Por Tamiris Monteiro
Fotos: banco de imagens
e arquivo pessoal

Em 20 de março, é comemorado o Dia Internacional da Felicidade. A data foi instituída pela ONU, no ano de 2012, reconhecendo a relevância da felicidade e do bem-estar como metas universais e inspirações para políticas públicas em todo o mundo. A celebração foi colocada no calendário depois de uma reunião das Nações Unidas em que o tema era “Felicidade e Bem-Estar: Definindo um Novo Paradigma Econômico”. Na ocasião, foi debatida a iniciativa do Butão, País asiático que reconheceu a supremacia da felicidade nacional sobre a renda, desde o início dos anos 1970, e adotou a meta da “Felicidade Nacional Bruta” acima do Produto Interno Bruto (PIB). Ou seja, identificou-se que pessoas felizes eram capazes de impactar positivamente em questões econômicas e sociais podendo mudar o rumo de uma nação.

Que a felicidade é transformadora, isso é fato, mas, talvez, o maior problema nessa história seja como chegar lá. Que é bom sentir-se feliz, a maioria sabe, mas o que muita gente se pergunta, é: como encontro a felicidade? Cientificamente, o que nos tornou eternos caçadores da felicidade foi a própria evolução humana.

“Freud nos diz que em algum momento da nossa evolução como espécie, nos tornamos civilizados, passamos a ser guiados pela cultura e iniciamos o viver em sociedade. Fizemos a transição do individual (viver sozinho) para o coletivo (viver em família). A partir dessa mudança, começamos a sofrer por três questões: nosso próprio corpo, condenado à decadência e à dissolução; pelo mundo externo, que pode voltar-se contra nós com forças de destruição; e, finalmente, pelos relacionamentos em geral. Sendo que, esse último, talvez seja o mais penoso de todos”, explica a psicóloga Kátia Piroli.

Ou seja, durante a construção desse longo processo civilizatório, muitas leis, normas, regras e limites passaram a existir para que pudéssemos viver socialmente e, embora, seja uma solução que funciona para manter o convívio, por outro lado fez com que os ser humano se sentisse impedido de realizar plenamente todos seus desejos.

“Além de tudo o que foi até aqui exposto, temos também as questões da denominada sociedade pós-moderna, que tem contribuído para a felicidade parecer estar cada vez mais longe. Segundo o filosofo Lipovetsky, vivemos na era do vazio e nos encontramos imersos na angústia. Outro autor que ajuda a entender o momento é Baumam, ele nos aponta uma importante mudança quando sugere que a modernidade sólida cessa de existir, e, em seu lugar, surge a modernidade líquida. Nela tudo é inconsistente, as relações humanas são descartáveis, alega ainda que este discurso pós-moderno prioriza o consumismo, o individualismo, os ideais de perfeição e o prazer imediato”, pontua Kátia.

De maneira sintetizada, na teoria, a humanidade evoluiu, mas tornou complexa a maneira de alcançar a felicidade. Agora você deve estar aí se perguntando: “Então, é impossível ser plenamente feliz?” A resposta é não. Talvez não seja possível ser feliz o tempo todo; afinal, não existe uma vida sem dificuldades; contudo, o que pode garantir o sentimento de felicidade é como, ao longo da vida, a pessoa lida com os problemas, entende seus sentimentos e pensa em resolver situações adversas. “Quando resolvemos problemas mais rapidamente e sem tanto sofrimento, chegamos mais rápido a momentos felizes, e esses momentos aumentarão com o tempo”, diz a psicóloga Natacha Barbosa.

Encontre seu propósito

Não existe uma receita para ser feliz. É um sentimento que se se constrói no dia a dia e exige esforço no que diz respeito ao autoconhecimento. A verdade é que nem sempre é fácil olhar para dentro. Na maior parte do tempo, estamos focados no acontece fora e vamos vivendo sem nem entender o que de fato nos traz alegria. “O propósito de vida nos projeta para algo maior do que os problemas cotidianos, ele nos guia, nos alimenta. Quem tem um propósito de vida supera com mais facilidade as adversidades do cotidiano, cria seus passos, direciona seu caminho e consegue sentir-se feliz, porque entende sua razão de existir”, ressalta a gestora de carreiras e orientadora vocacional, Andrea Deis.

