Víctor Quaranta
O mercado financeiro reduziu a expectativa de queda do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de -6,51% para -6,50%, segundo a recente edição do Boletim Focus, publicado pelo Banco Central (BC), na sexta-feira (19). Ainda que seja por mínima diferença, é a primeira vez que o mercado eleva a estimativa para a economia brasileira, após 18 semanas consecutivas de queda. O PIB é um cálculo aproximado da soma de todos os bens e serviços produzidos em uma região num dado período de tempo.
Para 2021, a publicação do BC espera um crescimento do PIB de +3,50%, mesma expectativa das quatro semanas anteriores, ao passo que o desempenho para 2022 e 2023 é estimado em +2,5%.
No início deste ano, segundo o analista Jader Lazarini, da Suno Research, o Boletim Focus previa um crescimento para economia brasileira de +2,30%, mas os impactos causados pela pandemia da covid-19 surpreenderam os economistas.
Ao fim de 2020, o mercado acredita que o dólar americano estará cotado em R$ 5,20, o que significa uma redução, comparado ao mês de abril, quando a cotação da moeda era estimada em R$ 5,40. A expectativa cambial manteve o número da semana anterior. Para o ano de 2021, o dólar está projetado em R$ 5,00, ao passo que as estimativas para 2022 e 2023 são de R$ 4,80.
Os dados levantados pelo BC indicam um leve reajuste para o índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o qual passou numa semana de +1,60% para +1,61%. Comparado ao mês de abril, o IPCA aumentou de +1,57% para +1,61%.
Para alcançar a meta da inflação, o BC faz uso da taxa básica de juros (taxa Selic) como seu principal mecanismo de controle, estabelecida atualmente pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em +2,25% ao ano, após reunião realizada na quarta-feira (17). O mercado financeiro acredita que o BC manterá a presente taxa Selic até o final do ano. Para o fim de 2021, a Selic deve terminar o ano de +3,00%, ao passo que para 2022 e 2023, as expectativas são de +5,00% e +6,00%, respectivamente.
Em artigo publicado no Click Guarulhos na semana passada, foi explicado que quando a taxa de juros é reduzida, a tendência é de que o crédito fique mais barato, o que estimula a produção e o consumo das famílias, mas diminui o controle sobre a inflação. Por outro lado, quando o BC eleva a taxa Selic, a tendência é que o crédito fique mais caro, o que provoca a consequente redução do consumo e incentiva o crescimento da poupança nacional. Tendo como base as expectativas do mercado, acredita-se que a poupança nacional crescerá nos próximos anos, ao passo que a oferta de crédito deve ser reduzida.
Victor Quaranta é bacharel em Turismo pela Universidade Anhembi Morumbi e pela Universidade Andres Bello (Santiago do Chile). Estudante de História na Universidade Federal de São Paulo.
Fontes: Agência Brasil, Suno Research e Banco Central.

