Da Agência Brasil
A Copa da Rússia foi a Copa do VAR. O segundo dos quatro gols da França no jogo final da competição, por exemplo, só foi possível pela interferência do árbitro de vídeo. E pelas declarações do presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, a tecnologia de auxílio ao árbitro de campo veio para ficar. “Estamos muito felizes de termos introduzido o VAR. Hoje é difícil pensar em Copa do Mundo sem VAR”, disse Infantino em entrevista à de imprensa na última sexta-feira, 13.
Mas a Copa não será só lembrada pela presença da arbitragem de vídeo pela primeira vez na principal competição do futebol mundial. A eliminação de seleções tradicionais como a da Alemanha, Argentina, Espanha, do Uruguai e Brasil, que não conseguiram chegar sequer a semifinais, também ficará na memória do torcedor como a Copa em que as grandes equipes voltaram para casa mais cedo.
Queda dos gigantes
A Rússia foi território indigesto para os principais favoritos ao título. Os alemães não mostraram nada do futebol exuberante que desfilaram pelos gramados brasileiros em 2014. Não houve criatividade, inspiração e o sangue frio que fizeram o futebol alemão tão respeitado nos últimos anos. Foram eliminados na primeira fase.
A Espanha ficou também pelo caminho. Caiu nas oitavas de final após perder nos pênaltis para a Rússia, muito inferior tecnicamente. Mostrou dificuldades em furar as defesas e o toque de bola, envolvente e ofensivo no passado, se tornou cansativo e sem objetividade. O Uruguai, outra seleção da qual se esperava uma caminhada mais longa, ficou nas oitavas de final.
A Seleção Brasileira era cotada para chegar à final e aumentou seu favoritismo após a queda de espanhóis e alemães. Mas o time comandado por Tite não demonstrou poder de recuperação quando saiu atrás do placar na partida contra a equipe belga e terminou sendo derrotada por 2 a 1. Caiu nas quartas de final.
Os três maiores craques do futebol mundial, Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar, foram discretos nesta Copa. Na primeira rodada, o português marcou três gols contra a Espanha e deu esperanças de que se destacaria, mas suas atuações esfriaram junto com a sua seleção. Messi era parte de um aglomerado de jogadores. Eles, mesmo com a tradicional garra em campo, não conseguiam ter um esquema tático que enfrentasse as demais equipes em condições de igualdade. A seleção argentina sucumbiu diante do jovem time da França.
Coletividade é o caminho
Pelé, Beckenbauer, Romário, Zidane e Ronaldo foram alguns dos nomes-símbolo de títulos mundiais nas Copas que disputaram. Mas a França de 2018 não teve um único jogador que comandou a equipe. O coletivo foi o forte das seleções que foram longe neste mundial. Mesmo com jogadores de destaque no cenário do futebol, como Mbappé, Pogba, Griezmann e o goleiro Lloris, o time prezou pela eficiência coletiva. E foi assim que passou por Argentina, Uruguai, Bélgica e Croácia para colocar a segunda estrela de campeã mundial em sua camisa.
Os belgas foram outro bom exemplo do futebol que predominou nesta Copa. Em verdadeiros contra-ataques dignos de manual, os Diabos Vermelhos venceram o Japão, Brasil e a Inglaterra e saem da Rússia com um honroso terceiro lugar.
A Croácia, por sua vez, teve o melhor jogador do campeonato, Modric. Mas ele não foi o único responsável por levar o time à final inédita. A Croácia talvez tenham sido a seleção cujos jogadores que mais se entregaram em todos os jogos. Foi um time de operários, onde todos marcavam e todos atacavam.
Croácia no mapa do futebol
O pequeno país de pouco mais de 4 milhões de habitantes entra no rol das seleções de respeito do futebol mundial. E não é por acaso. Vários jogadores atuam em clubes de ponta. O meio-campo croata não é celebrado à toa. Os meias Modric e Rakitic são titulares no Real Madrid e no Barcelona, respectivamente.




