membro de uma agência de espionagem ultrassecreta do governo americano, vai investigar não só o motivo do desaparecimento, mas uma vacina deixada em seu laboratório, que pode ser a cura para essa arma química, letal para a humanidade. A OMS deu o alerta de que enviará para o local uma equipe para evitar o desastre mundial. Você tem uma hora para achar a vacina, tomando muito cuidado.

O Quarto 66 e os segredos templários

Você herdou um hotel de um parente que morreu misteriosamente há mais de 70 anos, no quarto 66. O sr. Bernard de Clairvox era guardião de um grande tesouro templário. Mas existe um problema: o Hotel Bertan será demolido e você tem 60 minutos para descobrir mais sobre o tesouro. Se falhar, ficará preso e terá o mesmo fim trágico de seu parente distante.

equipe-weekend-escapeComo jogar?

Escape Time Brasil
Avenida Nova Independência, 1056, Brooklin, São Paulo-SP. Funciona todos os dias das 14h às 23h. Preço: R$ 69, até as 18h. Após, R$ 79. Estacionamento no local.
Você pode agendar o jogo pelo site
www.escapetime.com.br.
Mais informações: (11) 4324-0050.

“Tiro, porrada e bomba”

Se tentar escapar de um quarto já pode ser um entretenimento bastante fora do comum, imagine empunhar uma arma e sair bancando o soldado do exército ou encenando uma operação policial. Sonha com isso? Basta ir a um campo de Airsoft ou Paintball.

As duas modalidades esportivas são parecidas em sua execução, mas diferentes em suas essências. Enquanto o Paintball requer mais ação, o Airsoft é para os que apreciam a estratégia e querem chegar, ao máximo, próximo ao realismo. Mas é importante deixar claro que, além de ambos serem esportes que têm competições oficiais espalhadas no Brasil e no mundo, os dois proporcionam a diversão.

Paintball

O equipamento básico de segurança é a máscara e o colete peitoral. A arma do jogo é o marcador, que carrega em sua estrutura um recipiente que comporta cerca de 200 cápsulas de gelatina cheias de tinta.

A dinâmica do esporte segue, geralmente, o estilo rouba-bandeira. Quando o jogador é alvejado, o local fica tingido com tinta, o que indica que você precisa levantar as mãos e sair do jogo e esperar a próxima rodada ou voltar para um ponto de partida.

É o tipo de jogo que requer ação rápida, movimentação e estratégia.

airsoft_RAAirsoft

Utilizado até para treinamento militar, o esporte chama atenção pelo realismo que proporciona. Além dos equipamentos serem réplicas reais dos armamentos da polícia e do exército (com a diferença de que precisam ter a ponta do cano laranja ou vermelha), os campos são abertos e tentam, ao máximo, simular uma situação real de combate militar.

A munição não é de tinta. Trata-se de bolinhas de plástico ou algum material biodegradável chamadas de BBS, que tem 6 mm de diâmetro. Por esse motivo, a principal característica para os operadores é a honra, pois o jogador ao ser alvejado precisa levantar as mãos e anunciar o acontecido.

O equipamento deve atender as especificações de segurança, sendo os principais os óculos, a proteção para a boca, o capacete e o colete. As modalidades do jogo variam: rouba-bandeira, resgate ao refém, eliminação da equipe inimiga, armar a bomba, entre outras, depende do que cada lugar propõe.

Como jogar?

Guarulhos abriga ambas as modalidades. O Airsoft pode ser encontrado na rua Felisburgo, 118, Parque Alvorada. O Paintball está localizado na avenida Salgado Filho, 1.205, Vila Progresso.Mais informações dos dois esportes: 96146-4403.

douglas caetano airsoftA violência

Para Douglas Caetano, praticante do esporte, o jogo não incita a violência, como algumas pessoas pensam. “A violência está no caráter da pessoa, o Airsoft é um esporte como qualquer um, tem suas regras e tudo. Hoje, no Brasil, muitos agentes da nossa segurança praticam ele. O que o jogo realmente inspira é muito respeito, companheirismo, amizade e lealdade.”

Sucesso nas pistas 

Correr pelas pistas dos autódromos e estar na pele de Fernando Alonso, Nelson Piquet ou do inesquecível Ayrton Senna deve ser uma emoção única.

Se você pegar um joystick na mão e ligar o seu console, isso será possível. Mas que tal sair de casa e praticar um esporte conceituado no mundo e ter a mesma sensação desses grandes nomes da Fórmula 1?

O kart é antigo, criado nos Estados Unidos na década de 50, e até hoje realiza nos que buscam aventura em quatro rodas a sensação de correr como esses grandes nomes das corridas – em menor proporção, literalmente. E, apesar de ser levado a sério por muita gente e ter diversos campeonatos no mundo, o kart com certeza é mais uma opção de diversão fora do comum que vale a pena experimentar.

Mas, além do lazer que a modalidade oferece, é importante sempre ver se o local escolhido para a diversão tem os equipamentos de segurança necessários: capacete, balaclava, macacão, luvas e, se possível, proteção para o pescoço.

Curiosidade

Famosos da F1 começaram praticando o kartismo. Rubens Barrichello, Ayrton Senna, Alain Prost, Nelson Piquet e Michael Schumacher são alguns deles.

Testamos a realidade virtual

A gigante dos aparelhos eletrônicos lançou recentemente no Brasil o Gear VR, os óculos de realidade virtual, que funciona através de estímulos visuais e permite a imersão completa em um ambiente simulado com ou sem interação do usuário.

Com os óculos, foi possível ir ao cinema, mas sem sair de casa. Além dessa possibilidade, diversos jogos levem você a ter a sensação de realmente estar participando daquelas aventuras. Ambientes simulam perfeitamente cenas reais, como uma apresentação do Circo de Soleur ou até mesmo ficção, como ver um Apatassauro olhar bem de perto para você.

Ainda é o começo, mas a Samsung deu o primeiro passo para que essa tecnologia embarque na vida dos consumidores tecnológicos. O Playstation VR está a caminho, e já deixa os gamers afoitos por essa novidade que promete colocar os usuários dentro dos jogos da plataforma. Vamos esperar as novidades desse mundo virtual que se apresenta, pois a tendência é somente melhorar.