Vida ou realty show

Para uns, falar sobre pegar leve nas redes sociais e não expor tanto a vida pode ser repetitivo e chato. Para outros, um tema batido. OK, até pode parecer redundante, mas é necessário falar sobre o que se compartilha em um site de relacionamentos e com qual frequência posts são feitos. Sejamos francos: chega a dar raiva ver a linha do tempo de uma pessoa que parece fazer de seu perfil no Facebook um reality show. Isso sem contar a pessoa que diz estar de saco cheio do emprego, o aluno que confessa ter colado em uma prova, um CEO fazer um comentário racista ou homofóbico, entre outras situações que podem, sem meio termo, queimar o filme.
Nada impede que um profissional esteja descontente com o emprego atual, mas o chefe pode ler a postagem e comentá-la – isso tem tudo para não ser legal. Imagine se o professor descobrir por lá que um aluno colou na prova? Isso pode carimbar o passaporte para a temida recuperação. Além disso, discurso de incitação ao ódio, não importando se de cunho racial, sexual, social e assim por diante, é crime.
Então, nada mais justo do que ter cautela e bom senso na hora de publicar algo. “Tudo o que postamos entra para um banco de memória digital. Nossos nomes e informações vão sendo indexadas pelos buscadores e há um grande banco de informações na internet. Quando você coloca seu nome no Google, que tipo de informação você encontra? É isso que você quer que as pessoas saibam de você?”, pondera a analista de redes sociais Tatiane Leiser. Ah, sim: a mesma coisa é válida para estudantes.

A verdade, nada além da verdade
Para quem está em busca do primeiro emprego ou de recolocação profissional, recorrer às ferramentas de privacidade e restringir suas postagens aos amigos ou pessoas próximas é uma boa maneira para reduzir as chances de o recrutador ver o seu perfil e – por que não? – criar uma imagem que não é a mais condizente sobre você. Mesmo assim, o princípio de que mentira tem perna curta vale por aqui também. Afinal, vai que você diga algo durante a entrevista que conflite com sua postura e posts? “Outra coisa que também acontece é de o recrutador aproveitar as informações das mídias sociais para confirmar informações dadas no currículo e na entrevista. Mais uma vez, aja com coerência, ética e verdade”, pontua Tatiane. Basta dizer que o perfil nas redes sociais pode indicar se os valores do candidato são compatíveis com o da empresa?

Não basta ser pai, tem de preservar
Volta e meia é possível ver alguma fotos postadas por pais de momentos diversos dos filhos. Mas toda corujice pode ter um preço. Imagens com o uniforme da escola dos filhos por exemplo são para lá de arriscadas, pois dão sinais sobre até mesmo o endereço da instituição, o que pode colocar a segurança deles em risco. E será que ele gostaria de saber, já na adolescência, que uma foto dele enrolado no papel higiênico está disponível para quem quiser ver?

Menos é mais
Quem nunca quis compartilhar um momento feliz, como uma viagem, um sábado à noite divertido, um dia em família ou com a namorada? A maioria, sem dúvida alguma. Mas gritar (ou melhor: publicar) para o mundo como está a sua flora intestinal, ou fotografar o macarrão instantâneo que será comido em poucos minutos não mudará a vida de ninguém. Ainda nesse caso, precisa ser levado em conta que há algo errado quando se deixa algum compromisso social ou alguma tarefa de lado para atualizar a vida (ops: o status) no Facebook.
Por fim, tudo é permitido, desde que esteja dentro da lei e a pessoa tenha plena consciência sobre as consequências de seus posts e atos. “O que vale é refletir sobre a real necessidade de compartilhar uma informação e sobre os impactos que aquilo trará”, completa Tatiane Leiser.