Manifestantes que estiveram na manhã desta segunda-feira, 31, nas proximidades do aterro sanitário de Guarulhos foram atendidos pelo secretário de Serviços Públicos, Edmilson Americano, e obtiveram a confirmação de uma reunião com ele e o secretário do Meio Ambiente, Abdo Mazloum. Americano havia informado que o prefeito baixou decreto declarando situação de emergência e pedido a presença da Cetesb, do Ministério Público, do Conselho Estadual do Meio Ambiente e do Tribunal de Contas do Estado. “Queremos que haja total transparência”, garantiu. Foi contestado, entretanto, por algumas pessoas, para as quais transparência só haverá se contar com a participação de representantes dos moradores. Americano disse que para que possa ter respostas conclusivas e não meros chutes, depende de obter os pareceres técnicos. Por esse motivo, a reunião ficou marcada para a próxima quinta-feira, dia 3, às 17h, no Paço Municipal, contando também com vereadores e uma comissão dos moradores da região.

Reivindicações
Entre os manifestantes estava o vereador José Luiz Guimarães (PT) e o ex-vice-prefeito e atual assessor da vereadora Janete Pietá, Carlão Derman. Eles e o padre Antonio Carlos Frizzo, além de representantes de diversos movimentos sociais da região, queriam que uma comissão pudesse ir até a área onde houve o deslizamento do aterro sanitário, para averiguar a gravidade dos danos sofridos e o grau de risco que correm os mananciais. Americano, porém, disse que seria uma irresponsabilidade permitir, pois estivera no local e fora advertido de que não deveria ter ido, dada a possibilidade de novos deslizamentos.
Ele explicou que em dois locais do aterro foi possível colocar diques, para evitar que o chorume desça até onde pudesse afetar o lençol freático. Afirmou que a orientação de uma empresa especializada, chamada pela Proactiva, que gerencia o aterro, recomendou que por 72 horas nada seja feito no local, razão pela qual optou-se por não interferir por enquanto na parte baixa, pois não se sabe quais as consequências. Durante esse tempo de indefinição, o lixo de Guarulhos está sendo depositado no aterro CDR Pedreira, situado ao lado do de Guarulhos, em São Paulo. É de propriedade da empresa francesa Veolia, à qual pertence a Proactiva, que presta serviços de gestão do aterro sanitário para a Prefeitura de Guarulhos.

Interdição temporária
Momentos depois, teve início a manifestação popular, com uso de aparelhagem de som, pelo qual várias pessoas falaram, expondo seus argumentos. De repente, um cordão de manifestantes com faixas se formou, impedindo a passagem de caminhões, nos dois sentidos. A essência das falas gira em torno de não permitir que a Veolia implante o novo aterro no lado guarulhense, o que vem sendo objeto de audiências públicas, as quais têm sido encerradas sem que muitos questionamentos sejam respondidos. Alguns conflitos também têm ocorrido nessas audiências.

Enquanto as pessoas revezavam-se ao microfone, uma fila de caminhões se formou em cada sentido. O ânimo dos manifestantes era de impedir o fluxo até que Guti comparecesse ao local. Cerca de meia hora depois, o secretário Americano finalmente conseguiu contato com o prefeito e ele confirmou presença na reunião marcada para quinta-feira.

Liberação
Diante dessa confirmação, houve concordância de permitir a passagem dos caminhões. Os manifestantes, no entanto, reafirmam o compromisso de lutar com todas as defesas possíveis para impedir que o novo aterro seja implantado pela Veolia para receber detritos de outras cidades.

Texto: Valdir Carleto
Imagens: Alexandre de Paulo

