A chegada do Messias para os judeus representa uma nova era. Para os cristãos, Jesus é a esperança. Em ambos os casos, exprime uma mudança para o melhor. Ao observar o efeito colateral da última eleição municipal, percebe-se que a população de Guarulhos deposita no prefeito eleito grande expectativa. Será ele o salvador?
Guti foi apresentado como quem trará a nova política, sem barganhas e loteamento dos cargos públicos. O jovem político apresentou como carro-chefe de sua campanha o ‘fazer funcionar o que Guarulhos tem’, além da promessa de executar auditoria nos contratos atuais da Prefeitura e fazer ‘uma limpa’ nos funcionários comissionados. Acertou em cheio. A população comprou a ideia e mostrou isso nas urnas. Guti obteve uma votação histórica na cidade, sendo eleito por ampla maioria.
Entre as propostas, o muito discutido passe-livre para estudantes foi uma arma do candidato no pleito, apesar de não constar em seu plano de governo. Com certeza, a ideia angariou mais alguns milhares de votos. A proposta já é realidade em algumas cidades do País. Em Maricá, no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, não há tarifas para os estudantes usarem o transporte público.
A diferença entre Guarulhos e Maricá? A cidade fluminense tem cerca de 150 mil habitantes. Pouco mais de 10% da população guarulhense. A proposta é válida, mas precisa ser norteada. Na capital, o passe-livre é somente para estudantes de escolas e universidades públicas. Deve ser possível implantá-lo, mas antes precisa ser bem analisado. Até porque o dinheiro antes dividido entre cofres públicos e usuários, como no atual caso da meia passagem, recairia totalmente sobre a Prefeitura. Nas condições atuais, isso poderia ser uma bomba.
A priori, todos os esforços devem ser concentrados nos dois maiores problemas do município: a dívida da Prefeitura, que chega a a R$ 1,1 bilhão e de R$ 2,4 bilhões do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) com a Sabesp. Desatar esse nó não é tão fácil como se prega: além de muita habilidade política para negociar com os credores, será imprescindível pôr em prática medidas concretas para resolver esta equação: fazer as despesas caberem no orçamento, sem prejudicar o que é substancial para manter em funcionamento o cotidiano da cidade. Apenas enxugar a máquina não será solução, embora seja um bom início e também uma atitude normal quando se troca uma administração.
Outro grande desafio: Guti conseguirá descobrir para onde foi o dinheiro da cidade? Afinal, todos se perguntam como é possível chegar a uma dívida tão alta como a do Saae, se todos os meses, milhares de famílias guarulhenses pagam suas contas. Os eleitores de Guti e a população em geral esperam soluções urgentes para tantas outras situações precárias, como o atendimento nas unidades de saúde, a falta de iluminação pública, a conservação da malha viária e o tratamento do esgoto da cidade, que continua sendo apenas uma promessa.
Jônatas Ferreira




