Por Tamiris Monteiro

Pet shop investe em atendimento especializado para felinos

De acordo com levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o Brasil tem a segunda maior população de pets do mundo, com 22,1 milhões de felinos e 52,2 milhões de cachorros. Embora o número de felinos ainda seja menor quando comparado ao número de cães, a pesquisa também detectou que em 10 anos a estatística pode mudar e a população de gatos domésticos deve duplicar e chegar a 55 milhões. Isso acontecerá por questões comportamentais, como a diminuição de espaços de moradia e a vida corrida dos tutores.

Já pensando nessa nova realidade, muitos profissionais do segmento pet têm buscado se especializar no atendimento de felinos, como fez a veterinária Roberta Gomes Carneiro, da clínica veterinária Pets House. Segundo Roberta, um gato vive em média 15 anos, mas pode chegar a 20 anos se não tiver problemas como doença renal, hipertensão, diabetes ou cardiopatias. “A expectativa média de vida dos gatos aumentou porque quando domesticados, diminuem as chances de os animais se envolverem em brigas, acidentes, envenenamentos ou serem vítimas de algum tipo de crueldade. A longevidade obviamente também acontece pelos maiores cuidados médicos como vacinas e check-up, e por cuidados mais adequados com a alimentação”, aponta a especialista.

Assim como os cães, os gatos precisam tomar vacinas e vermífugos. No entanto, é preciso ter mais cuidados antes de realizar a primeira vacina nos felinos, isso porque o correto é fazer testes como o de retroviroses – viroses que afetam principalmente o sistema imunológico -, principalmente nos animais vindos de abrigos ou acolhidos da rua. “Esse tipo de informação sobre os testes de viroses, por exemplo, nem sempre é fornecida pelo veterinário ao tutor e esse já pode ser considerado um diferencial do atendimento de um veterinário que é especializado no cuidado de gatos”.

As particularidades desses animaizinhos não param por aí. Quando comparados aos cachorros é nítida a diferença não só comportamental, mas física também, o que faz com que o atendimento seja bastante diferente para as duas espécies. “Gatos são diferentes na anatomia, são mais ágeis, têm um esqueleto e musculatura mais elásticos e são capazes de pular até sete vezes a própria altura. Não podem tomar qualquer medicamento, pois não conseguem metabolizar algumas drogas, como, por exemplo, o paracetamol. São independentes, mas são muito carinhosos e também são capazes de aprender truques como atender assobios, buscar bolinhas e brincar de esconde-esconde”, explica Roberta.

Doenças mais frequentes

Um dos problemas mais frequentes e que preocupa muito os tutores é a doença renal. A enfermidade pode ocorrer em qualquer gato de qualquer idade e raça. Consiste basicamente na degeneração e mau funcionamento dos rins, que deixam de filtrar o sangue adequadamente. As toxinas que deveriam ser eliminadas por meio da urina se acumulam no corpo causando sintomas como vômitos, inapetência, emagrecimento, aumento da ingestão de água, aumento da frequência urinária e podem levar à morte. “Por essa e outras razões é importante levar o gato para um check-up anual a partir dos sete anos de idade”, frisa Roberta.

 Alimentação adequada

“Os gatos são carnívoros estritos. Se estivessem na natureza se alimentariam de pequenas presas que são compostas de 70% de água. Assim, além da ração seca que tem 10% de água em sua composição, a esses animais deve ser ofertado alimento úmido específico para gatos. É importante ofertar os dois tipos de alimentos desde filhote para que ele se acostume com a textura dos dois. A ingestão do alimento úmido pode ajudar na manutenção da saúde renal. Há uma nova corrente de alimentação caseira natural que também pode ser oferecida, mas deve ser muito bem orientada por um veterinário”, pontua.

Vermífugo e vacinação

O vermífugo deve ser dado aos 30 dias de vida e, a critério do veterinário, ser repetido de acordo com o produto utilizado. “O protocolo que eu uso deve ser repetido a cada 30 dias e eu gosto de fazer uma dose por mês até o quarto mês de vida. O protocolo básico para vacinação é uma dose de vacina tríplice ou quádrupla viral com aproximadamente 45 dias de vida e mais uma dose de reforço dessa vacina após 21 dias. A vacina de raiva deve ser aplicada somente quando o animal completar 120 dias. As duas vacinas devem ser reaplicadas anualmente”, finaliza a profissional.