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Pesquisadores da Unesp criam borracha para cicatrizar feridas

Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara desenvolveram uma membrana cicatrizante, com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, que previnem o envelhecimento da pele.

O composto é feito com subtâncias encontradas na casca do barbatimão, árvore típica do cerrado, e o látex extraído da seringueira. Os primeiros resultados dos testes em humanos são animadores e cada membrana custa R$ 0,20.

“O látex, sozinho, é utilizado, já foi utilizado no mercado. O nosso diferencial é trabalhar com o extrato de barbatimão associado a essa membrana”, explicou o pesquisador Matheus Miranda.

Testes
Ao todo, 45 pessoas passaram pelos testes em postos de saúde e clínicas de repouso em Assis.

No primeiro grupo, de pacientes que usaram só a membrana de látex, uma ferida de quatro anos foi cicatrizada em três meses.

No segundo grupo, o tratamento foi feito apenas com gel de barbatimão. Depois de três meses, uma ferida de seis anos não ficou totalmente cicatrizada.

Já no terceiro grupo, dos pacientes que usaram a nova membrana, os pesquisadores observaram os melhores resultados. Uma ferida de 11 anos fechou totalmente nos mesmos três meses.

O professor Rondinelli Herculano explicou o porquê da diferença. “Há a formação de vasos sanguíneos, a angiogênese, e esses capilares vão irrigar as novas células para que haja a proliferação e a regeneração da pele”, disse.

“Comparando com o grupo controle, que seria o látex sozinho, com a associação a gente teve uma melhora em torno de 50% a 60% na regeneração”, completou.

Segundo ele, o produto pode ser usado em vários tipos de ferimentos. “Escaras de decúbito, que são aquelas feridas no cóccix, as úlceras de pressão, que são as úlceras devido ao contato que a pessoa tem na cama ou na cadeira de rodas, também as úlceras de diabetes, que em muitos casos levam até à amputação de membros, e queimaduras”.

E a membrana tem ainda outra vantagem. “O látex natural também pode ser usado para regeneração óssea. Ele funcionaria como uma barreira para o tecido ósseo que estimularia a regeneração dele, impedindo que as células do tecido em volta invadam a ferida”, disse o pesquisador Felipe Azevedo Borges.

Expectativa

Segundo os pesquisadores, ainda vão ser realizados outros testes clínicos e a previsão é de que o novo curativo chegue ao mercado em cinco anos.

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