É indiscutível: as crianças de hoje têm uma forte ligação com a tecnologia. Tanto que se tornou natural muitas delas, antes dos cinco anos, pedirem de presente aos pais smartphones ou outros tipos de aparelhos. Mas para os pais, que vêm de outra geração, talvez paire uma dúvida em relação sobre qual a melhor hora para dar um celular aos pequenos.

De acordo com Carolina Silva Galdino, psicóloga especialista em terapia cognitiva e comportamental, a primeira pergunta que os pais devem se fazer é: qual a finalidade em dar um celular para o meu filho? É para distraí-lo? É para que ela possa ter (igual aos outros amigos) acesso a jogos, redes sociais, vídeos do Youtube? Ou é para facilitar a comunicação quando não estiver próximo dele?

“Pela minha experiência, sei que muitos responderiam que é para facilitar a comunicação, mas nos atendimentos infantis no consultório, o que percebo é que quando os pais entregam celulares para os filhos, geralmente, acontece no intuito de não serem inadequados em situações em que os tutores esperam um bom comportamento”, explica.
Para a psicóloga, além de ter que encontrar boas razões para dar um celular a uma criança, os pais precisam ter consciência de que precisarão de boas estratégias para controlar o contato entre criança e celular, para que não vire vício. “Para se ter ideia, até mesmo bebês podem ficar dependentes, pois o estímulo virtual, quando lhes dá prazer, fica armazenado na memória corporal, auditiva e visual”, analisa.

13240484_10208546877541250_5625412489513011812_nExiste uma idade certa?

“Alguns estudiosos dizem que a idade ideal para entregar o celular a uma criança é aos 13 anos; outros já relatam ser melhor aos nove ou dez anos. Como psicóloga, quando pais me questionam, a conversa com eles se baseia nos estudos sobre o desenvolvimento humano. É sabido que a criança desenvolve nos primeiros anos de vida mais seus aspectos físicos para depois desenvolver mais os cognitivos e psicossociais. Sendo assim, a atitude de ficar, nos seus primeiros 11 anos de vida, a maior parte do tempo sentada interagindo somente com um aparelho, provavelmente resultará em prejuízos futuros”, responde Carolina.

Estudo realizado pela Sociedade Canadense de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria não indicam o uso de aparelhos eletrônicos para crianças com menos de 2 anos. E, para menores de 12 anos, é recomendado que o uso seja de no máximo até duas horas por dia, sendo essas horas intercaladas com outras atividades e sempre supervisionadas por um adulto. Outra pesquisa realizada pela AVG Technologies, em 2014, apontou que 97% das crianças brasileiras entre seis e nove anos já usavam a internet e 54% tinham perfil no Facebook, sendo que o uso da rede social é recomendado somente para crianças a partir dos 13 anos.
“É indicado que os aplicativos e acessos sejam coerentes com cada fase do desenvolvimento em que a criança se encontra. Como mostrado na pesquisa da AVG Tchnologies, se o Facebook é uma ferramenta avaliada e direcionada para crianças com mais de 12 anos, por que permitir o acesso para crianças com menos de 13 anos?”, alerta.
Para diminuir os riscos da vulnerabilidade emocional e física da criança e da família, é importante orientar as crianças a usar de forma adequada a internet, evitando, por exemplo, conversas em chats com desconhecidos e divulgação de dados pessoais, como fotos. A instalação de ferramentas de monitoramento ou bloqueio de alguns conteúdos da internet são outras formas de proteger as crianças. Manter o computador numa área comum da casa com a tela sempre visível e limitar o tempo de uso do equipamento também pode ajudar.

Prejuízos

Dentre as diversas pesquisas realizadas, alguns malefícios citados pelo uso excessivo dos smartphones são:

• Atraso no desenvolvimento com consequências negativas no rendimento acadêmico, alfabetização e na atenção.
• Atrasos cognitivos, problemas na aprendizagem, déficit de atenção, aumento da impulsividade e falta de controle dos comportamentos e das emoções, principalmente antes dos dois anos.
• Alterações no sono, o que interfere na visão devido à luminosidade, no humor e na disposição para atividades no dia seguinte.
• Má postura.
• Aumento nas taxas de algumas doenças mentais tais como: depressão e ansiedade infantil, transtornos do processo de vinculação entre pais e filhos, déficit de atenção, transtorno bipolar, psicose e outros problemas de conduta infantil.

Benefícios

Embora os prejuízos existam, o uso dos smartphones na hora certa pode ter alguns benefícios:

• Facilita o desenvolvimento cognitivo, por meio de jogos, calculadoras e vídeos, pois as crianças estimulam o aprendizado de uma forma lúdica.
• Desenvolve habilidades como raciocínio lógico, intuitivo, memória, criatividade, resolução de problemas, habilidades sociais.
• Facilita o relacionamento com outras pessoas. Uma criança tímida, por exemplo, pode começar a desenvolver habilidades sociais na interação com outras pessoas através da internet, podendo assim administrar também suas emoções de ansiedade e medo.
• É um meio de comunicação eficaz, rápido e ilimitado em relação a distância.
• Serve como apoio à escola. Há pesquisas que mostram que crianças que utilizam a internet como ferramenta acadêmica podem melhorar suas notas.
• Ajuda crianças com problemas de aprendizagem. Com programas e aplicativos específicos, crianças com transtorno de atenção e hiperatividade, transtornos da aprendizagem, transtornos auditivos e visuais podem se beneficiar na hora da aprendizagem.
• Prepara a criança para o futuro tecnológico em que viverá.

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