Por conta do alto índice de crianças obesas e com doenças como hipertensão e diabetes, a preocupação com hábitos alimentares saudáveis têm sido constante na vida de muitos pais até na hora de montar a lancheira dos pequenos. Em contrapartida, com a correria do dia a dia, alguns ainda não conseguem deixar preparada uma refeição ideal, abusando de produtos industrializados que podem fazer muito mal, em longo prazo. “Na maioria das vezes, as lancheiras são montadas com alimentos industrializados e de baixo valor nutricional, como bolos prontos, biscoitos, salgadinhos, sucos de caixinha, achocolatados, refrigerantes, entre outros”, afirma a nutricionista Michelle Inforçatti Rodrigues.
Segundo ela, o maior erro na hora de montar a lancheira é investir em carboidratos simples, gorduras ruins, sódio, conservantes, corantes e outros ingredientes que não fornecem os nutrientes necessários às crianças, sendo pobres em carboidratos complexos, proteínas, vitaminas e minerais. “As lancheiras devem ser compostas por um tipo de carboidrato complexo (pães ou biscoitos integrais, bolos ou tortas caseiros com farinha integral), um tipo de proteína (leite desnatado com chocolate em pó, iogurte desnatado batido com frutas, queijo branco, patê caseiro de frango ou atum) e uma fruta”, explica Michelle.
Driblando o paladar infantil
Quando a criança já está acostumada ao paladar infantil e só quer comer alimentos considerados “besteiras”, refeições saudáveis devem ser introduzidas aos poucos no cardápio. “Deve-se começar trocando os carboidratos simples por complexos, ou seja, bisnaguinha normal pela integral; bolo industrial por caseiro sem recheio ou cobertura e feito com farinha integral ou qualquer outro cereal integral; queijo muçarela, prato ou tipo cheddar por queijo branco, cottage ou ricota; salame, peito de peru, presunto e mortadela por patê caseiro de frango ou atum (feitos com ricota) e suco de caixinha ou refrigerante por uma fruta”, afirma a profissional.
Já para a também nutricionista Perola Cristina Fonseca da Silva, outra maneira de driblar o paladar infantil é apresentando os alimentos às crianças de modo a despertar sua curiosidade por novos sabores. “Vale leva-los à feira ou ao supermercado para que eles conheçam novas frutas e tenham a curiosidade de experimentá-las. É muito importante que os pais leiam as embalagens dos alimentos antes de servi-los a seus filhos e sempre optem por alimentos caseiros e menos industrializados. Reforço ainda a importância de não servirem refrigerante às crianças, Essa bebida vicia e não traz benefício algum à saúde. Também é preciso evitar alimentos embutidos como salames, presunto, mortadela e até mesmo peito de peru, que são ricos em conservantes, corantes e alto teor de sódio, o que a curto e longo prazo podem ocasionar diversos problemas de saúde como a hipertensão”, alerta Perola.
Na lancheira
Na hora de montar a lancheira, tente combinar os três grupos de alimentos que são os construtores (proteínas como queijos, iogurtes, leites e carnes como atum e frango), os reguladores (frutas, legumes e verduras que são ricos em fibras) e os energéticos (carboidratos, como bolos, pães e biscoitos).
Sem glúten e sem lactose
Outro fator que tem sido de grande preocupação para muitas pessoas é o aumento do número de crianças com alergia a glúten e lactose, entre outros. Nesse caso, as lancheiras precisam conter os mesmos nutrientes das de crianças que não têm esse tipo de alergia ou intolerância, como carboidratos complexos, proteínas, gorduras, vitaminas e mineiras; porém, os pais precisam buscar alternativas para substituir alguns alimentos. “Alimentos com trigo, centeio, cevada e malte contêm glúten. A aveia pode conter essa proteína por contaminação cruzada. Como alternativa para o grupo dos carboidratos temos: tapioca, pães feitos com inhame, mandioca e batata doce, biscoito de polvilho (de preferência os integrais), biscoitos de arroz, massas de quinoa, milho e arroz. Encontramos com muita facilidade nos supermercados: leite, iogurtes e queijos sem lactose, que podem substituir os tradicionais; mas é preciso estar muito atento aos rótulos que indicam a ausência de ingredientes que contenham o glúten e a lactose”, explica Michelle.
Vale lembrar
Mesmo com o risco que o consumo de certos alimentos oferece, não se pode esquecer que crianças são crianças. Então, é preciso tomar cuidado para não tomar atitudes extremistas como, por exemplo, proibir os filhos de comerem em uma festa de aniversário, entre outros fatores. “A rotina da criança, assim como a de um adulto, deve ser com alimentos saudáveis e ricos em nutrientes, porém, sair dessa rotina também é saudável. Os pais são o espelho para as crianças e precisam dar o exemplo. Os alimentos colocados à mesa devem ser os mesmos para pais e filhos. Não adianta querer que uma criança coma arroz, feijão, carne, verduras e legumes se os pais estão comendo, sentados à mesa com as crianças, um lanche de fast food”, finaliza Michelle.

