Sessão teve até ovo
Na 5ª feira, 5, houve tumulto nas galerias da Câmara e o presidente Eduardo Soltur (PSD) suspendeu a sessão que discutiria o Projeto 4865/17. Cogitou-se fazer as sessões extraordinárias de 2ª feira a portas fechadas, mas diante das críticas, foram abertas. Um manifestante atirou um ovo e acertou o olho de Soltur.
Reação natural
Soltur ficou chocado (ops!) com a agressão e não economizou nas palavras, chamando o manifestante de vagabundo e afirmando que nada iria intimidá-lo. Depois, mais calmo, pediu ao líder do PT, Edmilson Souza, que explicasse aos correligionários do partido que não é assim que se faz Democracia: “Vocês estiveram 16 anos no poder e ninguém da oposição fez isso com vocês”.
Sessões obstruídas
Especialistas em fazer oposição, os vereadores do PT usaram de todas as artimanhas para obstruir a sessão de segunda-feira, mesmo sabendo que seria um expediente infrutífero. Janete Pietá, por exemplo, pedia para usar a tribuna sob qualquer pretexto regimental.
Emendas pra quê?
Guti transmitiu sinceridade ao prometer que o PL 4865/17 não servirá para que sejam cobrados ingressos em parques municipais. Mas, ainda assim, não faltaram críticas à qualidade do texto, pois deixou brechas para que um prefeito mal-intencionado as use para atitudes impopulares. No Facebook, sugeri que ele retirasse o Projeto para aperfeiçoamento ou que os vereadores apresentassem emendas que eliminassem essas falhas. O PL foi posto em discussão, emendas foram apresentadas e defendidas por seus autores, mas todas rejeitadas, como se o texto o PL fosse um primor.
16 horas de sessão
A base de sustentação de Guti usou a estratégia de não rebater os discursos dos vereadores do PT e do democrata Laércio Sandes, que apresentou cinco emendas. Mesmo assim, a sessão varou noite adentro, terminando à 1h da manhã, com o texto aprovado na íntegra.
Abstenção
Toda a base votou a favor. Os sete petistas votaram contra e Laércio Sandes se absteve. No Radar de Notícias, argumentou que entende positiva a iniciativa de conceder espaços públicos para a iniciativa privada, como para publicidade em pontos de ônibus ou para instalar lanchonete no Bosque Maia, mas classificou o texto como muito vago e perigoso, mesclando alhos e bugalhos. Por isso, preferiu não votar a favor, nem contra.
Inadimplentes
Em sessão extraordinária na segunda-feira, a Câmara também aprovou o Projeto do Executivo que cria o Cadastro de Inadimplentes do Município. Embora haja críticas contundentes, por entenderem que a Prefeitura sujará o nome de pessoas que atrasam impostos por não terem mesmo condições de pagar, trata-se de medida necessária, porque sempre há os que se aproveitam da fragilidade dos controles e da quase impunidade para acumular débitos, o que prejudica a população em geral. A título de comparação, caiu drasticamente a inadimplência em condomínios depois que foi adotada a prática de enviar os débitos a protesto.
Dia do professor
Em 15 de outubro comemora-se o Dia do Professor. É apenas uma data, como tantas outras. Mas é uma profissão que merece ser celebrada e deveria ser muito mais valorizada, como era antigamente. Afinal, são os professores que formam os profissionais de todas as outras categorias, além de enfrentar o desrespeito de muitos estudantes. A você, professor(a), minha reverência.
Mau cheiro
Moradores do Inocoop reclamam do cheiro de fumaça oriundo de um terreno das imediações, que voltou a incomodar. Dizem que é um gás do subsolo. Consultada, a Secretaria do Meio Ambiente não enviou a resposta até o fechamento desta edição.
Edição Especial
Acabou o bom clima entre o prefeito e o vice
Quando a Weekend da quinzena passada estava sendo impressa, na quinta-feira, dia 28/9, Guarulhos foi abalada com a notícia da exoneração do vice-prefeito Alexandre Zeitune do cargo de secretário de Educação, Cultura, Esporte e Lazer. Na manhã de sexta, o vice convocou uma entrevista coletiva para a Imprensa, às 10h, na Secel. Pouco depois, o prefeito chamou outra coletiva, para o mesmo horário, no salão de eventos do gabinete no Bom Clima.
Antes de atender os repórteres, Zeitune falou aos servidores da Pasta, afirmando ser vítima de “quadrilhas, detentores do poder que queriam continuar ganhando o dinheiro das crianças; muita gente perdeu contratos e não aceitou”.
