Por Tamiris Monteiro
O riso que vem da alma é gratuito e não se pode precificar, mas manter um sorriso esteticamente impecável tem custo e o brasileiro sabe bem disso. Segundo uma pesquisa realizada pela SBOE (Sociedade Brasileira Odontologia Estética), o Brasil é o segundo País que mais investe na “beleza dos dentes”, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Talvez, por essa razão, também seja o País com o maior número de dentistas em todo o mundo.
Mas, afinal, o que leva os brasileiros aos consultórios? A princípio deveria ser os cuidados diários e a saúde bucal, mas o que movimenta bastante o segmento é a procura por procedimentos estéticos, como clareamento, próteses, facetas e lentes de contato. Por conta dessa demanda, os profissionais têm buscado se atualizar com cursos de especialização. “Hoje na odontologia há uma competição muito forte entre os profissionais.
E a qualidade do ensino está a desejar. No meu tempo de estudante, por exemplo, o curso era ministrado o dia inteiro. Agora, os alunos fazem meio período. Por essas e outras razões, muitos dentistas procuram pelos cursos de atualização. Se o profissional não correr atrás, principalmente desses cursos avançados, como lente de contato e harmonização, que atualmente na odontologia são considerados serviços top de linha, ele provavelmente ficará para trás”, explica o dentista Honório Carli, fundador do Grupo ADOCI, Desenvolvimento da Odontologia Clínica, instituto que forma profissionais e atende pacientes por um custo mais acessível.
Mercado de trabalho para os dentistas
Já deu para notar que, assim como a maior parte das profissões, a odontologia requer dedicação e atualização constantes, mas nem só do segmento estético o mercado vive. Vale lembrar que quem opta pelo ofício, pode especializar-se em ortodontia, odontopediatria, endodontia, periodontia, prótese, implantodontia, cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial, entre outras modalidades.
Além das diversas áreas de especialização, o profissional também tem liberdade para trabalhar de forma autônoma, com consultório próprio, ou em órgãos públicos, como no serviço odontológico de prefeituras. O cirurgião dentista também pode lidar tanto com procedimentos estéticos quanto com intervenções voltadas à saúde bucal.
A era da lente de contato dental
Como dito anteriormente, o brasileiro valoriza demais um sorriso impecável, com dentes alinhados e branquinhos e, para alcançar um bom resultado, a aplicação das lentes de contato tem sido muito procurada nos consultórios. Graças à tecnologia, é possível planejar virtualmente um sorriso que realce os traços do rosto e combine com o paciente. As lentes também podem ser a solução para vários problemas estéticos, como manchas e descoloração. Além disso, elas podem fechar espaços entre os dentes e melhorar um sorriso sem o uso de aparelho ortodôntico. O maior problema do produto, talvez, esteja no preço, já que cada uma custa de R$ 1 mil a R$ 3 mil dependendo do tamanho do dente, da cidade e do dentista. A aplicação não precisa ser feita em todos os dentes. Geralmente, como é usada para fins estéticos, a peça é aplicada mais nos dentes da frente.
Dentistas x cirurgiões plásticos
Nem só dos dentes os dentistas cuidam mais: um dos serviços oferecidos em vários consultórios é a harmonização facial, que trabalha com procedimentos como sustentação, aplicação de Botox e preenchimento facial. De acordo com a cirurgiã-dentista Regina Yabu Pavanello, da Vital Odontologia, a odontologia estética evoluiu grandemente nos últimos anos, não só em materiais, como também em técnicas. “Sem dúvida, a evolução das cerâmicas aliada ao talento do cirurgião-dentista capacitado resultou numa odontologia que visa minimizar ou retardar o envelhecimento, resgatando o sorriso e a função mastigatória. Contudo, cabe destacar que, muitas vezes, só harmonizando os dentes não se chega a um resultado estético satisfatório. Então, como complementação, quando necessário, utilizamos toxina botulínica e os preenchimentos de volume, sempre em busca de equilíbrio e simetria, realizando assim a chamada harmonização orofacial”, pontua.
Mas além de harmonizar o sorriso, muitos dentistas têm oferecido em seus consultórios apenas os serviços com finalidade estética, como a aplicação de Botox e o preenchimento com ácido hialurônico. E o que se tornou um tipo de benefício para os pacientes, vem incomodando outra ala de profissionais da saúde. Mas, afinal, será que disponibilizar esse tipo de serviço é politicamente correto, já que existem cirurgiões plásticos e dermatologistas que também fazem o mesmo trabalho?
