Tradicionalmente, o presidente da República assina no final de cada ano um decreto, definindo o valor do salário mínimo do exercício seguinte, embora passe a vigorar em 1o. de maio.
Desta vez, entretanto, o presidente Michel Temer não editou decreto, o que fará com que a decisão sobre o novo mínimo fique para o novo chefe do Executivo, Jair Bolsonaro. O valor previsto era de R$ 1.009, porém havia setores recomendando a Bolsonaro que revisse esse piso, pois cada R$ 1 representa R$ 300 milhões de despesa para o governo federal.
Nada garante, portanto, qual será o novo valor do salário mínimo, que serve de referência para uma série de pagamentos e recebimentos.
Temer encerra assim, de forma melancólica, seu titubeante governo. Só na questão do indulto natalino, ele decidiu e voltou atrás várias vezes, deixando-se influenciar pelos ares de cada momento. Assiná-lo-ia, mas não o fez. Nesse aspecto, talvez tenha errado menos agindo assim.
Deixará saudades? Dificilmente. A não ser que o novo governo consiga ser ainda pior que o de Temer e o de sua antecessora.
Valdir Carleto

