Você consome o que Guarulhos produz?
É muito provável que quem está lendo esta revista consuma produtos fabricados em Guarulhos e não se dê conta disso. Nesta edição extra da Weekend, em comemoração ao Dia da Indústria, 25 de maio, queremos destacar o quanto as empresas da cidade estão presentes na vida da população.
Muitas marcas que fazem parte do cotidiano dos brasileiros e mesmo de povos de outros países são produzidas em Guarulhos, por empresas especificamente da cidade ou que fazem parte de grupos e têm uma unidade local.
Na capa, expusemos alguns exemplos. Consideramos importante que os consumidores saibam que esses produtos são de Guarulhos e que, na medida do possível, deem preferência às marcas guarulhenses, ajudando a gerar empregos e impostos na cidade. Em alguns casos, pode não ser factível. O Toddy, por exemplo: se o consumidor prefere achocolatado de outra marca dificilmente mudará para prestigiar o produto local. Já em relação a muitos outros tipos de produtos, porém, por suas características semelhantes às de outras marcas, essa conscientização pode favorecer as marcas locais.
A Damapel está no mercado há 55 anos, com foco na produção de papéis absorventes, como os higiênicos Dama e Fancy, lenços Pop Safari, papel toalha Quick e guardanapos Donna. Foi pioneira na implantação de tecnologia de ponta e alto grau de automação nesse ramo com foco na preservação do meio ambiente. Como reconhecimento pelos investimentos em sustentabilidade, recebeu o prêmio “Empresa Amiga do Meio Ambiente” em 2016.
Estabelecida no bairro do Bonsucesso, com mais de 40 anos de experiência em produtos de higiene e limpeza doméstica, a Gtex Brasil soma dez marcas em seu portfólio: Baby Soft, Urca, Ufe, Amazon, Cristal, Rio, Ruth Care, Clean Max, Dipol e Scarlim. Com quatro fábricas, nos Estados de São Paulo, Pernambuco, Mato Grosso e Rio de Janeiro, conta com 1.200 colaboradores e está entre as 10 maiores empresas do segmento; teve expansão de 20% em 2016 e 2017.
Há produtos guarulhenses que são campeões de venda, como os da Bauducco, exportados para o mundo todo. O fabricante é a Pandurata Alimentos, que também produz a marca Visconti e tem unidades fabris e centro de distribuição em Guarulhos, além de fábricas em São Paulo e Extrema (MG). Há pouco tempo, a empresa lançou o pão de forma Visconti, concorrendo com marcas sedimentadas no mercado.
Entre elas, está a Panco, que também tem fábrica em Guarulhos, no Jardim Aracília, Bonsucesso. No mesmo bairro, está a General Brands, que fabrica os sucos Camp, em pó ou líquido, e agora lançou chocolate em tablete e detém também as marcas Fructus e Gang. A Ambev, presente em todo o Brasil e em vários países, tem uma grande fábrica em Guarulhos desde a década de 1970. No ramo farmacêutico, Guarulhos conta com o Aché Laboratórios, além da Alergan e a Stiefel. A Mebuki, da vila Endres, fabrica assentos sanitários, inclusive modelos destinados a pessoas com necessidades especiais.
PRESENÇA INDIRETA NA VIDA DAS PESSOAS
Porém, nem só de produtos consumidos diretamente pelas pessoas vivem as indústrias de Guarulhos. Muitas outras estão presentes indiretamente na vida dos guarulhenses. A Fesma, por exemplo, fabrica componentes de elevadores, escadas rolantes e até das máquinas para saques de dinheiro no auto-atendimento dos bancos. A Big Format produz infláveis gigantes como o Pixuleco e o pato da Fiesp.
Muitos devem se perguntar o que produz a Phibro, entre as avenidas Presidente Tancredo Neves e a Monteiro Lobato. Diferentemente do que muitos guarulhenses pensam, a Phibro nada tem a ver com a Pfizer. Na verdade, antes de ser adquirida pelo grupo Phillip Brothers, a empresa era o braço da Pfizer que atuava no ramo de saúde animal. Em dezembro de 2000, a Phibro, que já tinha uma unidade em Bragança Paulista desde 1995, adquiriu a fábrica de Guarulhos e desde então a atividade é totalmente independente. Produz medicamentos para grandes criadores de animais geralmente para abate. Incluem-se entre os clientes, grupos como Aurora, BRF (Sadia e Perdigão), JBS (Seara, Friboi, Swift), Marfrig e Cargill. Certamente, portanto, praticamente toda a população consome produtos oriundos de animais que podem ter sido tratados com medicamentos produzidos pela Phibro em Guarulhos.
Por que manter uma empresa em Guarulhos?
Alguns guarulhenses ainda torcem o nariz para a cidade, achando que em São Paulo ainda há mais oportunidade e opções do que aqui, mas muitos empresários que mantêm suas indústrias no município encontram boas razões para ficar e prosperar com seu negócio. É o caso da 4Truck, que tem foco no desenvolvimento e produção de implementos rodoviários para o transporte de cargas. De acordo com Osmar Oliveira, sócio fundador da empresa, o primeiro e principal motivo que o fez instalar sua companhia na área industrial da cidade foi o fato do seu negócio ser do setor de transportes rodoviários. “Nosso cliente potencial é muito ligado ao transporte. Guarulhos é uma cidade que tem muito disso, pois está próxima das principais rodovias, no eixo Rio-Minas-São Paulo. Os grandes produtores de implementos rodoviários estão aqui e as principais empresas do setor também. Outra razão é porque a cidade me acolheu muito bem. Tenho uma amiga de Guarulhos, a Loredana Glasser, que é muito especial. Nos conhecemos porque trabalhei muito tempo no ramo da construção civil, a Loredana era fornecedora de blocos para as empresas que trabalhei; então, quando liguei para ela e disse que estava pensando em instalar minha empresa em Guarulhos, ela me deu muito apoio, me apresentou pessoas e me ajudou a encontrar um lugar, logo me aproximei de entidades como Asec e Ciesp e me senti abraçado. Gostei! Acho que foi uma decisão acertada”, relata.
