Por Tamiris Monteiro
Fotos: banco de imagens e arquivo pessoal

Ser mãe, talvez, seja uma das tarefas mais árduas na vida de uma mulher; afinal, não é nada fácil cuidar, amamentar, acolher, acalentar, ensinar e, vez ou outra, ainda ter a terrível sensação de estar fazendo tudo errado ou sentir que o mundo pode ser cruel demais para o filho. Não tem jeito, o caminho é cercado de medos e receios, mas com amor e uma boa dose de bom humor dá para tornar a caminhada mais leve, tanto que tem muita mãe por aí fazendo história por fugir do estereótipo de mãezona à moda antiga.

E não estamos falando aqui apenas das legais e divertidas. São figuras maternas dos mais variados tipos, que carregam no DNA desde características da divertidíssima e icônica personagem Hermínia, do filme “Minha Mãe é uma Peça” (protagonizada pelo ator Paulo Gustavo), até a durona Rochelle, do seriado americano “Todo Mundo Odeia o Chris”. Para homenagear o Dia das Mães, nada mais justo do que contar a história de Hermínias e Rocheles do mundo real. Na sequência, você confere engraçados relatos de mães contados a partir da ótica de filhos e filhas.

Silvia, moderninha e Best Friend Forever (BFF)  
Filha: Luiza Moraes Correa – designer de moda

“Minha mãe é, antes de tudo, minha melhor amiga. É formada em artes e acabou de se aposentar. Trabalhou a vida toda como professora de ensino fundamental e o contato contínuo com crianças a deixa cada vez mais jovem. Não me lembro de um dia sequer em que ela tenha me deixado na mão. Ela é simplesmente maravilhosa. Minhas amigas são apaixonadas (risos), afora que ela é muito antenada nas novidades do Instagram. Me manda print de conversas e ideias de looks para eu ir trabalhar no dia seguinte. Foi a sexta integrante do meu grupo de TCC, ajudou a costurar, a carregar malas, maquiar modelos, dar ideias, pediu Uber e ficou acordada várias noites me ajudando a bordar. Tudo o que propomos ela faz. Aprende no YouTube. É a rainha dos tutoriais do YouTube. O visual é um capítulo à parte: ela tem meio metro de altura, um pé tamanho 33, cabelo raspado nas laterais com risquinho, pinta a unha colorida e só não é inteira tatuada, porque morre de medo. Ela conquista mais boys do que eu quando estamos juntas andando na rua. Entende as piadas, é engraçada, palhaça, louca, ouve música alta no carro, me manda memes durante o dia e o toque dela do celular é uma música do Guns N’ Roses.”

Marli, a mãe que ficou mais conhecida que a banda NX Zero
Filho: Tácio Watanabe – empresário e fundador do projeto social
Hamburgada do Bem

“No meu aniversario de 17 anos, minha mãe expulsou o grupo NX Zero de um show que estavam fazendo na garagem de casa. O NX Zero estava no começo da carreira e foi tocar na minha festa, só que num determinado momento o baterista tirou a camisa e ela ficou louca com isso. Expulsou os integrantes da banda e chamou até o pastor (risos). Esse episódio foi contato por um rapaz da banda no programa TV Fama. Dona Marli é meio porreta, inclusive. É conhecida até hoje por essa história”.

Dona Sonia e seus 20 e poucos anos
Filha: Thais Zinato Delazari – nutricionista

“Admiro a força e a alegria de viver que minha mãe tem. Ela sempre procura ver o lado bom de tudo e acho que isso é o que faz ser tão engraçada e destemida. Mas, em alguns casos, ser destemida nem sempre é bom (risos). Ela tem 63 anos e há pouco tempo quase se quebrou inteira depois de pular um muro. Ela estava limpando um cômodo do sobrado que temos de aluguel, pois o inquilino havia desocupado. O quarto tem varanda. Bateu um vento e fechou a porta. Quando ela foi tentar sair, percebeu que não tinha fechadura e ficou trancada. Bateu o desespero e ela pulou da sacada para o muro do lado da casa vizinha. Detalhe: o muro tem três metros de altura. Ela disse isso foi um ato de coragem. Com o pé quebrado no hospital, ela falava assim: ‘eu achei que podia, que tinha 20 anos’. Mesmo tendo sido algo sério, ri muito da situação. Como mencionei anteriormente, embora ela tenha feito besteira, o bacana é que ela sempre enxerga o lado bom de tudo. Acha que sempre pode mais. Idade pra ela não quer dizer nada.”

