InícioDESTAQUEBolsonaro faz pronunciamento e ataca gestão de Moro

Bolsonaro faz pronunciamento e ataca gestão de Moro

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) faz pronunciamento à Nação para comentar o pedido de demissão do ex-juiz Sérgio Moro do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.

Relembrou conversas que tive com Moro depois de eleito no segundo turno, assinalando que não teve a ajuda do então na campanha eleitoral. Quanto ao convite para ser ministro, afirmou que deixou claro que teria poder de veto na escolha de auxiliares. Que permitiu que Moro escolhesse o diretor-geral da PF, apesar de uma lei de 2014 atribuir a ele, presidente, o poder de nomear quem quisesse. Disse que Moro colocou nos postos-chave, inclusive da Polícia Rodoviária Federal, pessoas de Curitiba. “Será que todo mundo que tem competência é de Curitiba? Não tem ninguém mais capaz no Brasil todo?”, indagou.

Falando da aludida pretensão do presidente de trocar superintendentes estaduais da PF. justificou alegando que não seria para interferir para beneficiar seus filhos, mas para cobrar mais atitudes a respeito de investigações que deveriam fazer e não haviam feito.

Na coletiva feita no período da manhã, Sérgio Moro negou que tenha negociado sua indicação para ministro do Supremo Tribunal Federal para aceitar deixar a Magistratura. Mas Bolsonaro afirmou que, já que Moro tocou em particularidades, iria contar que, há algum tempo, quando cogitou substituir o diretor-geral da PF, o ministro teria lhe dito que tudo bem, mas depois que o indicasse para o Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro disse que vê qualidades em Moro, que até pode vir a ser membro do STF, mas que não esperava dele esse comportamento, de condicionar uma coisa a outra.

Apontou diversos momentos em que entendeu que a Polícia Federal, sob o comando de Maurício Valeixo, foi omissa ou morosa. Demonstrou que seu maior incômodo com a gestão foi a não identificação de quem teria mandado Adélio Bispo matá-lo, naquele episódio durante o primeiro turno da campanha eleitoral. E que a PF se ocupou mais do assassinato da então vereadora Marielle Franco do que com o crime praticado contra ele. Outro caso correlato a essa mágoa diz respeito à suspeita que foi levantada de envolvimento de sua família, quando foi noticiado que um porteiro do condomínio em que reside, na Barra da Tijuca, teria feito declarações que vieram a se mostrar falsas e que nada foi feito para apurar os motivos que teriam levado a fazê-las.

O presidente deixou claro que mudou sua impressão a respeito de Sérgio Moro: “Uma coisa é você admirar uma pessoa, outra é conviver com ela, trabalhar com ela”, comentou.

Negou que tenha a pretensão de interferir em investigações da Polícia Federal e afirmou que jamais pediu a Moro detalhes de qualquer inquérito em andamento. Negou também que pretenda beneficiar seus parentes em supostas investigações e que não vê mal nenhum em querer poder falar com subordinados de ministérios, se os comandantes militares podem interagir com detentores de patentes inferiores, apenas depois relatando a seus superiores imediatos. Contou que quando precisou, obteve relatórios da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e dos escalões militares.

Quanto ao episódio da exoneração de Valeixo, disse que Moro teria aceitado que o auxiliar fosse demitido desde que o sucessor pudesse ser por ele escolhido. “Por que o nome dele e não o meu? Por que não cogitar vários nomes, chegar a um consenso ou fazer um sorteio se houvesse empate de competência”, perguntou. Por fim, disse que conversou com o diretor-geral da PF por telefone, na quinta-feira à noite, e que havia ficado claro que a demissão se daria a pedido. Até porque, segundo afirmou, Valeixo já havia deixado claro no início do ano que estava cansado e que pretendia deixar o cargo. Nessa questão, Bolsonaro mostrou irritação, afirmando que não permitirá que Moro o chame de mentiroso, “pois essa é a maior ofensa que se possa fazer a um homem honrado”.

Reclamou que, ao invés de ir falar com ele hoje pela manhã, para apresentar seu pedido de exoneração, Moro tenha convocado entrevista coletiva. Em resumo, acusou Moro de ser vaidoso. Em parte do discurso, disse: “Moro diz que tem de zelar pela biografia dele. Pois eu tenho que zelar pelo Brasil”

Concluiu reafirmando seu apego à Democracia e aos princípios que o levaram a se propor a ser presidente da República.

Mentiroso

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