Reinventar-se faz parte do DNA das indústrias de Guarulhos
Existem empresas bastante tradicionais na cidade e muitas delas apresentam uma forte resiliência quando o assunto é se transformar e sobreviver às mudanças do mercado. É o caso da indústria Hammer. Instalada aqui desde 1962, com sede própria na avenida Dr. Timóteo Penteado, a companhia teve seu início em 1951, no bairro da Penha. A empresa atende os segmentos farmacêuticos, veterinário, alimentício, cosmético, químico e construção civil, com produtos próprios ou prestando serviços tanto na injeção plástica quanto na personalização de produtos em serigrafia, tampografia e hot-stamping.
Quando nasceu, a Hammer era uma prestadora de serviços mais voltada para a parte de desenvolvimento de ferramentas, mas ao longo dos anos as mudanças foram inevitáveis e fizeram com que a companhia se tornasse uma das principais distribuidoras de seringas para a área veterinária. “A história da empresa começou com meu avô. Depois da guerra (Segunda Guerra Mundial), ele veio para o Brasil e tinha formação de ferramenteiro. Em Guarulhos, ele conheceu o presidente da Brinquedos Estrela. A partir desse contato, começou a desenvolver algumas ferramentas para a marca e uma delas foi feita para produzir a pupila da boneca Dorminhoca, que abria e fechava os olhos. Começamos com uma máquina chamada de “mula manca”, que você tinha que pegar material, jogar no funil e dosar manualmente. Depois ele foi desenvolvendo outras ferramentas, terceirizamos uma parte para a Estrela e começamos a ter outros clientes, também na área de prestação de serviço. Foi assim até 1978, quando meu avô faleceu”, conta a diretora da empresa, Rosemary Hammer.
O pai de Rosemary deu continuidade ao negócio e também passou a desenvolver ferramentas próprias. “Em 1998 já estávamos desenvolvendo uma embalagem para linha veterinária. Na época recebemos a solicitação de uma empresa, a Novartis, que importava uma seringa para uso intramamário e foi lançado um desafio para nós. O ferramenteiro topou desenvolver e começamos a entrar nesse segmento da linha veterinária. Foram oito meses para desenvolver o ferramental, mais seis só testando matéria prima, até que chegamos numa receita. A partir daí, começamos a divulgar essa embalagem. Conseguimos atender a maior parte das indústrias farmacêuticas veterinárias. E assim começamos a abrir um caminho com esse item. Depois de alguns anos, nos aprimoramos. Lançamos outras medidas: além da seringa de 10ml, temos seringas de 3ml, 5ml, 30ml, vários formatos, atendimento para linha equestre, de pets e até pássaros. Conforme a necessidade do cliente e dentro do que já temos, tentamos atender”, ressalta.
Como e quando teve início a história de existir uma zona industrial na cidade?
Não há dados precisos sobre essa informação, mas acredita-se que o processo de industrialização da cidade começou no início do século XX com a chegada do Tramway da Cantareira (Trem da Cantareira – ramal Guarulhos). A incipiente industrialização ganhou um forte impulso nos anos de 1950, com a construção da rodovia Presidente Dutra, um dos principais marcos da industrialização de Guarulhos. A partir daí o munícipio passou a atrair uma grande concentração de indústrias no entorno da rodovia, mais precisamente nas proximidades do bairro de Cumbica, o que futuramente iria resultar no polo industrial. Um segundo grande impulso na industrialização da cidade ocorreu em 1985, com a inauguração do Aeroporto.
Indústrias trazem diferentes possibilidades e ajudam a expandir a economia local
Como mencionado no publieditorial da Perfil Líder, o sucesso da marca foi responsável pelo nascimento da Eletroferro, que hoje dispõe de uma completa linha elétrica que atende engenharias, construtoras, instaladores elétricos e também o consumidor final.
Ou seja, um negócio de sucesso gerou outro negócio promissor e a boa notícia é que a Eletroferro, muito em breve, será alocada em um espaço maior. “Surgiu um ponto na avenida Guarulhos, ao lado da Arcelormittal. Lá será a nova loja, com o dobro do tamanho de onde estamos hoje, é uma loja que vai ter estacionamento na frente e no fundo. Esse local também concentra um fluxo maior de pessoas e os ônibus param praticamente na porta, acho que vamos ter um aumento de faturamento no balcão com essa ampliação”, revela José Araújo Júnior, diretor da Perfil Líder. Vendas pela internet também é um projeto futuro que Junior vem estudando.
Guarulhos possui a Lei 7.306, de 2014, que trata de Incentivos Fiscais: ela prevê a isenção de até 100% do IPTU por um período de até 10 anos para as indústrias que venham a se instalar na cidade e também a isenção do ISSQN da mão de obra utilizada na construção do parque industrial. Em relação às que já estão instaladas na cidade, essa mesma lei prevê a isenção do ISSQN sobre a mão de obra utilizada na ampliação do seu parque industrial.



