Considerando que as inovações do ensino médio preveem o aumento gradativo da carga horária, até chegar a 7 horas diárias e 1.400 horas/aula anuais, imagina-se que isso irá gerar empregos para professores.

Porém, há um artigo que autoriza profissionais de outras áreas e especialistas “com notório saber” a darem aulas nas escolas do país. Com isso, segundo o governo, serão preenchidas lacunas na educação básica. De acordo com o texto enviado ao Congresso, a atuação deve ser “reconhecida pelos respectivos sistemas de ensino” e restrita à formação técnica e profissional.

Para aulas de matemática, educação física, sociologia e filosofia, continuará sendo exigida licenciatura plena. Nas demais, dependendo do critério a ser adotado pelas secretarias estaduais de Educação, um engenheiro, por exemplo, poderá lecionar física; um médico poderá dar aulas de biologia… Pode ser que engenheiros e médicos não tenham interesse de se valer dessa possibilidade porque a remuneração seja incompatível com os ganhos pretendidos. Porém, se puderem lecionar história ou geografia, por exemplo, jornalistas, publicitários, advogados em início de carreira e profissionais de outras áreas podem ocupar vagas que antes seriam preenchidas por professores.

Antes, o ensino profissionalizante era permitido após a conclusão do nível médio; agora, podem ser simultâneos, abrindo espaço à atuação desses profissionais que, para se tornarem educadores, deverão demonstrar o tal notório saber, cujos critérios de análise não ficaram suficientemente definidos.

Quanto às disciplinas que se tornaram facultativas, como sociologia e filosofia, há quem defenda que o estudante possa decidir se as quer cursar ou não.

O conceituado filósofo Mário Sérgio Cortella concorda que o ensino médio não poderia continuar como era, “meramente transitório, engessado, com conteúdo que não interessa a um jovem de 14 ou 15 anos de idade”. Porém, ele critica as mudanças na forma como foram decididas. Cita, especificamente, como equívoco, a supressão de educação física e artes das disciplinas obrigatórias: “Retirar o ensino da ciência do movimento e o da arte é ir contra o que há de mais essencial”. E como manter o interesse do jovem pela escola? Ele responde que a escola precisa ser menos abstrata; tem de partir do mundo em que o aluno vive para chegar ao mundo da ciência, porque a escola abstrata afasta o aluno ao invés de cativá-lo.