Segundo queixas que têm chegado ao portal Click Guarulhos, a intenção do prefeito Guti ao restringir o horário de validade do Cartão do Idoso nos ônibus, para não sobrecarregar o período de rush, não vem surtindo efeito. E, quanto à intenção de evitar aglomeração por causa da covid-19, o efeito tem sido até contrário.
Ocorre que a decisão não impede os idosos de entrar nos coletivos fora do horário entre 10h e 16h. Assim, muitos idosos que têm necessidade de usar coletivos fora desse horário restrito entram nos ônibus pela porta dianteira e, como não podem passar gratuitamente pela catraca, aglomeram-se na parte da frente, correndo maior risco de contaminação e, ainda, complicando o fluxo dos demais passageiros.
Entre as reclamações que temos recebido estão as de idosos que ainda trabalham e precisam cumprir expediente fora desse horário restrito e acham injusto ter de pagar, enquanto outros, que usam os ônibus sem necessidade, podem viajar gratuitamente entre as 10h e as 16h.
Outros reclamam que precisam deslocar-se para ir a médicos, hospitais e clínicas de fisioterapia, antes das 10h ou após as 16h, pois não podem escolher os horários para serem atendidos.
Enviamos questionamento à Prefeitura, sugerindo que o bloqueio do cartão do idoso fosse revisto, por não estar surtindo o efeito desejado e, ainda, por penalizar os que realmente necessitam usar o transporte coletivo.
Resposta da Prefeitura
“A Prefeitura de Guarulhos esclarece que o bloqueio do cartão dos idosos em horário de pico aconteceu para evitar aglomerações nos transportes coletivos. Os idosos tinham direito a dez passagens gratuitas diárias, que foram diminuídas para duas (fora dos horários de pico da manhã e tarde). A situação só voltará ao estágio anterior quando houver a disponibilidade da totalidade dos ônibus nas ruas. Na realidade, os idosos não podem ficar aglomerados na parte da frente dos coletivos (antes da catraca). O Departamento de Transportes, pela sua Divisão de Fiscalização, irá atuar no sentido de evitar que esse isso continue ocorrendo.”
Vendedores ambulantes e pedintes nos ônibus
Outro problema que tem sido relatado por usuários do transporte coletivo em Guarulhos é a circulação de ambulantes e pedintes nos ônibus.
Passageiros afirmam que alguns deles, às vezes atribuindo-se terem sido recuperados de vícios e que dependem de ajuda para sobreviver, passam pelos bancos, colocando embalagens de doces no colo das pessoas, e em seguida retornam buscando receber o valor da mercadoria, o que, na opinião de um internauta, contraria as regras para evitar contaminação, já que não se sabe a procedência dos produtos, nem há no momento condições de higienizar as embalagens.
Um internauta relatou que há ambulantes que agem de forma a intimidar os passageiros, como se todos tivessem obrigação de adquirir os produtos que querem vender.
Enviamos nova mensagem à Assessoria de Imprensa, pedindo que essa prática deve ser objeto de maior rigor na fiscalização, independentemente das razões humanitárias que se tenha para tolerá-la.
Resposta da Prefeitura
“A Prefeitura de Guarulhos esclarece que é proibida a comercialização de qualquer tipo de produto dentro dos coletivos municipais. O Departamento de Transportes realiza essa fiscalização e procura coibir a venda irregular. Contudo, não dá para fiscalizar todas as linhas simultaneamente e a ação irregular ocorre justamente quando não há a presença do fiscal. Nesses casos os passageiros podem denunciar para a Central de Inteligência Integrada de Guarulhos (CIIG), 2475-6996, em quais linhas incidem esses problemas. Vale lembrar que essa ocorrência não se resume a Guarulhos mas que acontece em todo o país (no metrô de São Paulo e do Rio é recorrente, por exemplo), ainda mais agravado pelo aumento da recessão provocada pela pandemia. Outro detalhe: desde 2009 pedir esmola não é mais contravenção penal (lei federal 11.983/09).
foto ilustrativa: Márcio Lino / PMG

