O Click Guarulhos dá sequência à série de artigos de Alek Honse, iniciada no domingo 18/2 e que teve a segunda publicação no dia 25/2, e a terceira, no dia 3/3.
Limite
Quando minha mãe faleceu e eu, então com 13 anos, tive de abandonar os estudos para trabalhar e sustentar meus dois irmãos menores, olhei para o céu e disse “Senhor, dai-me forças”.
Quando a empresa em que trabalhei 25 anos fechou as portas da noite para o dia e fiquei sem receber meus direitos, olhei para o céu e disse: “Senhor, que seja feita tua vontade”.
Quando a esposa amada sucumbiu aos desejos carnais e me trocou por outro, olhei para o céu e disse: “Senhor, ensina-me a perdoar”.
Quando perdi o novo emprego e tive de vir para as ruas, olhei para o céu e disse: “Senhor, dai-me a resignação para compreender o seu plano”.
A tudo suportei, com fé, esperança e resignação.
Mas quando minha filha foi dormir ontem sem ter o que comer pelo segundo dia consecutivo, olhei para o céu e me desesperei dizendo “Senhor, eu tudo suporto, mas ela é ainda uma criança inocente. Eu não tenho forças para aguentar isso.”
Para tudo deveria haver um limite.
Até para a dor.
Alek Honse, jornalista filósofo e escritor, autor de “Alek no país dos invisíveis”, entre outros.
Ele viveu na pele, até recentemente, a saga de morar nas ruas de São Paulo. E também tem o projeto Invisíveis, que visa ajudar a retirar das ruas quem estiver disposto a mudar de vida. Doações, tanto para o projeto quanto para ajudar na própria sobrevivência dele, podem ser feitas por pix para a chave 11 981518718.
foto: Jorge Araújo/Fotos Públicas
Veja também:
