Em repúdio à fala do ministro da Saúde, Ricardo Barros, a Associação Paulista de Medicina (APM), Regional de Guarulhos, promoveu ato simbólico de protesto na tarde desta quinta-feira, 3. Em frente à sede da entidade, localizada na rua Darci Vargas, região central de Guarulhos, os profissionais da saúde colocaram um cartaz com a mensagem: “Os médicos de Guarulhos não fingem, trabalham!”.
O ministro disse a frase no dia 13/07, durante o lançamento do programa de implantação de biometria nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
“Vamos parar de fingir que a gente paga médicos, e o médico parar de fingir que trabalha. Isso não está ajudando a saúde do Brasil”.
Barros retratou-se com os profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) dias depois. Mesmo assim, a categoria organizou uma mobilização nacional para esta quinta, que conta com o apoio das principais entidades da classe, como Federação Médica Brasileira (FMB), Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB), Federação Nacional dos Médicos (Fenam), da Ordem dos Médicos do Brasil (OMB).
O vice-presidente da APM Guarulhos, Claudio Alberto Galvão Bueno, disse que a frase usada pelo ministro foi muito pesada e ofendeu toda a classe médica do País.
“Enquanto classe médica desenvolvemos um trabalho importante. Ele [Ricardo Barros] foi infeliz em sua fala por generalizar toda uma classe. Existem falhas? Sim. Mas não podem dizer que os médicos fingem que trabalham. É jogar uma nuvem negra sobre toda uma classe. Nosso maior objetivo é dar atendimento de qualidade ao ser humano. Agora, o atendimento do SUS é precário por uma série de fatores. Falta tudo! A culpa não pode ser só dos profissionais que se esforçam para salvar vidas”, pontua
A Regional de Guarulhos elaborou um manifesto que denuncia um SUS sucateado e reivindica melhorias para o trabalho.
“Entendemos como afronta a forma desrespeitosa e inverídica de atribuir à nossa classe a responsabilidade pela desassistência à população”, diz o documento.