Em descanso
O vice-prefeito garantiu que a pressão é porque sua gestão economizou muito e tem R$ 140 milhões em caixa. Prometeu fiscalizar cada ato da Administração, “cada parafuso”, em cada secretaria, em nome do programa de governo que foi escolhido pelos eleitores nas urnas: “O programa tem a assinatura do Guti, mas também tem a minha. Não descansarei, exigindo o cumprimento de tudo que está no programa de governo”. Concluiu dizendo que enviou ofícios ao Ministério Público Estadual e ao Federal, pedindo uma auditoria na pasta, para analisar cada contrato, pois não permitirá que levantem suspeitas sobre sua honra: “Não é nenhum corrupto, nenhum bandido que irá fazer difamação, porque eu não sou ladrão, nasci nesta cidade e minha filha tem orgulho do pai”.
Sem citar nomes
Na coletiva, Zeitune repetiu que estava sendo ameaçado, que ele e a esposa têm de andar em carro blindado, mas não citou nomes de quem estaria pressionando-o. Indaguei se a auditoria que pediu ao MP se refere à sua gestão ou à anterior, respondeu que sobre ambas. Quanto a se, ao exonerá-lo, Guti estaria escolhendo o lado errado, disse que as informações do gabinete do prefeito têm muito a melhorar, pois ele toma decisões erradas por confiar em fofocas.
Coletiva de Guti
Guti atrasou o início da coletiva, talvez para acompanhar o que o vice estaria dizendo. Logo ao iniciar sua fala, no Bom Clima, foi surpreendido pela chegada de Zeitune, que pediu assento à mesa e a fala. O prefeito propôs que o vice aguardasse as perguntas dos jornalistas, mas Zeitune disse que seriam só 3 minutos. Guti concordou.
Mais ameno
Zeitune reafirmou que pretende exercer fiscalização, na condição de vice-prefeito eleito, citou o pedido de auditoria aos MPs, e à “Corregedoria” (Controladoria), mas usou termos mais brandos; após, pediu para retirar-se.
Menção elegante
O prefeito afirmou que a exoneração de Zeitune era apenas uma questão política, que nada teve a ver com qualquer tipo de desvio de conduta do vice. Disse ser natural que a Rede busque seu espaço, sem entrar em detalhes. Como dias antes a Folha de S. Paulo publicara que Zeitune é uma das maiores expressões da Rede Sustentabilidade no Estado e, por isso, possível candidato a governador, essa pode ter sido a gota d’água, porque o vice-governador Márcio França, aliado de primeira hora de Guti, pretende concorrer ao Governo e é lógico que não gostaria de ter no campo adversário um partido antes coligado.
Sob controle
Quanto ao termo quadrilha, dito por Zeitune, Guti disse duvidar que em seu governo exista, mas que se houver denúncia firme nesse sentido, a Controladoria irá investigar. Reforçou o compromisso de cumprir o programa de governo e que espera o apoio do vice para isso. Quanto a uma nota da Rede dizendo que todos os seus integrantes entregariam os cargos, Guti respondeu não ver motivos para isso.
Pediram o boné
Diversos comissionados da Rede pediram exoneração, incluindo o secretário de Gestão, Nilson Gonçalves, e o adjunto de Trabalho, Reginaldo Sena. O porta-voz Augusto Pinheiro pediu aos dirigentes da Rede para ficar. Falou com Guti e foi mantido.
Respostas vagas
Em entrevistas a vários veículos, Zeitune foi mais comedido nas palavras e evitou esclarecer quais seriam as quadrilhas que citara. À TV Destaque acabou mencionando entre contratos que cancelou o do Instituto Civitas, mas sem detalhes. Entre os que classificou como conservadores, que teriam contribuído para sua queda, citou o líder de governo, vereador Eduardo Carneiro (PSB), com quem travou braço de ferro na questão das crianças com necessidades especiais. Carneiro criticara as condições de escolas municipais.
Gabinete do do vice
Como a legislação local não prevê estrutura para o exercício de função pelo vice-prefeito, por ser um cargo de expectativa, Zeitune pediu um espaço ao prefeito. Mas, diante da falta de resposta, acomodou-se em uma sala no prédio da antiga Câmara Municipal, na praça Getúlio Vargas.
Vídeos daqui e dali
Tanto o prefeito quanto o vice têm utilizado as redes sociais para se comunicar com a população. Enquanto Zeitune criticava o conteúdo do Projeto de Lei 4865/17, que trata de concessões e terceirizações, afirmando que o texto não teria chegado ao seu conhecimento e que Guti estava sendo induzido a erro por sua assessoria, Guti vinha a público questionar as alegações do PT e outros setores de que o PL daria margem até à cobrança de ingresso para frequentar o Bosque Maia e outros recintos públicos.
Quem mentiu?
Em entrevista a Maurício Siqueira, Guti afirmou que o projeto foi, sim, apresentado a Zeitune.
Quem assumiu a Secel
A advogada Marli Aparecida Nabas Lopes foi nomeada para comandar a Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer. Atua há mais de 40 anos na área estadual e iria assumir apenas o Jurídico da Pasta quando Zeitune caiu.

