Há pessoas que se colocam limites, como se determinadas atividades ou aprendizados tivessem que acontecer em cada fase de suas vidas. Outros, porém, percebem que não existe idade para novas experiências e vivências.
No Centro Britânico, escola de idiomas que funciona ao lado da livraria Nobel do Jardim Maia, são muitos os alunos que escolheram aprender uma nova língua em uma idade na qual a maioria dos que fazem parte da mesma geração já se acomodou. Três deles contam à Weekend os motivos que os levaram a essa decisão e como estão se sentindo com essa chance que deram a si mesmos.
Para fazer ginástica cerebral
A ceramista, escultora e arte-educadora Nazaré Botana nunca tinha feito um curso específico de inglês. Praticante de meditação Raja Yoga há 18 anos e coordenadora de atividades da Organização Internacional Brahma Kumaris em Guarulhos, ela busca sempre ter a mente aberta para o novo, porque se considera uma jovem com 67 anos de experiência.
Ela conta que, com a idade, as pessoas procuram fazer uma alimentação saudável, escolher com critério o que ingerir, manter atividade física e isso é muito bom. Porém, considera imprescindível fazer também ginástica cerebral, proporcionando à mente fazer algo diferente da rotina. Vinha pensando no quê fazer nesse sentido.
Ela conheceu o Centro Britânico casualmente no início deste ano, quando fez uma visita à Nobel da avenida Salgado Filho. Diz que o ambiente a cativou e se sentiu motivada a aprender inglês, como um investimento em sua qualidade de vida.
Nazaré diz que o desafio de aprender uma outra língua a fez ficar animada. “Somos corpo, mente e alma. Alma é ânima. Quando harmonizamos corpo, mente e alma, nos sentimos mais animados. Está sendo muito positivo tirar o cérebro da zona de conforto”, revela.
Como ela mantém contato com pessoas do mundo todo pelo Brahma Kumaris, vê que também por isso o curso de inglês será importante para ela, facilitando o entrosamento e abrindo novos horizontes.
Para ler obras técnicas no idioma original
O engenheiro Plínio Tomaz é conhecido em Guarulhos por ter sido fundador do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), onde foi superintendente, diretor técnico e agora é o superintendente-adjunto. Foi também quem instalou a Agru (Agência Reguladora de Saneamento Básico de Guarulhos). Nascido na cidade, tem dez livros impressos publicados e outros 14 virtuais, disponíveis na internet. É membro efetivo da Academia Guarulhense de Letras.
Ele já falava inglês, francês, espanhol e italiano, além de “um pouquinho de latim”. Aos 76 anos, está cursando o quinto ano de alemão. Os três primeiros foram básicos; agora é especialização. Conta que quis aprender mais esse idioma para poder ler assuntos técnicos no original, porque percebeu “erros terríveis” em obras traduzidas. Em geral, livros de hidrografia, por exemplo, não são traduzidos por engenheiros, mas por pessoas que não entendem do conteúdo e acabam transmitindo informação incorreta.
Plínio relata que quando estudou inglês passou por vários professores, alguns dos quais não tinham a qualidade desejada. Diz estar muito satisfeito com o nível do Centro Britânico, cujos certificados são reconhecidos em outros países. Cita o professor Romeu, com quem tem as aulas de alemão, como exemplo, porque ele conhece a Alemanha. “Assim, ele não se limita a ensinar o idioma. Sabe a cultura de lá, a pronúncia correta”.
Plínio já viajou para a Alemanha, quando pôde pôr em prática o aprendizado para falar, embora tenha notado que alguns dialetos de lá são mais difíceis para entender. Também tem posto à prova a leitura, pois comprou livros técnicos alemães. Usa regularmente o Amazon Kindle em seu tablet e no computador, o que tem sido muito útil.
Lembra de uma parente que fala fluentemente alemão e a mãe teve Alzheimer. O médico recomendou que, por precaução, a filha aprendesse outro idioma. Por sugestão dele, ela está cursando francês no Centro Britânico. “É bom para nossa cabeça, a partir de certa idade, aprender línguas e estudar música”, comenta ele, que também está estudando piano.
Por amor à cultura francesa
A professora Lurdiney Borges da Silveira aprendeu inglês, francês e latim quando fez o então ginasial e colegial, mas sem aprofundar-se. Conta com orgulho que sempre estudou em escolas públicas. Formada em filosofia e em estudos sociais, lecionou na Prefeitura de São Paulo e no Estado. Com o fim do regime militar, especializou-se em história.
Por ser apaixonada por leitura, sentia falta de bibliotecas em escolas onde trabalhou. Quando surgiram salas de leitura nas escolas municipais, na gestão de Paulo Freire, quando Luíza Erundina foi prefeita, foi convidada a cuidar de uma sala multimeios. Foram 12 anos, o que foi para ela uma experiência que classifica como maravilhosa.
Revela que sempre foi fascinada pela cultura francesa, mas ainda não tinha se dedicado a aprender o idioma. Porém, sua mãe sofreu um acidente de carro, ela ficou cuidando da mãe, que algum tempo depois veio a falecer. Aí, ela e umas amigas combinaram de cada uma aprender uma língua para viajar pelo mundo. Duas escolheram inglês e uma, italiano. Lurdiney não teve dúvida de que era francês que queria.
Foi quando o amigo João Carlos Franco Bueno lhe sugeriu que conhecesse o Centro Britânico. Lendo a revista Weekend, viu um anúncio da escola e resolveu fazer uma visita. Participou de uma aula experimental, em uma turma de último ano, quando até aventurou-se a recitar um poema em francês. Encorajou-se a matricular-se. “São quatro anos de curso, nunca faltei a uma aula sequer. Minha professora, a Manu, é francesa, o que é muito bom. Estudei com jovens que vi nascer e é excelente esse convívio. Ainda que eu tenha de estudar muito mais que eles, que têm muita facilidade de aprender, não me contento em tirar menos de 8!”.
Concluiu dizendo ter percebido que sua memória melhorou: “Você se obriga a raciocinar em francês, o que é um ótimo exercício para a mente”. Programa-se para visitar a França, quando sentir que já domina a língua.

