Muitas pessoas sonham em viajar mundo afora, conhecendo lugares incríveis e culturas diferentes, mas um dos primeiros impedimentos para tornar o sonho realidade é a questão do planejamento financeiro. Afinal, viajar envolve custos de passagem, hospedagem, alimentação e passeios. Mas, graças à tecnologia, é possível encontrar formas de conhecer outros países desembolsando pouco.

Hoje, por exemplo, já existem diversos serviços na internet que ajudam viajantes que aceitem trocar trabalho ou serviço voluntariado por hospedagem e comida. O mais bacana é que as plataformas que oferecem esse tipo de “auxílio” são bem organizadas, seguras e democráticas quanto às opções de hospedagem. As alternativas variam desde casas de família e albergues até lugares como fazendas, ranchos e hotéis.

Couchsurfing: um sofá em algum lugar do mundo espera por você
Essa talvez tenha sido uma das primeiras plataformas do segmento. Criada em 2003, a rede social couchsurfing.org ostenta mais de quatro milhões de usuários e tem o objetivo de fazer uma “ponte” entre turistas que estão em busca de hospedagem gratuita e pessoas que gostariam de receber esses visitantes. Mas a troca é mútua, pois quem busca hospedagem também se coloca à disposição na plataforma para receber hóspedes.

Ao pé da letra, “couchsurfing” significa “surfar no sofá”, mas o sofá não é necessariamente só o que os anfitriões têm a oferecer. Muitos disponibilizam camas, colchões e até quartos privados. Além da economia na hospedagem, a experiência pode ser ainda mais rica, pois o anfitrião pode servir como guia.

WWOOF: ideal os amantes da natureza

A sigla WWOOF significa Worldwide Opportunities in Organic Farms (Oportunidades em todo o mundo em fazendas orgânicas). Essa é uma rede de organizações nacionais que promovem o trabalho voluntário em pequenas fazendas ecológicas em várias partes do mundo. Aqui está mais uma maneira barata de vivenciar um cotidiano alternativo em outro país, além de viver de perto a cultura do lugar e praticar um idioma estrangeiro.

Trabalhe algumas horas em troca de hospedagem e comida

Existem muitos lugares que aceitam esse tipo de troca: casa de família, fazenda, santuários animais, alojamentos, albergues e hotéis, entre tantos outros. O site Worldpackers, criado por dois brasileiros, ajuda o viajante a encontrar esses locais e os benefícios podem ir além de uma cama para dormir. Em troca das horas de trabalho, o lugar ainda pode oferecer comida, acesso gratuito à internet e a oportunidade de conviver com a comunidade. Geralmente, quem ajuda mais, tem mais regalias. Por exemplo, quem prefere trabalhar por duas ou quatro horas diárias, talvez, só consiga uma cama para dormir, enquanto quem se coloca à disposição por seis horas poderá usufruir de outros benefícios.

O Workaway é uma plataforma gringa com a mesma funcionalidade, mas, por ser mais antiga, tem um vasto banco de dados: são famílias, indivíduos e organizações de vários tipos, indo desde hotéis, albergues, pousadas e resorts a pais procurando babás e centros de mergulho ou pesca atrás de ajudantes. Na busca, o viajante pode colocar o país e as atividades que está disposto a fazer.

Seja um voluntário

Outra maneira de viajar gastando pouco é ser voluntário. Esta é uma boa opção para quem tem vontade de conhecer o mundo, aprender um novo idioma e também desenvolver responsabilidade social. Aqui no Brasil, a Aiesec ajuda quem quer se aventurar no voluntariado. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos e gerenciada por jovens, na maioria estudantes universitários, que organiza programas de intercâmbio em mais de cem países.

Segundo Magnum Queiroz, membro do Time Nacional de Relações Públicas da Aiesec no Brasil, o grande objetivo da organização é desenvolver potencial humano por meio de lideranças jovens com o intercâmbio. No portal, os interessados encontram três opções de programas: Cidadão Global, Talentos Globais e Empreendedor Global. O primeiro tem como foco conectar os estudantes com oportunidades de trabalho voluntário fora do país; o segundo é voltado a quem deseja trabalho remunerado (estágio internacional) e o terceiro é uma modalidade de estágio internacional em startups.

Nos três casos, a busca de vagas, escolha do país e período de permanência é feita pelo estudante por meio de um portal, com o auxílio dos times dos escritórios locais. Antes de o jovem se vincular, o escritório local faz uma reunião de alinhamento de expectativas, pois para a instituição é importante que o estudante esteja buscando o que a Aiesec tem a oferecer. Também é possível se vincular oferecendo suporte para o próprio movimento, que é inteiramente sustentado por voluntários.

A palavra de quem já se aventurou

Helder Oldani adora colocar o pé na estrada e não dispensa uma boa economia. O rapaz já passou por países como Colômbia, Chile, Peru, Austrália, Tailândia, Vietnã, entre outros, e experimentou alguns dos serviços mencionados. “Quando fui para o Peru usei o sistema couchsurfing. São pessoas que, em diferentes lugares do mundo, oferecem uma hospedagem sem custo algum. Geralmente, o anfitrião mostra a cidade e leva isso mais como bagagem cultural. Essa troca cultural é que acaba sendo o pagamento. Tem gente que quer aprender outro idioma, por exemplo, e aceita receber visitantes de outros países. Na Ásia também cheguei a trabalhar numa balada por dois dias e ganhei hospedagem e alimentação”, diz.