A resposta é sim! Na odontologia, as aplicações das substâncias feitas com o objetivo de realçar a beleza encaixam-se dentro da harmonização orofacial e quando o assunto diz respeito à região da face, os dentistas são altamente capacitados para trabalharem com diferentes procedimentos. “Durante a nossa formação, estudamos sobre o sistema estomatognático, que engloba toda a região da face, incluindo as estruturas anatômicas e funcionais. Além disso, o dentista é amparado pela lei federal 5081, que autoriza o uso de substâncias farmacológicas de uso interno e externo. E, hoje, a resolução que nos respalda é a de número 176/2016, que estabelece a atuação do cirurgião-dentista na harmonização da face e também na bichectomia, portanto, além de termos conhecimento técnico, somos assegurados pela lei por termos conhecimentos anatomofuncionais específicos e muita habilidade para atingir os resultados esperados”, explica a cirurgiã-dentista Regina.
Odontologia do sono
Outra novidade na área odontológica, só que não tão relacionada diretamente ao sorriso, é a odontologia do sono. Você ronca? Acorda assustado ou sufocado? Então, saiba que sim, um dentista do sono pode ajudar a identificar a raiz do problema. A odontologia do sono é uma área nova dentre as atividades odontológicas, com cerca de 20 anos de atuação. A área de estudo foi desenvolvida para habilitar o cirurgião dentista a diagnosticar os distúrbios do sono e tratar pacientes portadores de apneia obstrutiva do sono (SAOS), ronco e bruxismo (ranger dos dentes). O dentista que atua nesse segmento deve conhecer a fisiologia do sono e saber diagnosticar todos os mais de 80 distúrbios que possam estar associados à sua área de atuação e, assim, encaminhar o paciente a um médico para que possam, juntos, tratá-lo como um todo.
Através de alguns exames específicos, como a polissonografia, é possível mensurar a gravidade do distúrbio e indicar o melhor tratamento. “Cerca de 54% da população adulta sofre de ronco – com grande prevalência em obesos, idosos e mulheres na pós-menopausa. Engana-se quem acha que roncar é normal. Alguns estudos têm associado o ronco alto com aumento do risco de câncer e também de aterosclerose de carótida, podendo levar o paciente a um quadro de AVC”, explica a dentista Vivian Domene Vaccaro Bolsoni, também especialista em ortodontia e no tratamento de rosno e apneia do sono.
O barulho incômodo, que muitas vezes é motivo de piada, pode estar associado a outro distúrbio bem mais sério: a apneia obstrutiva do sono, que são interrupções temporárias da respiração, provocadas pelo relaxamento excessivo dos músculos da garganta e língua, bloqueando a passagem do ar. “Cada vez que isso acontece, o organismo precisa fazer um grande esforço para reabrir as vias aéreas, fragmentando o sono e podendo trazer inúmeras consequências ao indivíduo, tais como: sonolência durante o dia, queda de produtividade e perda de memória recente, aumento dos riscos de acidente de carro e de trabalho, aumento do estresse, ansiedade e depressão, aumento de peso, aumento dos riscos de desenvolver hipertensão arterial, diabetes, AVC, impotência sexual e até o infarto, podendo levar o indivíduo à morte”, pontua Vivian.
E como o dentista do sono pode ajudar? O profissional controla o ronco e a apneia leve e moderada (5 a 30 eventos por hora de sono), por meio do aparelho intra-oral, que é gradativamente ativado para posicionar a mandíbula mais para frente tracionando os músculos da garganta e mantendo a passagem do ar aberta. “Precisamos realizar um acompanhamento para ativação gradual do aparelho, controle da ATM, controle dos sintomas da doença, controle de peso, de qualidade de vida e de exercícios físicos, além de encaminhar para acompanhamento fonoaudiólogo e com o médico otorrinolaringologista, conseguindo assim reduzir significativamente os riscos”, relata.
Curiosidade
No dia 25 de outubro comemora-se o Dia Nacional do Dentista e, como a data foi pensada com o propósito de conscientizar a sociedade da importância de manter uma boa higiene bucal, no mesmo dia é também celebrado o Dia Nacional da Saúde Bucal.
ADOCI
Rua Francisco Antônio Miranda, 186, Centro
www.adoci.com.br | 2463-3199/ 2463-3171
Clínica Vaccaro
Rua Darcy Vargas, 375, Jardim Zaira
www.clinicavaccaro.com.br | 2408-1811 / 11 2229-0679
Vital Odontologia
Rua Tapajós, 78, Centro
www.vitalodontologia.com.br | 2443-0523 / 2409-9996