Marly, a aventureira sem limites
Filho: Clayton Barbosa – analista de sistemas

“Minha mãe tem 57 anos e cabeça de 18. Moleca de tudo. Todo passeio com ela é um acontecimento. Tem um vídeo que minha prima colocou nas redes sociais, em que ela aparece numa barra de ponta cabeça, no Bosque Maia. Ela tem moto e, às vezes, eu saio com a minha e ela com a dela. Na infância, lembro dela andar comigo de carrinho de rolimã nas descidas perto de casa. Certa vez eu estava jogando bola no campo – detalhe, ela estava no meu time -, quando do nada um cara perguntou se ela não queria jogar no time de futebol feminino que ele tinha. Ela é alegria pura.”

Mirtis, a mãe que transformou o axé em um trauma
Filha: Michele Barbosa – Jornalista e youtuber do canal EstroGênia

“Minha mãe é espalhafatosa, divertida, pulso firme, não leva desaforo para casa e é muito corajosa. Para se ter ideia, ela já foi na escola de um dos meus irmãos defende-lo de uma gangue. Tenho muitas histórias engraçadas com ela. Uma delas aconteceu quando eu era adolescente. Estava acontecendo reunião de pais e mestres na escola e eu disse para a minha mãe que iria me despedir dos meus amigos. Ela respondeu que me esperaria na parte de baixo do colégio. Subi na sala e fiquei conversando com a galera e zoando. Em certo momento, começou a tocar o axé “Melô do Tchan”, do Gera Samba, e comecei a cantar ‘tudo que é perfeito a gente pega braço, joga ela para o meio, mete em cima, mete em baixo’… e fazer uma dança sensual junto. Com a demora, minha mãe subiu para me procurar e me achou. Ela ficou atrás de mim só me observando cantar e dançar e nenhum dos meus amigos me avisou, aí ela começou a bater palma e falou: ‘a gente pega pelo braço?’. Pois eu vou arrancar seu braço agora. Ela saiu me arrastando e cantando pelo corredor ‘a gente pega pelo braço, a gente pega pelo braço, a gente pega pelo braço’. E ela cantava muito nervosa e segurando meu braço. Meus amigos me alopraram bastante. No dia seguinte todos da sala cantavam o refrão da música para mim”.

Vera e seu talento de não perder nenhuma oportunidade
Filha: Giovanna Fialho – Estilista e blogueira do Caos Arrumado

“Somos três irmãs. Eu tenho 23, a Fernanda 20 e a Valentina dois anos. E minha mãe é muito parceira, do tipo bem amigona. Mais do que isso, ela é divertidíssima. Poderia contar muitas histórias, mas vou compartilhar uma recente. Minha mãe viu uma promoção de um salão de cabeleireiro de Guarulhos e pediu para que eu buscasse o número de telefone no Google. Procurei e apareceu um telefone que anotei sem entrar no site. Passei o número e ela ligou. Como eu estava próxima, fui escutando a conversa. Quando a pessoa do outro lado da linha atendeu, ela disse que queria marcar depilação, mas o atendente explicou que lá não era um salão, mas sim uma casa de fondue. Achei que ela fosse desligar, porém, mais do que depressa ela perguntou onde ficava e pediu para a pessoa reservar uma mesa. E ela foi mesmo no restaurante. Com a minha mãe a risada é garantida, digo que ela é sinestésica.”

Sandra Helena e a busca implacável
Filho: João Gabriel – atleta do boxe, MMA e capoeirista
Mãe: Sandra Helena

“Minha mãe sempre foi muito divertida e guerreira. Meu pai saiu de casa quando eu tinha seis anos, e ela criou três filhos. Trabalhava no aeroporto e fazia serviços de costura em casa. Sou o caçula de dois irmãos e, ainda na infância, falei para ela que eles estavam saindo à noite. Eles eram adolescentes, estavam na fase de querer curtir. Um dia ela pegou folga, mas não avisou ninguém. Chegou em casa e me viu sozinho. Meus irmãos tinham ido para uma festa que estava acontecendo no bairro mesmo. Ela me perguntou se eu sabia onde era a festa e eu disse que sim. E lá fomos nós, mais dois cachorros procurar o local da festa. Chegamos numa casa e ela tocou a campainha e ninguém apareceu. Ela tocou a segunda vez e nada. Aí começou a bater no portão até que saiu um rapaz. Ela disse: ‘meus dois filhos estão aqui. Vou entrar, pegá-los e sair. Se você falar alguma coisa, eu quebro a sua casa inteira’. O rapaz não se opôs. Ela entrou e fiquei do lado de fora esperando com os cachorros. Mas lá dentro, ela desligou o som, pegou um dos meus irmãos pela orelha, foi atrás do outro que estava escondido  no banheiro. Como a porta estava trancada, deu um chute para conseguir abrir e o tirou de lá. Na hora foi bem tenso, mas hoje damos muita risada dessa história. Todo mundo que a conhece acha muito divertida, sem contar que ela tem um trabalho muito bonito em um grupo de autoajuda para dependentes químicos, chamado Amor Exigente.