Busque ajuda

Tem gente que passa pela vida sem entender o quanto é brilhante. E não compreender os próprios sentimentos e os propósitos de vida pode fazer com a felicidade pareça algo muito distante. Nem todo mundo consegue identificar qual caminho deve seguir ou quais escolhas fazer, e isso é natural, porque – culturalmente – não somos ensinados a estruturar uma análise que nos leve ao topo do nosso desenvolvimento pessoal. Sendo assim, não há problema nenhum em buscar ajuda de profissionais ou pessoas próximas capacitadas a ajudar.

“Os coaches e mentores podem contribuir nesse processo, pois através de metodologias especificas são capazes de auxiliar o indivíduo a descobrir sua missão de vida, o legado que deseja construir, a enxergar os pontos fortes e fracos, desvendar sonhos, trabalhar a gestão do tempo, buscar equilíbrio das várias áreas da vida, superar medos e amar a si mesmo para que possa amar os outros”, afirma Andrea.

Dá para ser feliz durante a caminhada

Existem pessoas que vivem em função do “fui feliz” e outras do “serei feliz”. Mais do que isso, há quem condicione a felicidade ao destino, esperando as coisas acontecerem, mas porque esperar se a gente pode ser feliz agora? Há coisas que fogem do controle, mas escolher como lidar com o que sai fora curva, talvez, seja um dos grandes segredos da jornada.

A felicidade irreal

Atenção, a felicidade não está no Facebook ou Instagram e é preciso ter cuidado com a era digital. “As redes sócias estão criando uma ilusão de felicidade, de uma autoexigência exagerada de exposição e de que pode mais quem mostra mais. Na essência  existe um abismo entre as publicações e a realidade que nem sempre o outro consegue desconfiar, aí vem a sensação de frustração, medo e insuficiência.  Faz com que as pessoas queiram cuidar de si se comparando com o outro, mas cada um é um ser único, especial”, diz Andrea. Portanto, foca na realidade e na sua felicidade.

Felicidade mora nas sutilezas

Tem gente que não entende como pode ser feliz e fazer o outro feliz com atitudes simples.  O empresário, escritor e professor universitário Jacques Miranda, descobriu que por meio de frases motivacionais diárias, poderia trazer alegria para sua vida e para a de outras pessoas. “Leciono há cerca de 10 anos no ensino superior e desde o meu primeiro dia de aula tenho o hábito de colocar uma frase na lousa. No início, colocava de algum autor. Aos poucos fui pensando na possibilidade de fazer frases autorais. Há quatro anos, fiz disso um hábito, e todos os dias passei a publicar frases motivacionais no Facebook. Se tornou algo tão frenético da minha parte que acordo e minha primeira obstinação é encontrar alguma coisa que diga a respeito daquele dia e que não reflita necessariamente o meu estado de espirito, porque minha obrigação é fazer com que as pessoas se sintam motivadas ou parem para pensar. Como sou escritor e tenho essa rotina de escrever livros, compartilhar pequenas frases diariamente é como se fosse uma nano literatura com um objetivo. Assim como um livro, mas de forma mais simples. Acho que dessa forma presto um serviço. De uns tempos para cá, comecei a entender que uma das minhas funções na vida é ajudar as pessoas. Então, fazendo as frases, sem nenhum tipo de pretensão financeira, é uma forma que encontrei de me sentir feliz”, conta.

Quais são as principais razões que nos afasta da felicidade?

De acordo com a profissional Andrea Deis, é: almejar o que o os outros conquistam; não se aceitar; não reconhecer as limitações; não potencializar as forças; lutar contra seu interior; acreditar que a felicidade depende do outro; ouvir sem filtrar e aceitar tudo como uma verdade única e universal.